20 de janeiro de 2018

O Pânico é um Sintoma do Sentimento de Desamparo e não uma Doença.



                Félix Elvas Pequeno

Como a psicanálise pode ajudar no tratamento de sintomas atribuídos ao transtorno(síndrome) do pânico?

              Durante o tratamento psicanalítico procura-se criar com o paciente condições para que ele possa subjetivar e se dar conta da condição de desamparo que é inerente a todos os seres humanos. Até a eclosão da primeira crise de pânico, a questão do desamparo não se colocara clara para o paciente. É comum em quem sofre de pânico, um apego dependente e concreto a alguém ou a alguma situação estável. Por exemplo, o paciente necessita de uma pessoa que o acompanhe e o ampare aos lugares que precisa ir. Ele Imagina, que o seu acompanhante vai lhe amparar caso ele tenha um ataque de pânico. Ele necessita desta presença física para protege-lo! É uma compensação para a sua incapacidade de lidar com a falta e, ilusoriamente, o livra do confronto com o desamparo. O apego ao remédio tem significado semelhante!
               Com o decorrer do tratamento psicanalítico, o paciente vai se dando conta que desde que saímos do útero materno e no percurso até a morte, é fundamental aceitar a nossa condição de desamparo, e que ninguém, nem nenhuma religião, nem nenhum remédio vai nos amparar. Desse modo, o paciente pode começar a dar sentido aquilo que parecia não ter sentido, e aos poucos se deparar com seu desamparo como uma condição humana e não como um doença.
            Durante o ataque de pânico, a pessoa tem a sensação que vai morrer naquele instante e sente um enorme sentimento de desamparo. Quando o paciente reconhece e aceita humildemente, que para o desamparo de todos nós humano não há nenhuma garantia, nenhum fiador, nenhum remédio e que a morte faz parte da vida, ele poderá pensar algo assim:

Penso,logo existo.
Existo, logo morro.
Se não for agora é porque será depois.
Penso logo me acalmo.
Me acalmo, logo aceito o desamparo!
E meu pânico vai se esvaindo...


Abraços!

14 de janeiro de 2018

A psicanálise do século passado e a psicanálise da atualidade

                 
                  Félix Elvas Pequeno

            Se no Século XX falava-se que a Psicanálise era o tratamento do passado, hoje, devemos dizer que ela é o tratamento do futuro. Antes, uma pessoa procurava um analista com a ideia clara do que queria obter, relatando as dificuldades em fazê-lo. Hoje, uma pessoa procura um analista por não saber o que fazer, frente à multiplicidade de escolhas possíveis. É enganoso pensar que uma pessoa deva fazer uma análise para se 'conhecer melhor'. Isto existiu na sociedade passada. A questão, nos dias de hoje, é muito mais o limite do saber, que o seu aprofundamento. Sendo que todo conhecimento necessário para uma escolha ou para uma tomada de decisão é incompleto, a questão fica sendo de reconhecer o limite e poder suportar a aposta necessária provocada por esse saber incompleto. Não existe decisão sem risco. 
           Pensar que existe um saber inconsciente, que um dia vai surgir, contribuiu a uma certa irresponsabilidade, resumida na expressão “só se foi inconsciente”: “Não me lembro, não quis fazer isso... só se foi inconsciente”. O paciente é levado a responsabilizar-se pelo encontro e pelo acaso. Essa responsabilidade é inversa à responsabilidade dita jurídica. Na jurídica, primeiro se é livre, depois responsável. Por exemplo: é necessário que o carro esteja perfeito para que o seu motorista, em suas ações, possa ser incriminado dolosamente. Na psicanálise, ao avesso, primeiro há que se fazer responsável - Você Quer O Que Deseja? - em seguida, pode-se falar em liberdade.
            Na Psicanálise do Século XXI e o psicanalista de hoje devem poder tratar de uma série de novos sintomas, próprios da horizontalidade do laço social da globalização, que não respondem ao tratamento Standard da Psicanálise do século passado. Alguns exemplos: fracasso escolar, agressões inusitadas, toxicofilias, anorexia, bulimia, a epidemia de depressão, fenômenos como a euforia do luxo, a hiper-transparência, os diários pessoais, a doença da saúde perfeita, a ideologia que assegura que para tudo tem remédio. É por essas estações que passa o bonde do sofrimento contemporâneo! 
         

( Síntese e modificações feitas por Félix, em 14/01/2018, do texto do psicanalista Jorge Forbes), Abraços!