1 de fevereiro de 2018

Inveja de si mesmo.

         

      Félix Elvas Pequeno 


                  Uma psicanalista inglesa, chamada Melaine Klein, tratando os seus pacientes, observou que muitos deles, além de invejarem outras pessoas, tinham também inveja de si mesmos. Como é possível ter inveja de si próprio? É um mecanismo inconsciente, onde uma pessoa muitas vezes tem tudo para ser feliz profissionalmente, afetivamente, amorosamente, mas inconscientemente (sem se dar conta, sem perceber), há um "homenzinho" dentro de sua cabeça, extremamente invejoso, que não o deixa ser feliz. Esse homenzinho invejoso sabota você mesmo (autosabotagem)!! De que jeito? Fazendo você se confundir, procrastinar, esquecer, desprezar e desistir dos seus projetos, dos seus sonhos. 
                     Esse homenzinho sabotador julga a própria pessoa incapaz, burra, fraca, criticando tudo o que ela própria faz, atormentando, não admitindo que ela erre. Esse lado invejoso destrói ou tenta destruir tudo o que o outro lado feliz tem de bom. É como se alguém tivesse tudo para ser feliz e, de alguma forma, conseguisse arrumar um jeito para fugir da felicidade. Exemplo: uma mulher se queixa que não consegue encontrar o grande amor de sua vida. Quando encontra, se sente feliz, então o lado invejoso tenta estragar sua felicidade, fazendo-a achar que seu grande amor está lhe traindo ou só tem más intenções com ela. Então o que acontece? Interrompe o namoro e volta a sentir-se infeliz. 
                   Primeiro é fundamental descobrir e reconhecer que tens esse lado, esse homenzinho invejoso dentro de si. Posteriormente, tens que trabalhar com essa inveja de si próprio dentro da cabeça, através de diálogos internos e reflexões profundas, tentando conter, segurar esse homenzinho invejoso. Caso não consiga trabalhar sozinho esse lado invejoso e você se der conta que não está conseguindo ser feliz, mas ao contrário está muito infeliz, sofrida, deprimida, se sentindo com baixa auto-estima, deves procurar ajuda através da psicanálise. 
                      No consultório escuto frequentemente de pacientes verbalizações tais como: "tenho medo de mim mesmo”, “é como se existissem duas pessoas dentro de mim, uma é inimiga da outra”, “se eu ficar bem parece que vai me acontecer uma desgraça”, etc., me levam a pensar na hipótese de um funcionamento mental onde a auto- destrutividade tem papel importante, e os profundos ataques que fazem contra si mesmos têm características de inveja, com seu potencial destrutivo. Este é o aspecto trágico da inveja – o ataque a si mesmo! Abraços!

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