23 de fevereiro de 2018

sobre o Sofrimento de "Fome de Amor".

                   

                      Félix Elvas Pequeno

                Penso que há uma epidemia de“dependência emocional”. As pessoas procuram reconhecimento no outro porque sofrem de "fome de amor". Estamos mais dependentes emocionalmente e está dependência se manifesta na preocupação constante do indivíduo com que os outros pensam dele. Ele quer saber se agrada, se é amado. A preocupação das pessoas de quantas curtidas receberam no Facebook ilustra bem isso. Também há uma procura por relacionamentos virtuais através de aplicativos como tinder, par perfeito, entre outros, onde qualquer "pessoa" serve para ser comida e saciar a "fome de amor", mesmo correndo riscos de contrair doenças infecto-contagiosas e até se expondo à psicopatas! Muitas vezes o impulso de morte, vem embrulhado em papel de presente. 
                      As pessoas mais ingênuas e vulneráveis precisam desse reconhecimento mais que as outras, pois sofrem de "fome de amor". Elas são muito sensíveis em relação a como os outros a acolhem — de forma risonha ou carrancuda, com muitas ou poucas palavras, se são abraçadas ou beijadas. Nesse contexto, cria-se um desconforto nos laços afetivos-sociais, já que o não reconhecimento do outro é fonte de desconfiança, perseguição e até mesmo de agressividade.
                       O que leva a uma dependência estrema da pessoa por amor é uma sensação de baixa autoestima e à busca pelo excesso. É preciso compreender, entretanto, que aqui estamos falando de pessoas que vão para um extremo! Afinal, todos nós precisamos do outro para nos constituir enquanto pessoa, construir uma identidade, receber aceitação, carinho e amor. A nossa mente é danada para nos pregar peças, e pode transformar esta “fome de amor” em uma fome real. Podemos encontrar pessoas que chegam a ficar obesas, porque comem buscando, preencher todo tipo de vazio existencial, inconscientemente, comendo com voracidade excessiva o alimento-amor! Abraços!

19 de fevereiro de 2018

Os Livros de Auto-Ajuda Não Funcionam

               

                     
               
                  Félix Elvas Pequeno

             
             Os livros de autoajuda se trata de uma leitura marcada pela ingenuidade, porque quem lê um livro dessa categoria acredita que vai resolver seus problemas quase instantaneamente. As críticas contra a autoajuda baseiam-se no discurso ilusório que alguns títulos podem trazer, aqueles que sustentam a impressão de que existe um alguém – no caso, o autor do livro – capaz de dar receitas sobre como vencer determinados problemas. Esse tipo de livro sustenta o “discurso da certeza”, em que sentenças imperativas parecem apontar soluções certeiras: “faça”, “seja”, “sorria”, “dê”. “Uma das críticas grandes que se faz é uma universalização da vida. É como se dissessem (os autores): ‘o que serviu pra mim, serve pra todo mundo’. Isso é um elemento negativo”. É fundamental alertar para o risco do tratamento exageradamente simples dado a determinadas patologias em alguns livros de autoajuda. “Você tem um texto falando assim: ‘vença a depressão em dois dias”. 
                 Penso que qualquer coisa que der fórmulas de como crescer, como ser feliz, como ter sucesso, dentre outras, é autoajuda. Os livros de auto-ajuda são como um copo de leite para quem tem azia ou úlcera, produz um alívio imediato, mas logo, a dor perfurante volta em dobro. Em dobro porque, agora, você continua não conseguindo resolver nada. E, pior,você agora acha que as coisas são simples, que a vida é simples, que nossos problemas são simples. Pode até ser que a vida seja simples, mas nós não somos!
                   Os autores de auto-ajuda, só ajudam a eles mesmos, é claro, financeiramente! Eles apenas se aproveitam da carência, da ingenuidade de um público sedento por conhecimento e inundam as prateleiras com livros que prometem a felicidade eterna, mas entregam textos ruins, repletos de fórmulas ilusórias para o sucesso. Essa onda de querer ganhar dinheiro vendendo fórmulas prontas para combater a ansiedade,pânico, depressão e afins sem base científica, aumentou muito, na internet. Embora continuem populares, os livros e programas de auto-ajuda tem sofrido críticas por oferecer "respostas fáceis" para problemas pessoais complicados. De acordo com essa visão, o leitor ou participante recebe o equivalente a um placebo enquanto o escritor e o editor recebem os lucros Abraços!

" A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” -Sigmund Freud.

16 de fevereiro de 2018

Sobre o 'dedo podre'

   
               
               
                    Félix Elvas Pequeno             

                       
                "Dedo podre”, a inclinação que têm algumas pessoas, homens e mulheres, de escolher sempre o parceiro errado. Há muitas pessoas assim. Elas não têm sexo, idade ou tipo físico determinado. Nem o temperamento delas é parecido. Em comum, têm apenas essa terrível tendencia a se ligar emocionalmente a gente inviável – que, por uma razão ou por outra, é incapaz de manter com elas o tipo de relação que elas gostariam de ter. Não se trata de azar! Se o primeiro namorado da Fulana era um malandro mentiroso, o segundo um psicopata ciumento e o terceiro ainda está apaixonado pela ex-mulher, não dá para culpar a falta de sorte. Fulana, claramente, não consegue escolher porque gosta de sofrer! Continua sendo uma coitadinha, mas a responsabilidade é dela, não do destino! “O psicanalista declara: -“O sujeito goza em seu sofrimento”.
                  O povo traduz: - “As pessoas gostam de sofrer”. Todo mundo sabe disso, usa a expressão com frequência, mas acha que é brincadeira por não ser possível, em sã consciência, alguém gostar de sofrer. E, no entanto, isso é muito comum.”
                 Vou relatar um trecho de uma consulta inicial com uma paciente de um colega psicanalista. A paciente foi solicitada a contar a história de seus relacionamentos amorosos, com cara de desalento, explicou que estava no seu segundo namoro e que tinha se separado do primeiro, pelo fato do anterior ser um "traste" maior ainda e que suas migas diziam que ela tinha o "dedo podre". A repetição da nomeação "traste" levou o colega à pergunta se o seu problema não seria “trastite”, ou seja, a escolha repetitiva de "trastes' como objetos amorosos. Ela abriu um sorriso radioso de confirmação do sintoma e vontade de falar a respeito. Seu tratamento começou assim, bem distante do sofrimento padronizável. Por trás do "dedo podre", mulheres e homens, inconscientemente, gozam com seu sofrimento. São pessoas masoquistas, pois tem o prazer de sofrer! Não aprendem pela experiência, pois tem uma compulsão à repetição!Tem cura? Tem! Como? Fazer análise!!( Félix,04/02/2018). Abraços!


1 de fevereiro de 2018

Inveja de si mesmo.

         

      Félix Elvas Pequeno 


                  Uma psicanalista inglesa, chamada Melaine Klein, tratando os seus pacientes, observou que muitos deles, além de invejarem outras pessoas, tinham também inveja de si mesmos. Como é possível ter inveja de si próprio? É um mecanismo inconsciente, onde uma pessoa muitas vezes tem tudo para ser feliz profissionalmente, afetivamente, amorosamente, mas inconscientemente (sem se dar conta, sem perceber), há um "homenzinho" dentro de sua cabeça, extremamente invejoso, que não o deixa ser feliz. Esse homenzinho invejoso sabota você mesmo (autosabotagem)!! De que jeito? Fazendo você se confundir, procrastinar, esquecer, desprezar e desistir dos seus projetos, dos seus sonhos. 
                     Esse homenzinho sabotador julga a própria pessoa incapaz, burra, fraca, criticando tudo o que ela própria faz, atormentando, não admitindo que ela erre. Esse lado invejoso destrói ou tenta destruir tudo o que o outro lado feliz tem de bom. É como se alguém tivesse tudo para ser feliz e, de alguma forma, conseguisse arrumar um jeito para fugir da felicidade. Exemplo: uma mulher se queixa que não consegue encontrar o grande amor de sua vida. Quando encontra, se sente feliz, então o lado invejoso tenta estragar sua felicidade, fazendo-a achar que seu grande amor está lhe traindo ou só tem más intenções com ela. Então o que acontece? Interrompe o namoro e volta a sentir-se infeliz. 
                   Primeiro é fundamental descobrir e reconhecer que tens esse lado, esse homenzinho invejoso dentro de si. Posteriormente, tens que trabalhar com essa inveja de si próprio dentro da cabeça, através de diálogos internos e reflexões profundas, tentando conter, segurar esse homenzinho invejoso. Caso não consiga trabalhar sozinho esse lado invejoso e você se der conta que não está conseguindo ser feliz, mas ao contrário está muito infeliz, sofrida, deprimida, se sentindo com baixa auto-estima, deves procurar ajuda através da psicanálise. 
                      No consultório escuto frequentemente de pacientes verbalizações tais como: "tenho medo de mim mesmo”, “é como se existissem duas pessoas dentro de mim, uma é inimiga da outra”, “se eu ficar bem parece que vai me acontecer uma desgraça”, etc., me levam a pensar na hipótese de um funcionamento mental onde a auto- destrutividade tem papel importante, e os profundos ataques que fazem contra si mesmos têm características de inveja, com seu potencial destrutivo. Este é o aspecto trágico da inveja – o ataque a si mesmo! Abraços!