30 de junho de 2020

Sobre ser amigo de si mesmo

         Félix Elvas Pequeno      

           Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições da mente. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam. 
          Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. “Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza”. É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades. Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. 
           Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto “ser amigo de si mesmo”. 
            Por fim, pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”. Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância. Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um psicoterapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu o filósofo Sêneca cerca de 2.000 anos atrás: “Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo" 



7 de junho de 2020

Sobre pensamentos catastróficos

        Félix Elvas Pequeo
        
            A catastrofização mental, é quando você aumenta a intensidade de certos fatos, por exemplo, transformando uma dor de cabeça em futuro tumor no cérebro, uma rinite alérgica num Coronavírus, um filho não lhe ama mais porque esqueceu de passar um WhatsApp no final de semana, etc. Os pensamentos catastróficos pode provocar medos, ansiedade incontrolável, isolamento, fracasso, desilusão, etc. Inconscientemente, a catastrofização mental ocorrem naquelas pessoas que estão com fortes sentimentos de auto-perseguição, de culpa e de idéias de ruínas. 
             Tais pessoas sofrem com histórias que nunca se realizam. Penso que pessoas invadidas por pensamentos catastróficos, devem procurar ajuda fazendo Psicoterapia. " Pensar bem é uma excelente forma de estar bem".( W. Bion)

2 de junho de 2020

Sobre a normopatia

     Félix Elvas Pequeno

             A normopatia é um termo que demonstra que não há nada mais anormal do que uma obsessão por ser normal, por ser exatamente como os demais.
            Não somos moldes. Não somos obrigados a ser como os demais, a nos misturarmos na multidão como um torrão de açúcar se dissolve em uma xícara de café. Nossa individualidade nos faz únicos e valiosos. No entanto, nos dias de hoje estamos sendo muitas vezes testemunhas – ou até mesmo vítimas – de uma normopatia muito marcada. Ou seja, uma necessidade quase obsessiva de ser como o resto, fazendo com que frequentemente nos tornemos objetos dentro de uma sociedade claramente material.
            Poderíamos dizer que esse fenômeno não é novo. E claramente não é. No entanto, escritores e psicanalistas, entre eles Christopher Bollas, afirmam que o impacto da tecnologia está mudando o nosso pensamento, e inclusive a nossa personalidade. O que vemos na tela do nosso celular ou de um computador, por exemplo, tem um impacto imenso e avassalador em quem somos. Em seu último trabalho, Bollas, uma referência dentro da teoria psicanalítica moderna, busca nos advertir de um aspecto muito específico. 
            Ao nosso redor habitam um grande número de normopatas. São pessoas que não aprofundaram em nada a sua própria identidade, que não trabalharam nem um pouco em direção ao autoconhecimento e que vivem somente com um objetivo: conseguir validação social. Essa meta envolve também deixar de lado a própria individualidade e tentar se encaixar, à força, no que os outros entendem como normal. Ou seja, ocorre a tentativa de imitar quase obsessivamente o que as outras pessoas fazem, dizem ou pensam dentro dos seus grupos e das redes sociais, do whatsapp ou de um círculo determinado, frequentemente fechado, de amigos ou de uma comunidade. Se fazem isso, essas pessoas obtêm um pouco de equilíbrio e tranquilidade psicológica. 
              Sair da norma, não poder se encaixar nesse molde inventado e impossível, traz para quem sofre de normopatia inevitavelmente um grande sofrimento. Além disso, em todo normopata habita também um sentimento perpétuo de melancolia, de vazio existencial. É a marca evidente de uma mente que não se atreveu a cortar o cordão umbilical, que não conseguiu desenvolver sua valiosa personalidade de maneira individual.

"A normopatia é o impulso anormal por uma suposta normalidade.”-Christopher Bollas-

Resumo feito por Félix Elvas Pequeno Psicologo e Psicanalista
www.felixpequeno.com.br

Da Psicanálise

          
          Félix Elvas Pequeno

          O humano está mais aberto a se autoconhecer e enfrentar seus sofrimentos psíquicos: "as pessoas fazem análise e não acham que estão loucas por causa disso." A Psicanálise dá espaço para que os pacientes possam falar. Quando chega um paciente na análise, normalmente é alguém que já está desconfiado que os seus sofrimentos, também, tem a ver com ele mesmo. A Psicanálise é uma lupa, é como um microscópio da mente humana.

11 de abril de 2020

Da Psicoterapia Online

             Félix Elvas pequeno

        Você que busca as causas do seus sofrimentos psíquicos nos outros ou na Sociedade, já conseguiu trabalhar sua mente sozinho? Se não conseguiu, busque ajuda para o trabalho mental nos Psicologos de orientação Psicanalitica ou nos Psicanalistas, com formação séria, que irão ajudá-lo a virar os seus olhos para dentro de si e mergulhar dentro no seu inconsciente, investigando as causas dos seus sofrimentos psíquicos.
        Há um mar de outras terapias que somente tentam lidar com os sintomas e não investigam as causa dos seus sofrimentos psíquicos. Porem, cada um escolhe a terapia que merece, não é?
No momento, estou atendendo via online pelo Whatsapp ( 19- 997332510) até o final da quarentena. ( Félix Pequeno é Psicólogo e Psicanalista).

Fiquem em casa, nada é para sempre e tudo passa! A vida não para...

7 de março de 2020

Sobre Ressignificar-se

   Félix Elvas Pequeno

         Ressgnificar-se é lançar um novo olhar, mantendo a nossa singularidade, sobre situações já conhecidas e mudar o percurso dos acontecimentos. Ressignificar-se é ir se reinventando e através da nossa criatividade, fazer belas transformações no nosso jeito de pensar e dar um novo sentido a vida. Se não nos ressignficarmos, permaneceremos numa vida repetitiva e tediosa.
Pensar e mudar dói! Ressignificar é abrir os olhos da alma para as mudanças que se aparentam na vida. Ressignificar é entender que novo sempre chega e não pede licença!
          A psicanálise pode ser uma importante aliada para a ressignificação e aumento da capacidade para encontrar novos percursos, tendo em vista que ela possibilita o autoconhecimento necessário neste processo.
(Félix Elvas Pequeno e psicólogo e Psicanalista). Abraços...

www.felixpequeno.com.br

22 de fevereiro de 2020

Sobre cursos de Psicanálise

          Félix Elvas Pequeno

          Ultimamente há um mar de cursos de Psicanálise em cada esquina, existem até cursos online. Não caia nessa!! Para ser Psicanalista com uma formação sólida, é fundamental ter feito o seguinte tripé:
          - Análise pessoal de muitos anos,com um analista didata.
          - Supervisão de casos clínicos por muitos anos, também com um analista didata.
          - Formação em Psicanálise de pelo menos 4 anos, em um curso de Psicanálise, onde seus professores e supervisores sejam psicanalistas reconhecidos nos círculos de Psicanálise.
            Há cursos de psicanálise filiados a IPA ou independentes dela, como o Instituto Sedes Sapientiae, Cpcamp (fundado pelos Psicanalistas da SBPSP e do Sedes Sapientiai), entre outros de renome nacional ou internacional. W. Bion falava que " muitas vezes chamamos de análise coisas que não são". Como escrevi acima, há um mar de cursos de psicanalise duvidosos, mas quem desejar mergulhar neles é uma escolha pessoal!

( Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços...

16 de fevereiro de 2020

Onde fica o Inconsciente?

      Félix Elvas Pequeno

Onde fica o inconsciente? O inconsciente não fica nem no cérebro, nem em nenhum lugar escondido da mente, nem é metafísico! O lugar do inconsciente é na linguagem, quando estamos falando o inconsciente está acontecendo nos atos falhos (lapsos de linguagem, de memória, nas piadas sarcásticas, nos chistes, quando estamos brincando), quando contamos nossos sonhos.

(Félix Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços...
www.felixpequeno.com.br

3 de fevereiro de 2020

Sobre a psicoterapia de base psicanalítica

     Félix Elvas Pequeno

          A psicoterapia tem hoje, seu uso difundido e conta com várias linhas de abordagens diferentes. As mais difundidas são as de base psicanalítica, que surgiram com trabalhos de Sigmund Freud na virada do século XIX para século XX, com vários seguidores como Melaine Klein, Bion, Lacan entre outras. A Psicoterapia Breve de base psicanalítica, através de métodos e técnicas psicanalíticas, visa atingir os problemas emocionais mais prementes que possam ser solucionados em curto prazo. Sua eficácia depende, sobretudo, da motivação do paciente e sua disposição em mudar seu mundo mental. Esta é a chave para se obter resultados positivos satisfatórios nesta abordagem.
           Apesar do termo “breve” remeter à ideia de tratamento de curta duração, esse tipo de psicoterapia possui outras características, entre elas, a do estabelecimento de um foco, ou seja, suas ações são voltadas para as queixas principais (motivos da procura), estando centrada na superação de sintomas e vivências atuais e para a solução de conflitos que se configuram como prioridades para o paciente. Outra característica é que por conta da emergência/urgência e/ou importância do problema focal há maior atividade do psicoterapeuta (intervenção mais ativa) exigindo dele a capacidade de associar o rigor da técnica ao referencial teórico.
           Trata-se de técnica, com características próprias e não simplesmente encurtamento do processo psicoterápico. Envolve o uso de técnicas focais, exigindo formação, experiência e competência por parte do psicoterapeuta. O paciente revive situações traumáticas do passado, sentimentos reprimidos, conflitos, impasses e situações inacabadas agora experimentados na relação transferencial com o psicoterapeuta, num contexto de segurança, aceitação e ausência de censura. A partir desta interação o paciente pode chegar à reformulação, reparação ou superação de seus conflitos.
            Cabe ao psicoterapeuta o acompanhamento e avaliação da evolução do processo e, em caso de necessidade de aprofundamento, por opção do paciente em dar continuidade ao processo de autoconhecimento, podemos partir para investigar as a causas dos seus sintomas, agora, com a Psicanálise.

26 de janeiro de 2020

Os feitos da cocaína no cérebro


           Félix Elvas Pequeno

      A cocaína é uma das drogas mais consumidas e viciantes que existem. Longe da sensação de euforia e bem-estar que produz, tem também uma grande quantidade de efeitos nocivos para o cérebro. Trata-se de uma das drogas mais consumidas no mundo, e desde os anos 1980 ela vem causando um verdadeiro problema sanitário na área da toxicodependência.
      Essa substância, sintetizada a partir da planta da folha de coca, provoca uma sensação de euforia, energia e alerta mental em quem a consome. Também influencia reduzindo o apetite, assim como a necessidade de dormir. Além desses efeitos de curto prazo, o consumo de cocaína tem fortes consequências a longo prazo, como alterações emocionais ou comportamentais.
      Em geral, as pessoas que consomem cocaína apresentam um pior rendimento em provas de avaliação neuropsicológica. Esses efeitos foram observados, principalmente, em aspectos como atenção, memória, inibição de resposta e funções executivas. De forma mais específica, a cocaína afeta processos de atenção seletiva e contínua, memória de trabalho, memória visual e capacidade de aprendizagem.
      De fato, esses efeitos se tornam mais evidentes em períodos de abstinência. Em relação às funções executivas, os consumidores de cocaína apresentam mais falhas quando se trata de inibir respostas, mais impulsividade, e são menos hábeis na hora de tomar decisões. Além disso, verificou-se uma menor flexibilidade diante da mudança, pior capacidade para processar erros e lidar com as contingências. Em resumo, o consumo de cocaína, possivelmente uma das drogas mais viciantes, afeta o cérebro em muitos níveis. Além dos efeitos aqui descritos, também há uma grande quantidade de consequências emocionais, comportamentais e sociais que impactam a qualidade de vida da pessoa, além de destruir os neurônios do cérebro. ( Síntese feita por Félix Elvas Pequeno de pesquisas em literatura científica  sobre drogas). Abraços...

5 de janeiro de 2020

A cada momento, a cada instante...


         Félix Elvas Pequeno

      Guimarães Rosa escreveu Grande Sertão: Veredas em 1956. A obra, uma das mais importantes da literatura brasileira, é elogiada pela linguagem e pela originalidade de estilo presentes no relato de Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas lutas, seus medos e o amor reprimido por Diadorim. Num determinado momento Riboaldo fala: “Cada hora, de cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo.” 
      Interessante, por que ainda hoje ocorre algo semelhante: a cada momento, a cada instante, a cada notícia, nós temos um novo medo. Então, a angústia humana ela aumenta todo dia, toda hora, porque sempre tem uma ameaça, sempre tem um medo, sempre tem uma história que nos confunde...