14 de agosto de 2019

Os diferentes transtornos de ansiedade


              Félix Elvas Pequeno

           A ansiedade patológica pode se manifestar de diversas formas. As mais comuns são: - Fobias: fazem parte do grande grupo dos transtornos ansiosos, mas tem a característica de que o indivíduo consegue localizar aquilo que gera o desconforto. Quem tem medo de ratos, se colocado em um ambiente cheio desses animais, poderá desencadear uma crise de pânico. Do mesmo modo que, se uma pessoa não gosta de falar em público, por não gostar de estar exposta a pessoas desconhecidas e ter medo da reação dessas pessoas, outros indivíduos podem ter muito medo de estarem sozinhos em lugares fechados ou em lugares onde a fuga é mais difícil, ter uma crise e não ter como ser ajudado (agorafobia), que geralmente acontece após a pessoa ter algumas crises de pânico.
        - Transtorno de pânico: é um quadro em que a pessoa é tomada por ataques de medo súbitos, em que começa a ter taquicardia, sudorese, ondas de frio e calor, sensação de falta de ar, de opressão ou aperto no peito, mal-estar gástrico, vômitos, diarreia, vertigens e tonturas. Pode ainda ter a sensação de morte ou tragédia iminente.
         - Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): é caracterizado por uma preocupação excessiva sobre situações rotineiras, mas, que a pessoa sempre antecipa com finais catastróficos. "A pessoa vai dormir com a sensação que algo vai dar muito errado. Muitas vezes, ele nem sabe o porquê mas ele tem essa sensação: preocupações realistas ou excessivas, mas, principalmente incontroláveis. O TAG é acompanhado de sensações físicas como tensão muscular e os mesmos sintomas do transtorno do pânico só que em ondas não em crises.
        Como a ansiedade é tratada? A orientação é procurar ajuda de um psicólogo para fazer psicoterapia.

25 de julho de 2019

Nesta vida não há garantias!

             Félix Elvas Pequeno

         Quem faz Psicanálise, desiste de achar que nesta vida há garantias! Outras terapias incentivam a ter garantias, sucesso, tranquilidade e pensamentos positivos, como nos livros de auto-ajuda! Há uma grande diferença entre a Psicanálise e o mar de terapias, e não-terapias, que promovem o “exercício da alegria” e que tentam condicionar os pacientes aos desejos dos outros e adaptam-nos a uma sociedade doente. Estas querem, na maioria das vezes, tirar a angústia das pessoas e acomodá-las em uma falsa harmonia.
          A Psicanálise não quer desangustiar ninguém. Ela entende que a angústia é fundamental para o ser humano. Se ela é causa de doenças, é também causa de criação. Portanto, “se nós desligarmos o “botãozinho” da angústia, nós vamos realmente chegar a uma sociedade onde seremos todos iguais, genéricos!”
         Penso que, ao fazer Psicanálise, cada um poderá ir construindo, no seu tempo, sua singularidade e fazendo seu percurso, através das angústias do nosso dia a dia, nesta vida de escolhas e sem garantias... A Psicanálise é um processo de transformação da angústia, vista como doença, em uma angústia como um trampolim para uma vida com menos sofrimentos... (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços...

"O imenso sentimento de angústia nasce com a possibilidade e com o livre-arbítrio de fazer algo, surge quando a vida sempre nos coloca diante de escolhas" (Kierkegaard, 1813-1855- Fílósofo Existencialista)

16 de julho de 2019

Ser diferente é normal

          Félix Elvas Pequeno

              Atualmente vivemos como autômatos, parecemos ter perdido a espontaneidade, a capacidade de sentir e se expressar direta e criativamente. Nossa existência é programada pelo grande computador que é o nosso sistema sociocultural e, assim sendo, desistimos da liberdade de pensar por nós mesmos e deixamos de fazer nossas próprias escolhas. Estamos perdendo a nossa singularidade, matando os nossos desejos e realizando os desejos dos outros. Não podemos falhar, pois nos é exigida a perfeição e nossas dificuldades são classificadas como defeitos.
              Vivemos uma ilusão de querermos ir alem das nossas limitações e das nossas possibilidades, sendo incentivados à buscar sempre o excesso. É nesse sistema alienante e perverso, onde somos estimulados a sermos sempre iguais, alegres e maníacos e, se apresentarmos atitudes fora dos comportamentos "normais" somos vistos como inadequados e inadaptados e, então, ficamos estranhos à maioria; viramos o diferente.
          Basta de tolice! Assuma seu direito de ser diferente sem culpa, de não caminhar com o rebanho, de viver da forma que escolheu conscientemente, sem seguir convenções, sem fazer o que esperam os outros. Seja realmente livre e feliz do seu jeito. Vá em frente, pois ser diferente é normal. Deseje ser amada(o) por ser como é!(Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços.

14 de julho de 2019

A depressão, também é um sintoma de uma sociedade perversa

Félix Elvas Pequeno

        A moral social contemporânea no dia a dia, perversamente, cobra das pessoas a alegria, a euforia e a felicidade constante, como? Nas capas de revistas; nas redes sociais; na mídia; no sucesso profissional; num corpo perfeito; na viagem a um lugar paradisíaco; na casa dos sonhos; no status; na riqueza, entre outras... Tais experiências são “vendidas” como verdadeiros caminhos para a felicidade, algo que só dependeria de você. Mas esse tipo de discurso acaba sendo uma grande armadilha: “Se ser feliz só depende de mim, e eu não sou, logo eu falhei.” E muitas pessoas não conseguem, se deprimem.
    Há uma dívida generalizada, das pessoas contemporâneas, de estar em sintonia com essa euforia, que lhe é exigida por essa sociedade perversa! Então elas, quando sofrem, não apenas daquilo que a fazem sofrer- uma perda amorosa, uma morte na família, o desemprego, entre outros sofrimentos psíquicos; mas ainda mais, de culpa por não conseguirem a felicidade constante que essa sociedade lhe cobra! 
      Deprimidas, as pessoas vão há um médico (psiquiatra ou não), que prescreve remédios antidepressivos que ajudam, mas atuam nos sintomas e não nas causas. Que “remédios” devem ser prescritos para as causas de uma sociedade doente? Construir sua singularidade, se reiventar e não aceitar as cobranças de alegria, de euforia e de felicidade constante, que são feitas por essa sociedade perversa, doente... (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços!


Sobre a hospitalidade do outro

          Félix Elvas Pequeno 

        Geralmente a convivência com o outro, passa por um referencial de egoísmo. Penso que podemos aprender a receber o outro na nossa “casa mental”. Saber acolher o outro dentro dela, mesmo que ele seja completamente diferente de nós, mas que possamos encontrar, nessa diferença, uma marca de humanidade para acolhe-lo. 
          Precisamos olhar para o outro como alguém que merece afeto, cuidado e respeito, acima de tudo. Saber conviver com o outro, que não tem nada em comum conosco e hospedá-lo com amor dentro da nossa “casa mental”, vai implicar numa responsabilidade para com o outro. Não é fácil, mas, se desejar, tente! (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços nos outros, diferentes de mim...

6 de julho de 2019

Sobre o falso "Eu"

Félix Elvas Pequeno

                 As redes sociais, impulsionam você à buscar a perfeição e você permite! Se obriga, a criar um falso “EU” para as redes sociais, quando você ainda nem sabe quem é. E tem que ser um “EU” bonito, sorridente, bem-sucedido, magro, popular, e feliz. Seu “Eu” ainda está sujeito a filtro, photoshop, caso você não goste dele, você deleta e posta um outro “EU” mais perfeito, e assim por diante.
                As pessoas mais velhas, se enchem de maquiagem, para disputar com os adolescentes, qual é o melhor selfie. Você vive um pouquinho, tira uma foto, posta e, se tem muitos likes, aí se sente vivo e feliz. Que pena, pois você vai se perdendo de si mesmo... (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços.

30 de junho de 2019

A felicidade é uma escolha pessoal




Félix Elvas Pequeno

                  Para Freud, a felicidade é vendida no sentido de preencher uma falta, que é constante e que, portanto, nunca será alcançada em sua plenitude. As redes sociais, nos bombardeiam com imagens de pessoas anônimas ou do mundo das celebridades. Observamos, que nesse mundo virtual muitas pessoas desejam passar aos seus seguidores que estão sempre felizes. Como? A cada segundo, alguém está postando um momento “feliz” no facebook, instagram, entre outros, talvez, para preencher a falta de uma vida perfeita, que não existe! Para muitas dessas pessoas, a felicidade depende dos likes ou dos comentários que ela recebe no post do dia.
          Penso que a felicidade está em pequenas atitudes, que podem ser realizadas no dia a dia, é uma escolha pessoal que vem de dentro de cada um, e você pode buscar a sua felicidade do seu jeito. Se pescar, andar de bicicleta, fazer tricô, cantar, dançar, caminhar, ler um livro, pintar, entre outras escolhas, te faz feliz, faz e pronto! Não pense que sua vida é pior que a daquele amigo virtual, que faz um monte de postagem maquiando uma realidade que não lhe pertence! Lembre-se, o que certas pessoas mostram nas redes sociais é o que elas gostariam de ser, e não o que elas realmente sentem ou são! (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!

21 de junho de 2019

Sobre o complexo de inferioridade

                Félix Elvas Pequeno
         
                       O termo Complexo de Inferioridade foi criado pelo psicanalista Alfred Adler, primeiro seguidor de Freud. Para Adler tal sentimento era inerente ao homem, e nascia do meio em que a criança crescia. É fundamental plantar na criança sementes de auto-estima e de fortalecimento do “Eu”, que lhe permita resistir aos pontos de vista dos outros, as frustrações e os acidentes de percurso da vida. O complexo de inferioridade está, portanto, ligado ao meio em que a criança se desenvolve, ao comportamento dos pais com relação a ela – estes devem evitar discursos negativos e depreciativos, bem como o costume de destacar só os deslizes dos filhos.
                        Todos nós, biológicamente, nascemos inferiores em comparação com os adultos. Nascemos frágeis, indefesos e se não fosse pelo cuidado dispensado pelas famílias, não sobreviveríamos à primeira infância. Porém, se tivermos uma educação equilibrada, superamos naturalmente este sentimento de inferioridade. Contudo, em muitos casos em que a educação é inadequada, o sentimento de inferioridade, ao invés de ser superado, é intensificado e se torna inconsciente.
                        Se isso ocorre, a pessoa pode ser levada a desenvolver a ambição de predominar sobre os outros e sobre o meio em que vive. É desse modo que surgem todos os tiranos, os líderes arrogantes, pretensiosos que não escutam os outros e veem apenas o próprio umbigo. Portanto, para compensar o seu sentimento interno de inferioridade, estas pessoas tentam ganhar respeito dos outros através de uma compensação: o sentimento de ser superior. É a luta pelo poder... Enfim, só precisa sentir-se superior quem tem um forte complexo de inferioridade! Se você reconhece que o problema é muito grave, não hesite em fazer análise. (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista), Abraços!   (Félix  Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!



19 de junho de 2019

O grito do desejo


Félix Elvas Pequeno

"O desejo, roubado dos seus direitos, é dominado, à força, por um poder estranho e mais forte: a sociedade. O desejo grita: “Eu quero!” A sociedade responde: “Não podes, tu não deves”. O desejo procura o prazer. A sociedade proclama a ordem.

E assim se configura o conflito. Tudo seria mais simples se o conflito, a repressão, estivesse localizada fora de nós e o desejo alojado dentro de nós. Pelo menos, dessa forma, os inimigos estariam claramente identificados e separados. Entretanto, a psicanálise afirma que, se é verdade que a essência da sociedade é a repressão do indivíduo, a essência do indivíduo é a repressão de si mesmo. Somos os dois lados do combate. Perseguidor e perseguido, torturador e torturado. Não é exatamente isso o que experimentamos no sentimento de culpa? Somos nossos próprios acusadores. E, no seu ponto extremo, a culpa desemboca no suicídio; o suicida é, ao mesmo tempo, carrasco e vítima.

Vivemos em guerra permanente conosco mesmos. Somos incapazes de ser felizes. Não somos o que desejamos ser. O que desejamos ser jaz reprimido. E é justamente aí que se encontra a essência do que somos. Somos o nosso desejo, desejo que não pode florescer. Mas, o pior de tudo, como observa Freud, é que nem sequer temos consciência do que desejamos. Não sabemos o que queremos ser. Não sabemos o que desejamos porque o desejo, reprimido, foi forçado a habitar as regiões do esquecimento. Tornou-se inconsciente.

Acontece que o desejo é indestrutível. E lá do esquecimento em que se encontra, ele não cessa de enviar mensagens cifradas para que seus captores não as entendam. E elas aparecem como sintomas neuróticos, como lapsos e equívocos, como sonhos... os sonhos são a voz do desejo.

Freud estava convencido de que nossos desejos, por mais fortes que sejam, estão condenados ao fracasso. E isso é assim porque a realidade não foi feita para atender aos desejos do coração. A realidade segue seu curso férreo, em meio às nossas lágrimas.

O viver cultural estabelece regras que não são condizentes com o princípio de prazer, que é a obtenção da satisfação máxima, imediata e segura. Temos que aprender um modo secundário de existência, em que é preciso contentar-se com uma satisfação parcial, muitas vezes adiada, e nem sempre existente.  Portanto, viver em realidade, domar satisfatoriamente os desejos, adequando-os às exigências, por um outro lado pode propiciar uma maneira de utilizar a angústia como forma de crescimento"(Rubem Alves)

14 de junho de 2019

Sobre a solidão e solitude

           Félix Elvas Pequeno

“A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho”. (Paul Tillich-teólogo alemão do século XX.)

               A solidão gera isolamento, sentimento de vazio, de abandono. Ela sempre vem acompanhada de angústia, tristeza, depressão. É mais comum do que se pensa, as pessoas entrarem no processo de solidão, por sentirem-se culpadas por algumas situações ocorridas em suas vidas; por não saberem lidar com as frustrações inerentes a vida; por vergonha; por sensação de fracasso, entre outros... Ao tomar consciência, sozinha ou fazendo psicoterapia, é fundamental reiniciar o caminho de volta, retomando o contato com as pessoas, preenchendo o tempo com atividades em que precise interagir com os outros.
             Já a solitude, caracteriza-se pelo pleno contato consigo mesmo. A pessoa gosta de estar em sua própria companhia, não deixa de aproveitar a vida por falta de companhia, mas também sabe desfrutar dos momentos que está com outras pessoas. A pessoa consegue manter o equilíbrio entre estar consigo e estar com os outros. Solitude, é sentir-se bem quando está sozinha, é gostar e cuidar de si. Podemos ficar sozinhos para por os pensamentos em ordem, pensar na vida, apreciar uma paisagem, ler um bom livro, dançar sozinho,etc. Como dizia ironicamente Balzac, a solitude é ótima desde que você tenha alguém para contar que a solitude é ótima. (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços.

8 de junho de 2019

Sobre o amor

Félix Elvas Pequeno

            A gente não ama o outro, porque ele é parecido com a gente. Nós amamos e somos amados, na nossa diferença, na nossa falta. Naquilo que o outro traz de estrangeiro e de novidade para a nossa vida e vice-versa. Porem, muitas pessoas acham que a boa relação amorosa é aquela que eles se entendem, se completam, porque gostam das mesmas coisas, das mesmas escolhas. Então,a gente se ama e somos feitos um para o outro. Bobagem! Nem sempre é assim que funciona na realidade, no dia a dia. O amor acontece quando conseguimos evoluir para um estágio de individualização: Eu sou eu e Você é você. Para eu amar o outro, tenho, antes, que reconhecer que sou só, separado, distinto do outro, um ser singular. 
            Você não é a metade da laranja, que vai encontrar em mim a outra metade. Você é uma laranja inteira, que vai encontrar uma outra laranja inteira diferente da sua, que sou eu. (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços...

6 de junho de 2019

A depressão, também é um sintoma de uma sociedade doente( perversa)


Félix Elvas Pequeno

         A moral social contemporânea no dia a dia, perversamente, cobra das pessoas a alegria, a euforia e a felicidade constante, como? Nas capas de revistas; nas redes sociais; na mídia; no sucesso profissional; num corpo perfeito; na viagem a um lugar paradisíaco; na casa dos sonhos; no status; na riqueza, entre outras... Tais experiências são “vendidas” como verdadeiros caminhos para a felicidade, algo que só dependeria de você. Mas esse tipo de discurso acaba sendo uma grande armadilha: “Se ser feliz só depende de mim, e eu não sou, logo eu falhei.” E muitas pessoas não conseguem, se deprimem. 
                Há uma dívida generalizada, das pessoas contemporâneas, de estar em sintonia com essa euforia, que lhe é exigida por essa sociedade perversa! Então elas, quando sofrem, não apenas daquilo que a fazem sofrer- uma perda amorosa, uma morte na família, o desemprego, entre outros sofrimentos psíquicos; mas ainda mais, de culpa por não conseguirem a felicidade constante que essa sociedade lhe cobra! Deprimidas, as pessoas vão há um médico (psiquiatra ou não), que prescreve remédios antidepressivos que ajudam, mas atuam nos sintomas e não nas causas.
              Que “remédios” devem ser prescritos para as causas de uma sociedade doente? Construir sua singularidade, se reiventar e não aceitar as cobranças de alegria, de euforia e de felicidade constante, que são feitas por essa sociedade perversa, doente... (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços!

1 de junho de 2019

A vida é um soco no estômago



Félix Elvas Pequeno

No vídeo acima, a psicanalista Maria Homem  fala do seu olhar sobre  a vida como ela é, sem açucara-la. Penso, que a verdade é dura, é ambígua, é quase insuportável, mas só ela ecoa...

31 de maio de 2019

Existe autossabotagem?



Félix Elvas Pequeno

No vídeo acima C. Dunker (psicólogo - professor Dr. na USP e psicanalista ) fala sobre autossabotagem, que,  inconscientemente, é muito presente no nosso dia a dia. Vale a pena assistir e caso deseje, compartilhe. Abraços...

28 de maio de 2019

O que é ser psicanalista?

            Félix Elvas Pequeno 

              Ser psicanalista requer muitas renúncias, principalmente, da onipotência. É fundamental que tenha humildade de reconhecer a sua ignorância diante do paciente e acolhe-lo com “capacidade negativa”. O poeta Keatz diz: ... é uma capacidade que possibilita a um homem ser capaz de permanecer em incertezas, mistérios, dúvidas, sem qualquer esforço irritável que vise alcançar como resultado, fato ou razão.”
             Ninguém nasce psicanalista e não se vira psicanalista de repente, mesmo que a pessoa seja talentosa ou bem dotada. Muitos querem e poucos são os que conseguem. Há “analistas”, que são inclusive formados em Sociedades de Psicanálise, mas emocionalmente estão regredidos. Nos seus consultórios, manipulam os pacientes como se fossem marionetes, conduzem as sessões, direcionando- os para realizarem os seus desejos e não os desejos dos pacientes. Tais “analistas”, assumem uma postura sedutora e moralista. Enfiam teorias nas mentes dos pacientes e dirigem suas idéias, fugindo da regra fundamental da Psicanálise: deixar o paciente associar livremente suas idéias... Muitas vezes, o “analista" fica no “como se” e a relação vira uma folia a dois.
          Muitos desses “analistas são espertos e com “pitadas” de psicopatia!! Conforme diz o psicanalista Antônio Muniz de Rezende, em seu livro “Bion e o futuro da Psicanálise”... “O analista virtuoso e bem- dotado sente uma necessidade de fazer sua re-análise. E se não sentir, acaba se tornando inseguro no sentido forte da palavra. Ele está confiante demais em si mesmo, sabe demais, está protegido demais”. Bion fala que muitas vezes chamamos de análise coisas que não são.
              Penso que ser psicanalista, é ser ético, humilde e verdadeiro. “...tal como um corpo necessita de alimentos e oxigênio, também o psiquismo se alimenta e cresce com a verdade e que, sem essa, cai em estado de inanição e pode ficar corroído pelo veneno das mentiras...” ( David Zimerman- Bion –Teoria e Técnica). (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços...

22 de maio de 2019

Porque a Psicanálise

  Félix Elvas Pequeno             

          Porque falar transforma uma pessoa. Simples assim. E por que isso acontece? Porque a fala, a linguagem e a maneira de se expressar estão ligadas ao afeto. A psicanálise funciona porque sentimos e falamos. E, se fazemos isso a partir de uma posição apropriada, não tem como não ter uma transformação e caminhar numa direção que te leve a sofrer menos com o que você mesmo causa a você. 
                Quando chega um paciente na análise, normalmente é alguém que já está desconfiado que aquilo que ele sofre tem a ver com ele mesmo. E existe essa vontade de saber o que é isso. Pode ser que a gente venha a viver melhor? Sim, e não digo isso de maneira ingênua, mas acho que existe essa possibilidade, mesmo com a nossa cultura não favorecendo isso por si só. O interesse em assuntos do universo da psicanálise é cada vez maior. E há uma razão clara para isso. O ser humano, diz, está mais aberto a se descobrir e enfrentar seus sofrimentos. As pessoas fazem análise e não acham que são loucas por causa disso. Isso é uma revolução.
                 A psicanálise dá espaço para que os pacientes possam… falar. A psicanálise é uma ferramenta gigantesca, uma lupa. É como se a gente descobrisse uma espécie de microscópio da alma. Para mim, isso é pedagógico. Difícil, mas, ao mesmo tempo maravilhoso! (Síntese feita por Félix Elvas Pequeno- Psicólogo e Psicanalista, de uma entrevista que a Psicóloga e Psicanalista- Professora Dra. na USP e na FAAP Maria Lucia Homem, concedeu a Folha de São Paulo).Abraços!


12 de maio de 2019

Sobre a ditadura da magreza

   Félix Elvas Pequeno             

               Vivemos em uma sociedade doente, em que os padrões de beleza são muito definidos, especialmente para as mulheres. Se você não for magra, sem rugas e com aparência de atriz de cinema, raramente sentir-se-á incluída em determinados grupos sociais e especialmente na mídia, que muitas vezes insiste em ignorar a grande variedade de beleza que existe no mundo, priorizando apenas a convencional. 
                  Essa grande diferenciação que existe entre as mulheres pode ser muito cruel, e é a causa de condições como depressão, ansiedade, bulimia, anorexia e muitas outras. Muitas mulheres tentam se encaixar nos padrões, seja para conseguir aceitação, um bom trabalho ou até mesmo um relacionamento, e nessa busca se perdem de si mesmas, esquecendo-se de que o seu valor vai muito além de aparência, está na alma, nos valores e na maneira como escolhem viver suas vidas.
                   Beleza não tem nada a ver com os padrões que nos são impostos, mas sim com essência, amor e respeito. Penso, que as mulheres devem se amar e ser felizes do jeito que são, sem a ditadura da magreza. Mulheres, vocês são lindas e brilham exatamente como são...(Texto de Félix Elvas Pequeno-Psicólogo e Psicanalista, inspirado no artigo de Luiza Fletcher). Abraços...

11 de maio de 2019

COMO UMA ONDA

             
            Felix Elvas Pequeno

Nada do que foi será. De novo do jeito que já foi um dia.
Lulu Santos

Como Uma Onda

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

            A música de Lulu Santos continua viva e atual.

            A vida vem em ondas, e em muitas outras ondas como o mar... É como ciclos e cada ciclo,tem seu valor, seus ensinamentos e seus encantos. Do que adianta ficar dando voltas, achando que uma fase de sua vida vai voltar, achando que aquela pessoa vai voltar? É uma canoa furada, viver no presente mas sentindo falta do passado. O que há de vir, virá a seu tempo e na sua hora!
             Não perca o seu precioso tempo do presente, remexendo no passado e antecipando o seu futuro. É "caminhando e cantando" que a vida segue... E amor também! Às vezes se ganha e às vezes se perde! Por isso, aprenda a conviver com as perdas e com os ganhos. M Rasgue os papéis velhos, viaje, faça novos amigos, jogue fora os presentes desbotados, dê suas roupas e seus livros que não usa mais…Você já não é mais a mesma pessoa de ontem, não é? Veja quantas transformações você fez na sua mente. Veja como você ficou experiente e responsável! Vire a página, mude o disco!
              Encerre o ciclo! Você não precisa ser sempre a mesma pessoa. Porque a vida esta sempre em movimento, como as ondas do mar... É fundamental lembrar sempre que nada, nem ninguém é indispensável. Mas você é indispensável e imprescindível.Então merece viver uma bela vida. Escute a música abaixo e pense, pensar é fazer transformações dentro da cabeça e fora dela...(Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços..



2 de maio de 2019

SOBRE A PERDA DE IDENTIDADE

             Félix Elvas Pequeno         

 O Tolo na Cidade Grande

“Um tolo chegou a uma cidade muito grande e ficou confuso com o grande número de pessoas na rua. Com medo que adormecesse e despertasse novamente, não encontraria a si mesmo no meio de tanta gente, amarrou uma cuia na perna para se identificar. Um brincalhão, sabendo o que o tolo tinha feito,esperou que ele adormecesse, removeu a cuia e a amarrou na sua própria perna. Depois, também se deitou no chão ao lado do tolo e adormeceu. O tolo despertou primeiro e viu a cuia. A princípio, pensou que esse outro homem deitado ao seu lado devia ser ele. Depois, atacou-o gritando: “Se você é eu, então quem, pelo amor de Deus.... quem sou eu e onde estou?" (história de um mestre Dervixe.)
                 Na história acima, o tolo pode ser o nome dado ao homem que perdeu sua identidade, portanto não mais se reconhecia, ficou confuso e não sabia quem era. Penso que sem identidade não se é. Você tem que ser, isso é que é importante. Ter identidade, é fundamental para se diferenciar do outro e você construir sua própria singularidade. Na contemporaneidade, muitas pessoas buscam sua identidade não naquilo que são, mas no que consomem e exibem. Quando você descobre a sua identidade, logo aparece em si sua verdadeira face... (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e psicanalista). Abraços!

“Não precisas que ninguém te diga quem tu és ou o que és. Tu és aquilo que és.” (John Lennon)

28 de abril de 2019

Por que o homem,em geral, não suporta regeição?

              Félix Elvas Pequeno

            Durante os primeiros meses de vida de uma criança, a mãe se torna um objeto de conhecimento e de desejo. É por meio dela que a mesma tem contato com outras pessoas e com o mundo. Esta relação entre mãe e filho(menino) durante os primeiros meses é um tipo de simbiose natural, na qual a criança necessita da mãe para sua sobrevivência e vai se desligando e deixando, gradativamente, de depender da genitora. 
               Em algumas relações, a mãe se comporta de maneira a superproteger o filho e não permitir o seu desenvolvimento natural. Este comportamento é considerado uma dependência simbiótica doentia. Mãe e filho formam uma relação simbiótica durante a infância. O homem tem de fazer um grande luto para sair do amor materno e criar laço com outra mulher.
                 Muitos não fazem esse ,percurso, ficam “casados” com a mãe até morrer. Viram um dom-juan ou escolhem romances fadados ao fracasso para que, inconscientemente, continuem na parceria imaginária mãe-bebê. Você conhece homens assim?(Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços...
www.felixpequeno.com.br

27 de abril de 2019

Minha Vida (Não) é Um Tédio

Félix Elvas Pequno

A sensação de vazio entediante que faz a existência parecer uma sequência estéril de dias sem qualquer sentido tem a ver com a falta de “criatividade psíquica”, que destrói a imaginação e o interesse real pelas coisas da vida.

* Marion Minerbo

                    Todos nós nos entediamos em situações específicas como passar horas no trânsito, num aeroporto, ou em uma festa em que não conhecemos ninguém. Mas o tédio que interessa ao psicanalista é aquele ligado à sensação crônica de vazio existencial: a pessoa sente que a vida não tem sentido, nada é vivido como significativo nem parece valer a pena. A vida é uma sequência estéril de dias e a pessoa não sabe o que fazer consigo mesma. Há um sentimento penoso e estranho de que o eu é construído artificialmente “de fora para dentro”, e não “de dentro para fora” com experiências genuínas, verdadeiras, com lastro.
                     O tédio costuma ser confundido com a depressão, mas são vivências diferentes. Na depressão o sentimento é de perda e de tristeza: havia algo que iluminava a existência, e este algo foi perdido. O deprimido não se sente vazio, mas “cheio de tristeza”, o que pode ser uma reação muito saudável diante de uma perda. Ele continua sonhando em recuperar aquilo que perdeu, enquanto o problema do entediado é que ele não sonha com nada. O mesmo afeto também costuma ser confundido com uma insatisfação com a vida. Até certo ponto, ela é positiva porque pode ajudar o insatisfeito a mudar de vida. Já a pessoa entediada vive um simulacro de vida. Ela ainda não conseguiu criar uma vida própria “de verdade”. Se “mudar de vida”, provavelmente em pouco tempo voltará a se sentir entediada.
                        Para não sofrer de tédio, muitas pessoas se lançam em atividades frenéticas, ou ao contrário, desligam-se dormindo muito. Podem usar drogas, ou então parasitar a vida dos outros. Celulares e redes sociais podem ser usados para disfarçar a sensação de vida vazia e sem sentido. (Note, porém, que esses mesmos estímulos podem ser usados de modo muito criativo). Quando, por qualquer motivo, esses recursos não estão disponíveis, o tédio se agudiza. Isso porque eles funcionam como “acompanhantes” que dão uma sustentação psíquica no tempo e no espaço. Quando faltam, a pessoa se sente largada de repente: ela cai e se esborracha brutalmente no vazio.

                         É a falta radical de criatividade psíquica que mata a imaginação e o interesse pelas coisas da vida, originando o vazio e o tédio. Criatividade, aqui, não tem nada a ver com ser artista ou descobrir soluções criativas para problemas. Trata-se da capacidade de criar algum sentido para a vida, de acreditar em um motivo para sair da cama cada manhã. Uma criança com um desenvolvimento psíquico normal não se entedia, pois é capaz de pegar qualquer coisa, uma tampinha de garrafa, e imaginar uma brincadeira com aquilo. A criatividade é a função psíquica mais importante porque “ilumina” nossas vidas. E então qualquer coisa pode se tornar interessante, envolvente e valiosa.

* Marion Minerbo é psicanalista, analista didata e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Autora dos livros Neurose e Não-Neurose (Ed. Casa do Psicólogo), Transferência e Contratransferência (Ed. Casa do Psicólogo) e Diálogos sobre a clínica psicanalítica (Ed. Blucher), que será publicado no início do segundo semestre.

Sobre o Bode expiatório(Ovelha Negra)

 Félix Elvas Pequeno

                  O termo, bode expiatório ou ovelha negra, é popularmente usado em referência a alguém, geralmente o mais fraco ou o mais sensível, que foi injustamente escolhido para carregar, sozinho, a culpa por todos os malfeitos de uma situação, embora não seja responsável por nenhum deles. Em muitas situações, sabemos que uma pessoa inocente pode acabar sendo acusada e punida por algo que não fez ou não teve responsabilidade direta. Antes que sua inocência seja provada, as pessoas o repudiam, zombam e insultam sem, nem mesmo, saber das verdades por detrás dos fatos. 
                   Na sociedade atual, os grupos utilizados como “bode expiatório” são aqueles selecionados para carregar o sentimento de culpa. Por exemplo, culpar os gays pela destruição da família, culpar as mulheres pelos estupros, culpar os negros pelo racismo, culpar os índios pelo seu genocídio, entre tantos outros... “Nas relações humanas, certas pessoas têm a necessidade de apontar o dedo para o “bode expiatório,” porque é mais fácil culpar terceiros, por não entender ou não saber lidar com suas frustrações e decepções, responsabilizando os outros no ponto de vista moral e psicológico Nesse sentido, pais culpam os filhos pelas brigas na família, maridos culpam as mulheres pela falta de afeto no casamento, etc...
                     O “bode expiatório” é a transferência do sentimento de culpa, que se constitui em um ato irracional e ilusório que são transferidas de maneira inconsciente ou consciente para outras pessoas. O “bode expiatório” é a pessoa ou grupo delas, onde  todos os pecados são projetados...  (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços...

17 de abril de 2019

Sobre a Sociedade Engaiolada

             Félix Elvas Pequeno           

                       A nossa sociedade contemporânea, cheia de regras e adestramentos fez com que existisse uma padronização completa das pessoas, de tal maneira que todos se comportam do mesmo jeito, falam das mesmas coisas, se vestem mais ou menos da mesmo maneira, sorriem igualmente nas fotografias, compartilham das mesmas escolhas, etc. Ou seja, as nossas singularidades inexistem diante de uma sociedade encaixotadora.
                        Vivemos engaiolados, tendo sempre que se adequar as normas pré-determinadas, então ficamos todos iguais e "felizes". Sendo assim, a vida acaba se transformando em uma grande linha de produção, em que todos têm que fazer as mesmas coisas, ao mesmo tempo e no mesmo ritmo. 
                        Estamos enjaulados em vidas superficiais e nos tornamos seres totalmente desinteressantes, inclusive, para nós mesmos! “As pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas”. E, sobretudo, é preciso ser inadequado, porque não se adequar a uma sociedade doente é uma postura corajosa e libertadora! (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e Psicanalista). Abraços!

9 de abril de 2019

Sobre a satisfação

                   Félix Elvas Pequeno

                O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “O animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais profundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
                     A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação, limita e amortece... Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, nos deixa insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
                      Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”…
( Síntese feita por Félix Elvas Pequeno- Psicólogo e Psicanalista de um capítulo do livro:"Nós não nascemos prontos." ( Mario Sergio Cortela). Abraços!

2 de abril de 2019

O idiota, o sábio e a jarra

               Félix Elvas Pequeno   

         Idiota pode ser o nome dado ao homem comum, que repetidamente interpreta mal o que lhe acontece, o que faz, ou que é causado por outros. Ele faz isso de forma tão plausível que, para ele mesmo grandes áreas da vida e do pensamento parecem lógicas e verdadeiras para ele!

"Certo dia, um idiota desse tipo foi enviado com uma jarra à uma casa de um sábio para buscar vinho.
No caminho, o idiota, por seu próprio descuido, espatifou a jarra contra uma rocha.
Quando chegou a casa do sábio, apresentou-se com a alça da jarra na mão e disse:
"Tal pessoa lhe enviou esta jarra, mas uma pedra horrível a roubou de mim."
Rindo e desejando testar a coerência daquele homem, o sábio lhe perguntou:
"Já que a jarra foi roubada, por que me oferece a alça?
" Não sou tão tolo com as pessoas dizem", o idiota respondeu, e , portanto, trouxe a alça para provar a minha história." ( conto dos Dervixes)

         Muitas pessoas geralmente não consegue distinguir uma tendência oculta nos acontecimentos, o que por si só lhe permitiria usufruir a vida plenamente. Somente alguns que podem perceber esse "fio condutor" são denominados de sábios; quanto ao homem comum, pode-se dizer que está "adormecido," ou é chamado de idiota. (Félix Evas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!

4 de março de 2019

A depressão, também é um sintoma de uma sociedade doente

Félix Elvas Pequeno

                   A moral social contemporânea com seus padrões, no dia a dia, cobra das pessoas a alegria, a euforia e a felicidade constante. E muitas pessoas não conseguem, se deprimem e ficam na contramão"! Há uma dívida generalizada das pessoas contemporâneas de estar em sintonia com essa euforia que lhe é exigida pela nossa sociedade perversa. Então elas, quando sofrem, não apenas daquilo que a fazem sofrer- uma perda amorosa, uma morte na família, o desemprego, entre outros sofrimentos psíquicos; mas ainda mais, de culpa por não conseguirem a felicidade constante que a sociedade lhe cobra! 
                     Desamparadas e desesperadas, as pessoas vão há um médico (psiquiatra ou não) que lhes prescrevem remédios antidepressivos para o cérebro que só aliviam os sintomas! Mas, que “remédios” devem ser prescritos para as causas de uma sociedade maníaca, doente? O que você pensa?

“A teoria do desequilíbrio químico do cérebro como a única causa da depressão é uma hipótese que não está comprovada, mas os médicos prescrevem medicamentos, principalmente por causa do "rolo compressor" da promoção farmacêutica.Também temos uma sociedade doente!" É o que diz o Professor Dr. Daniel Carlat- Psiquiatra, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS.(2017)

17 de fevereiro de 2019

Sobre o tratamento de drogas

              Félix Elvas Pequeno

"A cura de qualquer vício, simplesmente pelo imperativo da abstinência não funciona"( S Freud)

                      Retirar a droga do usuário abruptamente não cura o vicio. Cada usuário de droga é um, e cada um se vícia por razões singulares e temos que analisar tais razões. A drogadicção não é uma doença, mas sim um dos  sintomas de sofrimentos psíquicos, que cada pessoa encontra para aplacar suas angustias, ansiedades, para suportar perdas, para uma dor de viver, para sua dificuldade de conviver socialmente com os outros, etc. Outros usuários, podem estar usando drogas para testar, sua onipotência imaginária, pois inconscientemente, se acha invulnerável, ''nada vai me atingir, nada me destrói", que pode estar levando-o à um "namoro" com a morte. Poderia citar muitas outra razões para as pessoas usarem drogas.
                        Percebem, como cada dependente de drogas tem problemas emocionais e existenciais diferentes? Interna-los em Comunidades Terapêuticas em Clínicas e/ou Hospitais Psiquiátricos e tratá-los com reuniões de grupo, é como se todos fossem iguais! Alem de afasta-los da família. O tratamento precisa ser individual e em consultório.
                        Atendo pacientes que estão deixando de usar bebidas alcoólicas e/ou outras drogas, gradualmente, com ótimos resultados. É fundamental tratar a pessoa e não o drogado! Temos que trabalhar o inconsciente de cada drogado, por exemplo, um pode fantasiar que se acha tão maravilhoso, tão perfeito que não consegue conviver com a falta (Castração, termo psicanalítico), e então  há uma tendência do sujeito à não aceitar a incompletude, e à buscar, inconscientemente, o excesso (plena completude), outro por ter sido muito mimado quando criança e não suportar lidar com frustrações e perdas, entre outros.
                         A dependência  de drogas lícitas ou ilícitas, as vezes é um mecanismo de fuga da realidade do ser humano,e quem não foge de várias formas? Vou terminar com outra fase de Freud: “É impossível enfrentar a realidade o tempo todo, sem nenhum mecanismo de fuga!” (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!

5 de fevereiro de 2019

Sobre a contradição do humano

                  Félix Elvas Pequeno

             Freud disse algo assim: " Não existe uma outra razão no sensível, na intuição, na contradição". Quando um paciente dele relatou um fragmento de sonho, disse: "Dr. Freud eu sonhei que o dia estava chovendo com muito sol". E Freud respondeu: " Não, não se corrija, pois o inconsciente funciona pelo princípio da contradição".
                  Pois é, existe sempre a contradição que pode coexistir com a lógica, com a razão. Sim, existe a contradição e isso não é vulgar, não é errado! Portanto, a lógica não está em posição de entender o homem. O homem é contraditório por natureza. Ele não é uma máquina. O pensamento racional, lógico e matemático só podem compreender os objetos que estão livres de contradição. Mas, como o homem não é um objeto, a contradição é inerente a sua existência, portanto é ridículo compreender o homem como se ele fosse uma equação geométrica, uma fórmula matemática.
                 "O homem é uma estranha mistura de ser e não ser. O lugar dele é entre esses dois polos oposto"(Cassirrer). Sua lei primeira e suprema é a lei da contradição. A contradição é o próprio elemento da existência humana. O homem não é um ser simples e homogêneo! Há determinados comentários sobre como cada um deve ser, se comportar e agir – como se existisse um modelo universal e correto a ser seguido! Pense Nisso! 

25 de janeiro de 2019

Sobre a arrogância.

             Félix Elvas Pequeno

                Muitas vezes nos deparamos com pessoas arrogantes, sem humildade e que apenas pensam em seu próprio umbigo, sem se preocupar com ninguém ao seu redor. Elas imaginam que para terem sucesso na vida, não devem olhar para o lado e oferecer ajuda aos que precisam. Nós nunca somos prejudicados por ajudar outra pessoa, pelo contrário, quanto mais fazemos por aqueles em nossas vidas, mais recebemos coisas pelas quais agradecer. 
                Os arrogantes, sempre que são afetados pelo comportamento de outras pessoas imaginam: “elas são burras” ou “por que não conseguem fazer uma coisa tão simples?” Será que estão projetando sobre os outros alguns de seus aspectos indesejáveis, para que não vejam algo sobre eles mesmos que não querem ver? Penso que sim! Sempre que eles apontam o dedo, cheios de razão, ou sempre que tem certeza de que outra pessoa está aquém do seu potencial, deveriam voltar seus olhos para eles mesmos, mas não fazem isso e, geralmente, costumam aprender a lição de maneiras dolorosas, como na fábula de Esopo abaixo.

O Galo e a Águia
Dois galos estavam disputando em feroz luta, o direito de comandar o galinheiro de uma chácara. Por fim, um põe o outro para correr e é o vencedor.O Galo derrotado afastou-se e foi se recolher num canto sossegado do galinheiro. O vencedor, voando até o alto de um muro, bateu as asas e arrogantemente cantou com toda sua força. Uma Águia que pairava ali perto, escutou o canto do galo, lançou-se sobre ele e com um golpe certeiro levou-o preso em suas poderosas garras. O Galo derrotado saiu do seu canto, e daí em diante reinou com humildade livre do galo arrogante.

Moral da História: A arrogância é o caminho mais curto para a ruína e o infortúnio. Devemos permanecer humildes, mesmo em nossas vitórias,e evitar 'cantar de galo', afinal nunca sabemos o que a vida reserva para nós no próximo minuto.

18 de janeiro de 2019

O cientista virou um mito.


Félix Elvas Pequeno

                      (...) e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.” Moto da comunidade científica, segundo mural do Massachusetts Institute of Technology.

"Para os meus filhos Sérgio e o Marcos. Que a ciência lhes seja alegre, como empinar papagaios.” (Rubem Alves).

                      O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o comportamento e inibe o pensamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em pensar de maneira correta (os cientistas), os outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer o que os cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma receita você faz perguntas? Informa-se como os medicamentos funcionam? Ele manda, a gente compra e toma. Não pensamos. Obedecemos. Não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos especializados e competentes em pensar. Pagamos para que ele pense por nós.
                       E depois ainda dizem por aí que vivemos em uma civilização científica... O que eu disse dos médicos você pode aplicar a tudo. Os economistas tomam decisões e temos de obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem ser as nossas cidades, e assim acontece. Afinal de contas, para que serve a nossa cabeça? Ainda podemos pensar? Adianta pensar? Antes de mais nada é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor do que as outras!

(Síntese feita por Félix Evas Pequeno-Psicólogo e Psicanalista, das páginas 11 e 12 do livro de Rubem Alves “Filosofia da Ciência”-introdução ao jogo e suas regras-editora brasiliense, 19ªedição.)

6 de janeiro de 2019

A Empatia é fundamental para a sobrevivência da humanidade.

                 
           
                 Félix Elvas Pequeno           

             O mundo de hoje está cada vez mais dividido e precisa de demonstrações contínuas de empatia, já que essa pode ser uma das forças universais que pode nos unir. A empatia se resume na capacidade da pessoa de se colocar no lugar da outra, procurando compreender seus sentimentos e não julgá-la. Não existe uma "receita" de como devemos lidar com as pessoas. Cada indivíduo é único e essa é a beleza da vida! A linguagem corporal é muito importante na hora de criar laços empáticos, pequenos gestos podem simbolizar o seu nível de empatia para com determinada pessoa. Um sorriso ou um abraço podem ser mais importantes do que qualquer discurso! 
               Ao sentirmos empatia por alguém estamos nos sensibilizando pela realidade do próximo. Isso é essencial para que as pessoas possam se respeitar e aprender a viver com as suas diferenças. A empatia é fundamental para a compreensão e paz geral na humanidade.
       Em um mundo tão individualista e egoísta como o nosso, torna-se extremamente difícil encontrar pessoas empáticas, requer que o egocentrismo seja deixado de lado para dar espaço ao altruísmo, ou seja, ajudar outras pessoas sem intenções egoístas. Gestos empáticos podem ajudar a elevar nosso sentimento de humanidade e tornar o mundo um lugar melhor. (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços empáticos aos amigos!
www.felixpequeno.com.br