9 de agosto de 2018

Hipocondria: a doença da imaginação.

                     
Félix Elvas Pequeno

                        A hipocondria é um estado psíquico crônico em que a pessoa crê, sem fundamentos da realidade externa, ter uma doença grave, sentir medo da morte o tempo todo; é acometida por uma verdadeira obsessão com sintomas irrelevantes, mantém uma auto-observação constante do corpo e mostra descrença nos diagnósticos médicos. Inconformados com os médicos que afirmam que elas estão em perfeita saúde, muitas dessas pessoas procuram por outro profissional na busca por encontrar um diagnóstico para o mal que supõem acometê-los. Na melhor das hipóteses pensarão: “quem sabe se a doença não começou depois do último exame?”. Algumas vezes concentram suas preocupações sobre um determinado órgão ou sistema corporal (o coração ou o sistema digestivo, por exemplo) e outras vezes variam alternativamente suas preocupações, as quais podem atingir vários órgãos ou sistemas. Muitos hipocondríacos chegam ao médico trazendo uma pilha de exames que colecionam a longo tempo e demandando outros novos. Diante da afirmativa de que nada têm, sentem-se incompreendidos pelo médico e pelos familiares “que não acreditam” no que eles dizem e ficam ofendidos com a sugestão de que devem fazer psicoterapia.
                           Os hipocondríacos “têm” alguma coisa; só que essa coisa não é física, é da cabeça! Popularmente, costuma-se denominar a hipocondria de “mania de doença”. O hipocondríaco é extremamente centrado em si mesmo (narcisista, em termos psicanalíticos) a ponto de não se atentar para a realidade e não se importar com ela. Isso acontece em diferentes graus para cada paciente. Ele se preocupa exageradamente com a possível presença de doença e geralmente pensa ser portador de sinais e sintomas de várias delas, muitas vezes entrando em pânico por isso.
                          Às vezes, os hipocondríacos apenas sobrevalorizam num sentido negativo e pessimista certos sinais próprios da fisiologia normal como ruídos orgânicos comuns, dormências posturais, tremores constitucionais, etc., ou são sugestionados pelas divulgações de enfermidades pela MÍDIA. Em muitos casos se sentem melhor ao tomar remédios, achando assim estar livres das supostas doenças. Outros hipocondríacos “descobrem” métodos alternativos para “curar” as supostas doenças, os quais também não funcionam, já que elas são imaginárias! Os hipocondríacos gastam muio dinheiro com consultas médicas, exames e remédios, muito mais do que gastariam fazendo psicoterapia! O pior é que muitos médicos sabem disso, mas continuam tratando-os como se de fato fossem doentes fisicamente, por que será? 

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