14 de janeiro de 2018

A psicanálise do século passado e a psicanálise da atualidade

                 
                  Félix Elvas Pequeno

            Se no Século XX falava-se que a Psicanálise era o tratamento do passado, hoje, devemos dizer que ela é o tratamento do futuro. Antes, uma pessoa procurava um analista com a ideia clara do que queria obter, relatando as dificuldades em fazê-lo. Hoje, uma pessoa procura um analista por não saber o que fazer, frente à multiplicidade de escolhas possíveis. É enganoso pensar que uma pessoa deva fazer uma análise para se 'conhecer melhor'. Isto existiu na sociedade passada. A questão, nos dias de hoje, é muito mais o limite do saber, que o seu aprofundamento. Sendo que todo conhecimento necessário para uma escolha ou para uma tomada de decisão é incompleto, a questão fica sendo de reconhecer o limite e poder suportar a aposta necessária provocada por esse saber incompleto. Não existe decisão sem risco. 
           Pensar que existe um saber inconsciente, que um dia vai surgir, contribuiu a uma certa irresponsabilidade, resumida na expressão “só se foi inconsciente”: “Não me lembro, não quis fazer isso... só se foi inconsciente”. O paciente é levado a responsabilizar-se pelo encontro e pelo acaso. Essa responsabilidade é inversa à responsabilidade dita jurídica. Na jurídica, primeiro se é livre, depois responsável. Por exemplo: é necessário que o carro esteja perfeito para que o seu motorista, em suas ações, possa ser incriminado dolosamente. Na psicanálise, ao avesso, primeiro há que se fazer responsável - Você Quer O Que Deseja? - em seguida, pode-se falar em liberdade.
            Na Psicanálise do Século XXI e o psicanalista de hoje devem poder tratar de uma série de novos sintomas, próprios da horizontalidade do laço social da globalização, que não respondem ao tratamento Standard da Psicanálise do século passado. Alguns exemplos: fracasso escolar, agressões inusitadas, toxicofilias, anorexia, bulimia, a epidemia de depressão, fenômenos como a euforia do luxo, a hiper-transparência, os diários pessoais, a doença da saúde perfeita, a ideologia que assegura que para tudo tem remédio. É por essas estações que passa o bonde do sofrimento contemporâneo! 
         

( Síntese e modificações feitas por Félix, em 14/01/2018, do texto do psicanalista Jorge Forbes), Abraços!

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