17 de fevereiro de 2019

Sobre o tratamento de drogas

              Félix Elvas Pequeno

"A cura de qualquer vício, simplesmente pelo imperativo da abstinência não funciona"( S Freud)

                      Retirar a droga do usuário abruptamente não cura o vicio. Cada usuário de droga é um, e cada um se vícia por razões singulares e temos que analisar tais razões. A drogadicção não é uma doença, mas sim um dos  sintomas de sofrimentos psíquicos, que cada pessoa encontra para aplacar suas angustias, ansiedades, para suportar perdas, para uma dor de viver, para sua dificuldade de conviver socialmente com os outros, etc. Outros usuários, podem estar usando drogas para testar, sua onipotência imaginária, pois inconscientemente, se acha invulnerável, ''nada vai me atingir, nada me destrói", que pode estar levando-o à um "namoro" com a morte. Poderia citar muitas outra razões para as pessoas usarem drogas.
                        Percebem, como cada dependente de drogas tem problemas emocionais e existenciais diferentes? Interna-los em Comunidades Terapêuticas em Clínicas e/ou Hospitais Psiquiátricos e tratá-los com reuniões de grupo, é como se todos fossem iguais! Alem de afasta-los da família. O tratamento precisa ser individual e em consultório.
                        Atendo pacientes que estão deixando de usar bebidas alcoólicas e/ou outras drogas, gradualmente, com ótimos resultados. É fundamental tratar a pessoa e não o drogado! Temos que trabalhar o inconsciente de cada drogado, por exemplo, um pode fantasiar que se acha tão maravilhoso, tão perfeito que não consegue conviver com a falta (Castração, termo psicanalítico), e então  há uma tendência do sujeito à não aceitar a incompletude, e à buscar, inconscientemente, o excesso (plena completude), outro por ter sido muito mimado quando criança e não suportar lidar com frustrações e perdas, entre outros.
                         A dependência  de drogas lícitas ou ilícitas, as vezes é um mecanismo de fuga da realidade do ser humano,e quem não foge de várias formas? Vou terminar com outra fase de Freud: “É impossível enfrentar a realidade o tempo todo, sem nenhum mecanismo de fuga!” (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!

5 de fevereiro de 2019

Sobre a contradição do humano

                  Félix Elvas Pequeno

             Freud disse algo assim: " Não existe uma outra razão no sensível, na intuição, na contradição". Quando um paciente dele relatou um fragmento de sonho, disse: "Dr. Freud eu sonhei que o dia estava chovendo com muito sol". E Freud respondeu: " Não, não se corrija, pois o inconsciente funciona pelo princípio da contradição".
                  Pois é, existe sempre a contradição que pode coexistir com a lógica, com a razão. Sim, existe a contradição e isso não é vulgar, não é errado! Portanto, a lógica não está em posição de entender o homem. O homem é contraditório por natureza. Ele não é uma máquina. O pensamento racional, lógico e matemático só podem compreender os objetos que estão livres de contradição. Mas, como o homem não é um objeto, a contradição é inerente a sua existência, portanto é ridículo compreender o homem como se ele fosse uma equação geométrica, uma fórmula matemática.
                 "O homem é uma estranha mistura de ser e não ser. O lugar dele é entre esses dois polos oposto"(Cassirrer). Sua lei primeira e suprema é a lei da contradição. A contradição é o próprio elemento da existência humana. O homem não é um ser simples e homogêneo! Há determinados comentários sobre como cada um deve ser, se comportar e agir – como se existisse um modelo universal e correto a ser seguido! Pense Nisso!