7 de julho de 2021

Ser Psicólogo

                  Félix Elvas Pequeno

"Ser psicólogo é uma imensa responsabilidade.

Não apenas isso, é também uma notável dádiva.

Desenvolvemos o dom de usar a palavra, o olhar,

as nossas expressões, e até mesmo o silêncio.

O dom de tirar lá de dentro o melhor que temos

para cuidar, fortalecer, compreender, aliviar.


Ser psicólogo é um ofício tremendamente sério.

Mas não apenas isso, é também um grande privilégio.

Pois não há maior que o de tocar no que há de mais

precioso e sagrado em um ser humano: seu segredo,

seu medo, suas alegrias, prazeres e inquietações.


Somos psicólogos e trememos diante da constatação

de que temos instrumentos capazes de

favorecer o bem ou o mal, a construção ou a destruição.

Mas ao lado disso desfrutamos de uma inefável bênção

que é poder dar a alguém o toque, a chave que pode abrir portas

para a realização de seus mais caros e íntimos sonhos.


Quero, como psicólogo aprender a ouvir sem julgar,

ver sem me escandalizar, e sempre acreditar no bem.

Mesmo na contra-esperança, esperar.

E quando falar, ter consciência do peso da minha palavra,

do conselho, da minha sinalização.

Que as lágrimas que diante de mim rolarem,

pensamentos, declarações e esperanças testemunhadas,

sejam segredos que me acompanhem até o fim.


E que eu possa ao final ser agradecido pelo privilégio de

ter vivido para ajudar as pessoas a serem mais felizes.

O privilégio de tantas vezes ter sido único na vida de alguém que

não tinha com quem contar para dividir sua solidão,

sua angústia, seus desejos.

Alguém que sonhava ser mais feliz, e pôde comigo descobrir

que isso só começa quando a gente consegue

realmente se conhecer e se aceitar."


5 de julho de 2021

sobre a verdade

  W. Bion, psicanalista inglês já falecido, afirmou que a Verdade é um alimento para a mente. A ideia fundamental deste autor é que a Verdade para se tornar alimento da mente, precisa antes de um cozimento, ou seja, a Verdade externa é transformada, cozida pelo aparelho mental e com isto tornada pessoal. Um corpo que não recebe alimentos ou os recebe intoxicados, contaminados sofre, desnutre, definha, adoece e pode morrer.

Este é o modelo de funcionamento mental proposto por Bion através de sua teoria da mente. A busca pela Verdade está implícita neste modelo teórico. Bion afirma que é desta forma que surgem as controvérsias. E é da controvérsia que se forma o broto de onde o conhecimento inicia a produção de seus frutos. Só que a controvérsia para que dê frutos, necessita de confrontações legítimas e genuínas, pois se isto não acontece corre-se o risco de que os argumentos controversos se esgotem e terminem em um bate-boca estéril, inútil entre pessoas com diferentes pontos de vista.

É sempre difícil falar em política, eleições e políticos. Porém não temos como nos isentar desse debate. É difícil resistir à tentação de transportar o conhecimento deste modelo teórico de Bion, para o que temos assistido nos acontecimentos nacionais: corrupções, mentiras, ataques, negações, acusações, xingamentos e desrespeitos... O que vocês pensam?

( Postado por Félix Elvas Pequeno- Psicólogo Psicanalista)

2 de julho de 2021

Sobre o pensar

             Félix Elvas Pequeno

        Uma das coisas mais importantes é você ser autor, personagem e principalmente diretor do seu  próprio passeio aqui nessa existência, inventando ou reiventando seu próprio dia-a-dia. É ter uma vida que vale apena ser contada! Pense nisso!! Caso não consiga por si próprio, a Psicoterapia poderá ser um bom investimento, pelo resto de sua vida, para ajudá-lo a se autoconhecer,  construir sua singularidade e fazer seu percurso, no aqui e agora. Com espontaneidade e criatividade voçê pode ir se ressignificando pela vida a fora, aprendendo pela experiência a pensar. Pensar é transgredir, e pensar dói!! 

( Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicoterapeuta). Abraços 


28 de junho de 2021

Sobre o pensar

        Félix Elvas Pequeno

      Uma das coisas mais importantes é você ser autor, personagem e principalmente diretor do seu  próprio passeio aqui nessa existência, inventando ou reiventando seu próprio dia-a-dia. É ter uma vida que vale apena ser contada! Pense nisso!! Caso não consiga por si próprio, a Psicoterapia poderá ser um bom investimento, pelo resto de sua vida, para ajudá-lo a se autoconhecer,  construir sua singularidade e fazer seu percurso, no aqui e agora. Com espontaneidade e criatividade ir se resignificando pela vida a fora, aprendendo pela experiência a pensar.Pensar é transgredir, e pensar dói!! 

( Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicoterapeuta). Abraços 


23 de junho de 2021

Da Culpa em excesso

             Félix Elvas Pequeno

    Quem nunca se sentiu culpado por alguma coisa que fez, ou deixou de fazer? Pode ser por coisas consideradas “simples”, como devorar um pote de sorvete em plena dieta, ou deixar de estudar para curtir com amigos, aplicar pequenas mentiras para se sair de alguma situação, ou de forma mais profunda, como sentimento de culpa em um processo de luto por ter feito, ou não, algo. 

    A psicanálise explica a culpa como um sentimento emocional que está intimamente relacionado ao remorso e ocorre quando uma pessoa acredita, ou percebe que comprometeu seus próprios padrões de conduta, ou violou os padrões morais universais, e tem responsabilidade significativa por essa violação. É um sentimento que todo mundo já experimentou em algum momento na vida, de diferentes formas. "Porém, quando a culpa é excessiva pode desencadear pensamentos catastróficos e paralisar a vida da pessoa.”  (W.Bion). 

    De forma exagerada o sentimento de culpa pode levar a sérios prejuízos físicos, emocionais e de relacionamentos. Ninguém nasce com sentimento de culpa. Ele é construído socialmente, e surge da relação com outras pessoas e seres vivos, e está ligado ao desejo de ser perfeito.  Nós fomos ensinados a sentir culpa vergonha quando cometemos um erro. Esse ensinamento começa desde que somos crianças e nos acompanha por toda a vida... A culpa é um sentimento importante, porque nos permite fazer reparações, crescer e avançar nessa existência...

(Postado por Félix Elvas Pequeno-Psicólogo e Psicanalista). Abraços através dos bons ventos...


4 de junho de 2021

Todo mundo precisa fazer Psicoterapia?

               Félix Elvas Pequeno

        "Todo mundo precisa de Psicoterapia? Será? Como sei se eu devo ir ao psicólogo?  Você provavelmente já ouviu alguém dizer que faz Psicoterapia para lidar com quem precisa de terapia e não faz. Ou que o planeta seria um lugar mais feliz se "todo mundo" fosse para o divã. Mas, afinal, será que todas as pessoas precisam mesmo fazer terapia? E como é que sabemos quando (e se) necessitamos procurar um psicólogo?  Nem todo mundo precisa fazer terapia! Quem precisa então? Não existe um perfil de quem deve ir ou de quem vai se adaptar melhor ao processo de terapia.  No entanto, o mais comum são pessoas em intenso sofrimento emocional, que buscam o psicólogo para entender melhor o que está acontecendo e como lidar com isso.  

          Mas é importante saber que a Psicoterapia não precisa ser um processo apenas para quem está com um problema de saúde mental e pode beneficiar qualquer pessoa. Consultas com um psicólogo podem ser úteis para aprender novas habilidades para se comunicar melhor, superar a timidez, aprender a gerenciar o estresse ou a lidar melhor com situações pontuais, como o luto ou um divórcio. É muito comum a ideia de que terapia é só para gente louca, mas isso não é verdade!!. A Psicoterapia nos ajuda a entender melhor nossas emoções e a melhorar nosso relacionamento com  os outros. 

           A maioria das pessoas que busca Psicoterapia, de fato, faz isso por estar sofrendo de dores emocionais. Mas ainda existe uma resistência muito grande da sociedade em aceitar que esse sofrimento pode ser trabalhado e amenizado na Psicoterapia. Por isso, é comum ouvir que ir para o psicólogo é bobagem e que é possível resolver as questões sozinho. Isso nem sempre é verdade. O sofrimento psíquico faz parte da vida de todos, assim como a alegria, a felicidade. Ele nos ajuda a amadurecer, mas, quando passa a ser incapacitante, prejudicando outros aspectos da vida da pessoa e tornando a realidade dela adoecida, é hora de buscar ajuda. 

           Alguns sinais podem ser importante colocar, como:  dificuldade em se relacionar com outras pessoas; Baixo rendimento no trabalho; Procrastinação; Oscilações de humor importantes; Irritação ou angústia que não passam. Quando o auxílio para tratar questão emocionais demora a vir, o corpo também pode dar sinais de que precisa de ajuda: é comum pessoas que estejam em sofrimento emocional sentirem dores de cabeça e no corpo, fadiga e dificuldade de concentração, terem episódios de gastrite e ainda apresentarem uma queda imunológica. E, mesmo que o sofrimento não seja intenso, apenas a inquietação ou a incapacidade de lidar com algumas questões da vida —como uma fase de mudanças— já podem ser suficientes para uma ida ao consultório do psicólogo. 

            E se não funcionar para mim? Uma outra questão muito comum em quem inicia a psicoterapia é dizer, após poucas sessões, que aquilo não funciona para ela. Isso pode esconder um desconforto natural frente à situação —afinal, a Psicoterapia é um espaço de escuta e validação de sentimentos, mas que também exige uma mudança de comportamento, o que nem sempre é confortável. A Psicoterapia é importante para acolher aquelas emoções, ajudar a pessoa a entender o porque de estar sentindo aquilo e legitimar esses sentimentos.  Mas, em algum momento, ela vai tentar esclarecer a responsabilidade da pessoa por aquele mal-estar, buscar uma mudança, e isso às vezes é um processo longo e difícil para o paciente.  

             E por que falar com um psicólogo e não um amigo ou familiar? Bom, para começar, as pessoas próximas a nós nem sempre têm a liberdade de dizer o que pensam ou podem estar muito envolvidas na situação, o que as impede de enxergar as coisas com clareza. Mais que isso: nós podemos nos sentir desconfortáveis em abrir determinados sentimentos para certas pessoas, com receio do que isso pode causar à relação que construímos com elas. A Psicoterapia é um espaço de escuta. Optar por fazer Psicoterapia nem sempre é um processo fácil e muitas pessoas levam tempo até aceitarem que essa ajuda é benéfica. Isso pode, inclusive, se materializar na rejeição pelo profissional. 

               É comum pessoas que trocam de psicólogo várias vezes ao se depararem com questões com as quais não gostariam de lidar, ou que abandonam o tratamento após poucas sessões por acharem que "o santo não bateu". De fato, a afinidade e a confiança no profissional são fundamentais para o sucesso da terapia. Mas é importante tentar persistir por algumas sessões e entender se uma eventual resistência está presente. A psicoterapia tem momentos de acolhimento e de desconforto. Ao passar pelo processo psicoterápico, a pessoa vai conseguir amadurecer e ressignificar a própria história, abrindo possibilidades para lidar com o que sente.” 

(Postado por Félix Elvas Pequeno- Psicólogo e Psicoterapeuta.)


14 de abril de 2021

Sobre o insight

        

         Félix Elvas Pequeno

         Para a Psicanálise, quando você tem um insighit (compreensão interna) que sofre de uma experiência de culpa insuportável provocada por seu superego severo, a maneira como você pode reverter essa experiência de culpa, é indo para frente e não ficando parado nela, se impondo as punições que o superego grita dentro de sua cabeça, como algo assim: Se puna! Se agrida! Se penitencie! Então, você consegue atravessar esse sofrimento psíquico dizendo para si mesmo: " chega de me sentir culpa(o), agora quero fazer a reparação dos danos que causei a mim mesmo ou aos outros"! 

        Com a reparação, você pode fazer uma renovação dos seus pensamentos, de suas crenças, dos seus valores, entre outros... Se você não atravessar esse sofrimento psíquico, seu superego severo continuará lhe impondo punições... 

( Texto Inspirado no vídeo do Psicólogo e Psicanalista C. Dunker feito por Félix Pequeno Psicólogo e Psicanalista). Abraços através dos bons ventos...

9 de abril de 2021

Resumo da biografia de Sigmund Fredud

            Félix Elvas Pequeno


 Nascido no dia 6 de maio de 1856, na cidade de Pribor, que na época era parte do Império austro-húngaro (hoje, na República Tcheca), Sigmund Schlomo Freud era filho de comerciantes judeus. Seus pais, Amalie Nathanson e Jacob Freud se mudaram para Viena quando Sigmund tinha apenas um ano.

Na capital, ingressou no curso de Medicina em 1873, na Universidade de Viena. Optou inicialmente pelos estudos de Filosofia, mas, em 1882, formou-se como um especialista em Fisiologia Nervosa. Entretanto, essa aproximação com os estudos filosóficos acabou por influenciar muito em sua produção acadêmica, anos mais tarde.

O início na psicanálise

Desde muito cedo, Freud mostrou-se quase que obcecado pelas questões acerca da sexualidade. Seu primeiro estudo publicado, por exemplo, é sobre os órgãos sexuais de enguias, feito no Laboratório de Zoologia Marinha de Trieste, de 1876. Essa aproximação com as questões sexuais marcou boa parte de seus estudos posteriores em psicanálise.

Ainda no Laboratório de Zoologia Marinha, Freud foi encarregado de estudar a anatomia e a histologia do cérebro humano. Durante seus estudos, percebeu vários elementos comuns entre a organização fisiológica do cérebro humano e a dos répteis. Assim, recorrendo às teorias Darwinianas, Freud começou a esboçar o seu questionamento da supremacia do homem sobre o reino animal.

Apaixonou-se por Martha Bernays e, ao desejar o casamento, precisou abandonar o Laboratório por falta de recursos financeiros. Então, passou a trabalhar como médico no Hospital Geral de Viena. Em 1886, casou-se com Martha, com a qual teve seis filhos: Anna, Ernst, Jean-Martin, Mathilde, Olivier e Sophie.

No Hospital, conheceu Josef Breuer, um médico especialista em doenças nervosas, que lhe apresentou a história de uma de suas pacientes, Bertha Pappenheim, considerada depressiva e hipocondríaca. Esses distúrbios, na época, eram chamados apenas de “histeria”.

Breuer contou a Freud que Bertha revelou a ele, sob o efeito da hipnose, algumas lembranças de sua infância, levando a melhorias emocionais após o transe. Isso fez com que as pesquisas de Freud se intensificassem, embora mais tarde tenham sido abandonadas, ao descobrir o método de livre associação.

Após algumas tentativas trabalhando com a cocaína como uma forma de terapia, viajou para Paris, onde aperfeiçoou seus conhecimentos. Lá, estudou com Jean Charcot, um médico que dedicava seus esforços no estudo da hipnose como tratamento da histeria. Voltou para Viena para aplicar seus conhecimentos em pacientes com esse tipo de quadro.

Os sonhos

Marginalizado pelos colegas por conta de suas teorias e técnicas, mal vistas para a época, Freud passou a pesquisar sobre o efeito dos sonhos na mente das pessoas. Focado em sua própria história, criou o conceito de Complexo de Édipo para explicar quadros de agressividade de filhos contra os pais, por serem apaixonados pelas mães.

Se suas ideias não fizeram muito sucesso de imediato, ao mesmo tempo vários médicos se tornaram discípulos de Freud, como Carl Jung. Ainda assim, Jung rompe com seu mestre anos mais tarde.

Ao longo dos anos, publicou várias obras diferentes, sendo que em 1908, junto de seus seguidores Karl Abraham, Sandor Ferenczi e Ernest Jones, fundou a Sociedade Psicanalítica de Viena.

Últimos anos

No ano de 1938, já sob o governo nazista de Hitler, Freud fugiu para Londres, contando com o auxílio da princesa Maria Bonaparte, para escapar da perseguição antissemita dos nazistas. Quatro irmãs de Freud morreram em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Sigmund Freud morreu no dia 23 de setembro de 1939, ainda em Londres, por conta de um câncer na mandíbula. Tendo sido submetido a dezenas de cirurgias tentando se livrar da doença, alguns estudiosos afirmam que ele, na verdade, faleceu por overdose de morfina ao tentar aplacar suas diversas e constantes dores.

Teorias de Freud

Sem dúvidas, a vasta obra de Sigmund Freud é impossível de ser resumida em poucas palavras. São dezenas de teorias e técnicas que são estudadas até os dias de hoje. A seguir, os principais pontos de algumas das mais importantes teorias de Freud.

Psicanálise: Freud

Até os anos finais do século XIX, doenças mentais eram tratadas como exclusivamente transtornos físicos. Alguns médicos, como Charchot, que trabalhou junto de Freud, utilizavam a hipnose para curar seus pacientes.

Entretanto, insatisfeito com o método, Freud criou a Psicanálise, utilizando o método da livre associação. Para ele, desequilíbrios psíquicos eram consequências de sentimentos reprimidos.

Assim, de forma consciente, o paciente deveria conseguir externar suas angústias e medos, sendo que tudo isso deveria ser mediado por meio de um diálogo entre o paciente e o psicanalista.

Freud estudou também, de maneira paralela à psicanálise, várias áreas da neurologia e da psicologia, sendo considerado um dos primeiros pesquisadores a propor o uso da cocaína tanto como analgésico quanto como estimulante para diversos quadros de problemas mentais.

Freud e o inconsciente

Segundo propôs Freud, a psicanálise consiste em permitir ao paciente que fale sobre seus sintomas, fazendo com que ele mesmo descubra sua cura. Afirma assim que, além da consciência, todos possuem um lado inconsciente, onde estão nossos maiores desejos secretos, que não podemos obter.

Dessa forma, acessar o inconsciente seria a chave para conseguir resolver transtornos de ordem mental. A partir disso, Freud buscou explicar as formas como o inconsciente opera, por meio de uma estrutura bastante particular.

Primeiramente, utiliza a imagem do iceberg como metáfora. Assim, o consciente seria a parte emersa e o inconsciente corresponderia à maior parte do iceberg, submersa. Essa linha de estudo se aplicou no começo, quando Freud tentava curar os sintomas de histeria. Entretanto, quando passou a estudar o processo de repressão em si, adotou três conceitos distintos: id, ego e superego.

O id representaria os processos primitivos de nossos pensamentos, constituindo o reservatório das pulsões. Assim, toda a energia envolvida nas atividades humanas viria do id. Em um primeiro momento, considerou que todas as pulsões seriam de origem sexual ou de autopreservação.

Já num segundo momento, passou a considerar o conceito de pulsões de morte, atuando no sentido contrário daquelas de agregação e preservação da própria vida. O id seria, então, responsável pelas demandas mais perversas e primitivas de um indivíduo.

Por outro lado, o superego seria a parte do inconsciente que contrapõe o id, representando pensamentos morais e éticos que estariam internos ao próprio indivíduo.

No meio do caminho, encontra-se o ego, que alterna entre as necessidades primitivas e as crenças éticas do ser humano. É aqui que se insere a consciência. Uma pessoa mentalmente saudável teria a habilidade de se adaptar à realidade, interagindo com o mundo à sua volta de maneira cômoda tanto para o id quanto para o superego.

Interpretação dos sonhos: Freud

Em 1900, Freud lançou seu primeiro livro, “A Interpretação dos Sonhos”. Apresenta um método de relato e de se interpretar sonhos como a forma mais eficiente de se acessar o inconsciente de um indivíduo. Explica por que motivo os sonhos ocorrem, como funcionam e qual a relação deles com os lados mais sombrios do ser humano.

Para Freud, os sonhos de alguém podem ter relação com desejos reprimidos pela moral consciente. Como são desejos primitivos, os sonhos seriam a maneira que o inconsciente encontra para realizar tais desejos de maneira simbólica, numa tentativa de compensação à repressão moral.

Os sonhos poderiam, também, ser um apanhado de memórias de algo que aconteceu em um passado próximo. Assim, em vez de a mente de alguém reproduzir fielmente memórias recentes, faria uma mistura delas nos sonhos. Por isso, mesmo que a pessoa não se lembre, cada aspecto de um sonho pode representar um pedaço de alguma experiência dos últimos dias.

Freud e a infância

A infância é um período da vida de um indivíduo que tinha significativa importância para Sigmund Freud. Ele dizia que as experiências negativas que alguém vive nesta época da vida podem se tornar verdadeiros traumas na vida adulta.

Por conta disso, Freud estudou como a forma que as pessoas lidam com a energia sexual e a libido durante os anos de infância poderiam causar marcas futuras na vida adulta. Para ele, uma criança passa por três fases de descoberta, sendo elas:

Oral: quando o prazer chega pela boca, por meio da sucção;

Anal: quando a criança aprende a controlar os esfíncteres, sentindo satisfação;

Fálica: quando a criança descobre que, ao tocar seus órgãos genitais, consegue sentir prazer. 

Freud: livros

Freud escreveu vários livros ao longo de sua carreira. Muitos deles se tornaram clássicos da psicanálise, como não poderia deixar de ser. Além dos livros, foi o autor de diversos artigos científicos e ensaios sobre o tema. Abaixo, sua lista de obras publicadas, em ordem cronológica:

Estudo sobre Histeria (1895)

A interpretação dos sonhos (1899)

Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905)

Totem e Tabu (1913)

O Inconsciente (1915)

Introdução à Psicanálise (1917)

Psicologia das Massas e Análise do Ego (1923)

Psicanálise e Teoria da Libido (1923)

O Ego e o Id (1923)

Neurose e Psicose (1924)

O Futuro de uma ilusão (1927)

Freud: frases

Inúmeras são as frases atribuídas a Sigmund Freud. Várias delas ajudam a explicar, de forma resumida, sua obra e seus trabalhos. Veja a seguir algumas delas:


“Antes de diagnosticar a si mesmo com depressão ou baixa autoestima, primeiro tenha certeza de que você não está, de fato, cercado por idiotas.”

“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.”

“O pensamento é o ensaio da ação.”

“Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.”

“Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos.”

“Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.”

“Fui um homem afortunado; na vida nada me foi fácil.”

“Olhe para dentro, para as suas profundezas, aprenda primeiro a se conhecer.”

“Só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano.”

“O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver.”

“Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste.”

“Nunca tenha certeza de nada, porque a sabedoria começa com a dúvida.”

“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.”

“Existem duas maneiras de ser feliz nesta vida, uma é fazer-se de idiota e a outra sê-lo.”

“Ser inteiramente honesto consigo mesmo é um bom exercício.”

Curiosidades sobre Freud

A seguir, algumas curiosidades sobre a vida e a obra de Sigmund Freud. Confira:


Sua filha caçula, Anna Freud (nascida em 1895 e falecida em 1982) seguiu a carreira do pai, se tornando uma psicanalista de muito destaque.

O quarto filho de Freud, Ernst Ludwig Freud (1892 – 1970) tornou-se um arquiteto com trabalhos muito importantes, principalmente nas escolas Moderna e de Art Déco.

Lucian Freud, filho de Ernst e neto de Sigmund, se tornou um dos pintores mais renomados do século XX.

Em Londres, onde Freud faleceu, está situado o “Freud Museum”, dedicado à vida e à obra do psicanalista.

Freud influenciou algumas correntes artísticas, principalmente o Surrealismo.

Freud está tão presente na cultura pop até os dias de hoje que as expressões “Freud explica” e “nem Freud explica” existem em diversos idiomas.

Freud deixou um grande legado para a humanidade, que passou a procurar entender melhor como nossa mente funciona e quais são as influências do inconsciente na nossa vida. Pai da psicanálise, continua como uma referência para profissionais da área e admiradores de sua obra.



25 de janeiro de 2021

A verdade mora nas entrelinhas


          Félix Elvas Pequeno

             Aprendemos muito cedo a instalar e usar filtros morais e sociais que nos concedem a cobiçada aceitação e, quando damos um pouco mais de sorte, admiração, amor. Mas... o que fazemos com as aparas de nossas opiniões e sentimentos? Nós as maquiamos e remodelamos a fim de que caibam nas entrelinhas da vida. Qualquer relação emocional tem seu funcionamento baseado em contratos e acordos, quer sejam eles explícitos ou implícitos. Acontece que a maioria desses acordos e contratos são idealizados apenas dentro da nossa cabeça. Em geral, queremos a companhia, acolhimento e a devoção do outro e estabelecemos um formato para que a convivência se encaixe perfeitamente em nossas expectativas. 

           Inconscientemente acenamos com promessas de afeto e completude, porque cremos que se o outro acreditar que encontrará em nós seus desejos, também se disporá a realizar os nossos desejos. Trocamos nossa individualidade por companhia casual. Investimos em relacionamentos supostamente estáveis, sonhando permanecermos livres. E, assim que percebemos que ninguém é capaz de adivinhar nossos desejos, ficamos magoados, tristes, rancorosos. E, culpamos o outro pela nossa infelicidade. O que queremos afinal? Será que alguns de nós sabe essa resposta? Pra sermos sinceros, poderíamos começar revelando nossas sombras, nossas verdadeiras intenções. 

               Por alguns dias isso bastaria para atrairmos à nossa mesa, jogadores cujas cartas fossem suficientes para aturar nossos blefes. Jogo legalizado, limpo, honesto. Depois de alguns dias, pode ser que resolvêssemos trocar as cartas, mudar o jogo, trocar as regras. Mas, a essa altura, nosso parceiro de mesa já estaria mais familiarizado com a nossa loucura; caberia a ele continuar no jogo ou se levantar e partir para outra. Nossa natureza é narcisista, nossos planos não incluem o sucesso alheio, nossas projeções revelam nosso caráter individualista. 

                Queremos sempre o que ainda não temos. Até pode ser que exista uma esperança para o nosso futuro. Mas, antes de embarcarmos na próxima fantasia, quem sabe não arranjemos coragem para tirarmos nossa máscara e mostrar nossa verdadeira cara. Quem sabe não sejamos capazes de abrir mão do conforto da aceitação e revelemos na íntegra quem somos nas entrelinhas. Se alguém se arriscar a se aventurar conosco, será porque terá visto em nós algo que vale a pena, ainda que não seja perfeito ou ideal. Aquele que olhar para nossa real essência e, ainda assim, for capaz de nos desejar, será digno de nós. Digno de visitar nossa confusão, de ser bem-vindo à nossa solidão, mergulhar conosco e encontrar a nossa verdade. 

(Síntese feita por Félix  Elvas  Pequeno do texto  do texto de Ana Macarini)