18 de janeiro de 2019

O cientista virou um mito.


Félix Elvas Pequeno

                      (...) e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.” Moto da comunidade científica, segundo mural do Massachusetts Institute of Technology.

"Para os meus filhos Sérgio e o Marcos. Que a ciência lhes seja alegre, como empinar papagaios.” (Rubem Alves).

                      O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o comportamento e inibe o pensamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em pensar de maneira correta (os cientistas), os outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer o que os cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma receita você faz perguntas? Informa-se como os medicamentos funcionam? Ele manda, a gente compra e toma. Não pensamos. Obedecemos. Não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos especializados e competentes em pensar. Pagamos para que ele pense por nós.
                       E depois ainda dizem por aí que vivemos em uma civilização científica... O que eu disse dos médicos você pode aplicar a tudo. Os economistas tomam decisões e temos de obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem ser as nossas cidades, e assim acontece. Afinal de contas, para que serve a nossa cabeça? Ainda podemos pensar? Adianta pensar? Antes de mais nada é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor do que as outras!

(Síntese feita por Félix Evas Pequeno-Psicólogo e Psicanalista, das páginas 11 e 12 do livro de Rubem Alves “Filosofia da Ciência”-introdução ao jogo e suas regras-editora brasiliense, 19ªedição.)

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