31 de outubro de 2018

O MARIONETE

         Félix Elvas Pequeno
   
                    Ele(a) se comportava segundo as ordens do seu Mestre, o dono da "manada", dominador e castrador, que ele obedecia cegamente e reverenciava, sem questionar; fingia sorrir, fingia estar bem, fingia ser feliz, pois precisava ser aceito e amado... Ser senhor dos seus desejos jamais, somente realizava os desejos do Mestre. Mentalmente empobrecido, politicamente inocente e tolo. Permitiu-se ser enfeitiçado pelos ensinamentos do Mestre, sem questionar ou se rebelar. Achava que ser normal, era ser igual a “manada”, isto é, fazer tudo igual aos outros, tudo dentro dos padrões e das regras, ser diferente, nunca!
                   Dançava no palco social, conduzido pelos cordões nas mãos do Mestre. Gostava de dançar bolero, dois pra lá, dois pra cá, passo a passo, no compasso do cansaço. Engolia tudo goela abaixo, pois não sabia dizer NÂO, pelo contrário, era medroso e acomodado. Não se rebelava, sendo facilmente manobrado.Num certo dia, tentou se rebelar... Mas a voz do “Mestre” que controlava sua cabeça disse: “Nem tente, não se atreva se não já sabes o que vai te acontecer... Esqueça de seus desejos e seja somente os meus desejos! Seja normal, nunca diferente, sempre adequado e bem adaptado". Sua expressão facial ficou triste e os seus olhos lacrimejaram...
                  Ele continuou fazendo tudo o que seu Mestre mandava. Obedecendo e encaixotado. Ficou eternamente “enfeitiçado”. Sua alma adoeceu e seu coração ficou petrificado. Tornou-se para sempre um(a) marionete com um cérebro programado! E o seu mestre perverso sorria... (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista).Abraços e boa reflexão!

www.felixpequeno.com.br