15 de setembro de 2018

A psicanálise e o esvaziar-se


            Félix Elvas Pequeno

"A palavra foi dada ao homem para encobrir seu pensamento”, Stendhal

                        Entre as inúmeras contribuições da psicanálise para a humanidade, talvez a que mais se destaque é a abertura da possibilidade de escutar o outro. A figura do analista representa um esvaziar-se de si mesmo e abrir-se para as inquietações, conflitos e, fundamentalmente, para o discurso do paciente. Para tanto, é necessário que o analista deixe do lado de fora de seu consultório todas as suas opiniões morais e escute as demandas do paciente sem julgamentos ou concepções pré-definidas. É ouvir o outro em sua inteireza, de forma depurada e sem misturar-se com o que é falado. É ouvir por ouvir, sem a ansiedade de uma resposta que se enquadre em um diálogo. É ouvir sem sequer pensar em construir um diálogo racional. O diálogo se constrói por si mesmo, nas entrelinhas, sensações e naturalidades da fala do paciente. É essa fala do paciente que leva à resposta do analista, como num eco. Não se trata de um diálogo construído: trata-se de um diálogo que simplesmente nasce em si mesmo. Por isso mesmo, o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896-1971) diz que a sessão psicanalítica é um momento sagrado. Sagrado, pois consiste em uma tentativa de encontrar a verdade que não está nas palavras e sim na essência do que é cada ser humano.
                           A verdade que não pertence nem ao analista nem ao paciente. A verdade que pertence à própria experiência humana. Uma verdade intangível, que se estabelece diante da singularidade de cada um e escapa a teorias ou enquadres. Uma verdade que transcende – própria da experiência de cada paciente. Uma verdade que nunca é totalmente revelada, mas pode ao menos ser parcialmente iluminada. Uma boa análise objetiva libertar o paciente de suas próprias amarras fantasiosas e das amarras do meio social em que ele vive. É libertar o paciente do discurso do Outro – como diria Jacques Lacan (1901-1981) –, do discurso dos pais e mães. Mas esses pais e mães ultrapassam em muito a barreira familiar e não são apenas os biológicos. A psicanálise busca libertar o paciente do discurso do poder, das instituições, tradições, imposições e até mesmo das leis que regem a vida social. É libertar o paciente do discurso inventado pela própria história humana. É desintoxicar a mente do excesso de discurso, do excesso de palavras, do excesso de regras estabelecidas que se estendem ao longo da trajetória humana.
                             O papel da psicanálise é reinventar a experiência humana contestando tudo que até então foi imposto ao sujeito pelo discurso externo. É limpar os signos e símbolos em excesso que sufocam o humano e lhe tiram seu caráter misterioso, subjetivo, essencial e quase místico. A psicanálise trabalha com a palavra narrada para desgastá-la a ponto de ela perder sua importância central e restar apenas a essência. A palavra – que muitas vezes cega – é substituída pelo sentir. É esse sentir que levará o paciente a criar sua própria ética. Uma ética que não responde a instituições ou regras estabelecidas, mas que ecoa dentro de sua essência. Uma ética que dispensa a obrigação e o apalavrado – que é essência em si mesma. O paciente, ao estar diante de um analista que se esvazia para contê-lo, aprende também a esvaziar-se para conter todos que o cercam na comunidade. Aprende a olhar o outro sem barreiras morais, respeitando as singularidades, experiências e vivências de cada um.
                             Um ser humano analisado aprende a respeitar o espaço de si e do outro, separando o seu querer e poder do querer e poder do outro. Ele aprende a delimitar-se na relação com o outro, respeitando-o e sabendo instintivamente que para construir-se é preciso do outro, mas que esse outro também está ali para construir-se com ele. Esse paciente aprende a olhar a si e ao outro respeitando o mistério da experiência humana. Respeita-se a si, respeita-se o outro e respeita o próprio mistério do existir humano. É um ser que consegue esvaziar-se de si para acolher o outro. É alguém preparado a conviver com unidade e em comunidade. (Síntese feita em 02/07/2018, do capitulo de livro do Psicanalista André Toso, por Felix Elvas Pequeno- Psicólogo Clínico e Psicanalista). Abraços afetuosos!

11 de setembro de 2018

ESNOBISMO: a arte de aparentar.

         Félix Elvas Pequeno            

                     O esnobe é uma “pessoa” que se sente superior aos demais, desprezando o convívio com quem é humilde e, geralmente convivendo e copiando os hábitos dos que têm prestígio social ou dos que fazem parte da alta sociedade. Os esnobes humilham o povo em suas atitudes, pessoalmente ou através do facebook, instagram,etc. Muitos são empobrecidos intelectualmente e emocionalmente vazios, demonstrando idolatria por riqueza, beleza estética, casonas, carrões de luxo, etc. Os esnobes menosprezam pessoas pobres, de posição social inferior, preferindo se relacionar com pessoas de estatuto social elevado, demonstrando necessidade de exibir ou aparentar um estilo de vida que aspiram conquistar. Tratam com indiferença quem não julga ser influente ou relevante nas suas relações sociais. 
                          
                        O esnobismo tem suas origens, em geral, em pais esnobes - que nunca se preocuparam em ensinar os filhos a julgarem as pessoas com base em valores mais nobres, sem referência a status social, renda ou reputação. Os esnobes preocupam-se mais com a posição das pessoas na sociedade, isso explica por que fazem sempre a mesma pergunta no primeiro encontro: "O que você faz?" E de acordo com nossa resposta, podem abrir um belo sorriso falso ou, simplesmente, dar-nos as costas. Os esnobes são: tolos, invejosos,presunçosos, pedantes, presumidos, arrogantes, convencidos, pernósticos, pretensiosos, pomposos e julgam os outros pela aparência! O nosso maior compromisso continua sendo ser amável e gentil com todos que cruzam nosso caminho! Penso que quem é esnobe demonstra arrogância e superioridade para compensar, inconscientemente, um grande complexo de inferioridade!! 

6 de setembro de 2018

Estamos de PORRE o tempo todo.

   
     
            Félix Elvas Pequeno        
    
                O mundo atual está embriagado pelo "princípio do prazer"(obtenção da satisfação máxima, imediata e segura), para evitar o desprazer (as frustrações inerentes a vida). Sem hipocrisia, o mundo virou um "porre"! Está todo o mundo de "porre". Estando de "porre", temos as nossas atitudes completamente alteradas, perdemos a noção do ridículo, da ética, da vergonha na cara, entramos num gozo deslavado, debochado, escancarado que está nos levando à consequências desastrosas. Estamos dizendo sim a LOUCURA e não a CULTURA! O mundo está repleto de pessoas surtadas. Estamos cercados por atitudes inconsequentes e infantis. Achamos que podemos ter tudo, desejamos levar vantagens em tudo, o tempo todo! Perdeu-se os padrões que nos orientavam (principalmente a família) estamos desorientados, zonzos! 
                  O homem da atualidade está gritando: "primeiro salvo a minha pele" e " eu não tenho nada a ver com isso". Cada um só olha para o seu umbigo e não enxerga o desprezo que causa aos sentimentos dos outros. É uma indiferença perversa à responsabilidade. Onde estão os verdadeiros adultos não embriagados e lúcidos, aqueles com amor no...? O que Freud diria hoje sobre a nossa sociedade contemporânea? Imagino que ele diria: "É uma sociedade perversa, histérica, tola, infantilizada e sem bússola! Abraços!