25 de dezembro de 2018

Sobre a Psicanálise da atualidade

                  Félix Elvas Pequeno

        Elisabeth Roudinesco: Com relação à psicanálise, no passado, ela foi adotada pelos psiquiatras e psicólogos, mas hoje a psiquiatria se tornou puramente biológica, os psiquiatras são eficazes em receitar remédios. Atualmente, a psicanálise é adotada mais pelos psicólogos. Já no Brasil, em todos os cursos de psicologia, a psicanálise faz parte dos seus currículos. Existe outra razão: acho que os brasileiros são muito mais ecléticos. Ou seja, eles compreenderam que, hoje em dia, as pessoas não querem mais fazer análises longas e sim breves. Por isso, se adaptaram a essa nova demanda dos pacientes. 
       
           É preciso que os psicanalistas se adaptem ao sujeito moderno e eles estão fazendo isso com psicanálises breves, por exemplo. Eles têm razão, porque as análises clássicas são muito longas. As pessoas querem menos silêncio na relação com o analista, os analistas precisam ser mais ativos!     

        Não há razão para reduzir a psicanálise a só analisar o inconsciente, mas também aos conflitos externos que a pessoa tem nos seus laços sociais e familiares: O sujeito moderno não quer mais a mesma coisa que antes, ele quer mais empatia, rapidez e é preciso atender estas demandas, mas do ponto de vista da psicanálise, não do ponto de vista da Terapia Comportamental.
       
          A psicanálise deverá conservar integralmente o seu lugar, ao lado das outras ciências, para lutar contra as pretensões obscurantistas que almejam reduzir o pensamento a um neurônio ou confundir o desejo com uma secreção química.


(Síntese com acréscimos feitos por Félix Elvas Pequeno- Psicólogo e Psicanalista, da entrevista que a psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco concedeu ao jornal digital Nexo, em São Paulo, quando esteve no Brasil em !5/09/2016 para lançamento do livro de sua autoria: "Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo" (editora Zahar). Abraços!


10 de dezembro de 2018

A Depressão é um Sintoma de uma Sociedade Doente!

                 
    Félix Elvas Pequeno

                  "A moral social contemporânea com seus padrões, no dia a dia, cobra das pessoas a alegria, a euforia e a felicidade constante. E muitas pessoas não conseguem, se deprimem e ficam na contramão"! Há uma dívida generalizada das pessoas contemporâneas de estar em sintonia com essa euforia que lhe é exigida pela nossa sociedade perversa. Então elas, quando sofrem, não apenas daquilo que a fazem sofrer- uma perda amorosa, uma morte na família, o desemprego, entre outros sofrimentos psíquicos; mas ainda mais, de culpa por não conseguirem a felicidade constante que a sociedade lhe cobra! Desamparadas e desesperadas, as pessoas vão há um médico (psiquiatra ou não) que lhes prescrevem remédios antidepressivos para o cérebro que só aliviam os sintomas! Mas, que “remédios” devem ser prescritos para as causas de uma sociedade maníaca, doente? O que você pensa?
(Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços!
www.felixpequeno.com.br

“A teoria do desequilíbrio químico do cérebro como a única causa da depressão é uma hipótese que não está comprovada, mas os médicos prescrevem medicamentos, principalmente por causa do "rolo compressor" da promoção farmacêutica.Também temos uma sociedade doente!" É o que diz o Professor Dr. Daniel Carlat- Psiquiatra, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS.(2017)

29 de novembro de 2018

A Vida Precisa do Vazio

       Félix Elvas Pequeno           

             A lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. É no vazio da jarra que se colocam flores. E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas! Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade.(RUBEM ALVES) 

                     É o vazio que possibilita a pessoa impulsionar-se diante da vida e buscar o encontro consigo mesmo e com o outro. O vazio é causa de desejo, pois provoca-nos estar em constante busca por algo que preencha o que está incompleto. A incompletude do humano, causa de tantos afetos, nos impulsionando a seguir o caminho da nossa existência! Somos todos seres incompletos e que a plena completude nunca virá, pois a falta está marcada, como uma tatuagem em nosso corpo, em nossa vida, em nosso mais íntimo ser. Assim é o ser humano, caminha com o vazio que o coloca diante da busca diária por preenchê-lo, ora uma busca leve; ora uma busca pesada. (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!

19 de novembro de 2018

A Verdade e as Mentiras


             Félix Elvas Pequeno

 "Amor sem verdade não é mais do que uma paixão; e verdade sem amor não passa de uma crueldade." (W. Bion, psicanalista inglês, morreu na Inglaterra no mês de novembro de 1979 deixando uma obra vastíssima).

Vou tentar escrever abaixo, uma síntese com modificações do extenso texto que a psicóloga e psicanalista Elena Tomasel escreveu, com a intenção de uma provocação ao pensar!

                 W. Bion, psicanalista inglês já falecido, afirmou que a Verdade é um alimento para a mente. A ideia fundamental deste autor é que a Verdade para se tornar alimento da mente, precisa antes de um cozimento, ou seja, a verdade externa é transformada, cozida pelo aparelho mental e com isto tornada pessoal. Um corpo que não recebe alimentos ou os recebe intoxicados, contaminados sofre, desnutre, definha, adoece e pode morrer. E uma mente que não recebe o alimento da verdade ou que o recebe intoxicado? O que acontece com esta mente? Foi na antiga Grécia, por volta do IV século a. C., que surgiu o diálogo socrático. Era na praça pública da antiga pólis que se construíam conhecimentos sobre moral e filosofia por meio do método – a maiêutica - no qual perguntas eram lançadas com o intuito de fazer as pessoas pensarem e descobrirem as respostas que estavam dentro delas mesmas à espera de uma colheita. Perguntar, perguntar e perguntar colocava os cidadãos a pensar e descobrir que eles próprios detinham sabedoria e conhecimento e, que, muitas vezes, nem ao menos sabiam que tinham.
                Este é o modelo de funcionamento mental proposto por Bion através de sua teoria da mente. A busca pela Verdade está implícita neste modelo teórico. Bion afirma que é desta forma que surgem as controvérsias. E é da controvérsia que se forma o broto de onde o conhecimento inicia a produção de seus frutos. Só que a controvérsia para que dê frutos, necessita de confrontações legítimas e genuínas, pois se isto não acontece corre-se o risco de que os argumentos controversos se esgotem e terminem em um bate-boca estéril, inútil entre pessoas com diferentes pontos de vista. É sempre difícil falar em política, eleições e políticos. Porém não temos como nos isentar desse debate. É difícil resistir à tentação de transportar o conhecimento deste modelo teórico de Bion para o que temos assistido nos acontecimentos nacionais: corrupções, Mentiras, ataques, acusações, xingamentos e desrespeitos... O que vocês pensam? ( Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços! www.felixpequeno.com.br

"Os pensamentos estão à procura de pensadores"-(Bion). Deixar pensar, isto é, deixando que o pensamento surja. Tanto para Bion como para Haideger é assim: pensamos com gratidão, pensamos porque somos gratos.. Há um pensamento da humanidade, um universo de pensamento e de discurso, com o qual tentamos entrar em comunhão." ( Antonio M. de Rezende- A Metapsicanálise de Bion).

17 de novembro de 2018

OBESIDADE: "lembranças do processo de amamentação".

           Félix Elvas Pequeno
         
                   A obesidade está crescendo assustadoramente.O texto abaixo, é somente uma contribuição para a compreensão das causas psíquicas da obesidade!

                     Muitos obesos tentam emagrecer o corpo fazendo exercícios físicos exaustivos, freqüentando “spa”, malhando freneticamente em academias, se submetendo a diversas dietas rigorosas muitas vezes frustrantes. Vão atrás de soluções externas ( cirurgias) para acabar com a gordura, o que ajuda, mas não resolve definitivamente sua obesidade, pois as causas são psíquicas. Os obesos estão, em sua maioria, inconscientemente, fixados na fase oral do desenvolvimento do “Eu”, onde a boca constitui a principal fonte de prazer, preenchimento, bem estar e relaxamento; eles estão bebês mamando no seio da mãe:"lembranças do processo de amamentação”! A fase oral começa com o nascimento e termina normalmente com o desmame.
                      Tais obesos, geralmente buscam na comida, um substituto inconsciente do seio materno em que mamou. Eles precisam fazer uma “dieta mental”, para então emagrecerem fisicamente. Como? Fazendo análise, onde vai tomar consciência dos aspectos inconscientes que o levam à obesidade e ressignifica-los! Quais aspectos inconscientes seriam esses? Dentre vários, cito: voracidade excessiva (ânsia impetuosa e insaciável, que excede aquilo de que a pessoa necessita), impulsos autodestrutivos, fantasias onipotentes, inveja de si mesmo, repressão das emoções, sentimentos de culpa e busca pelo excesso.
                       O que o obeso não sabe, é que ele está tomado por um apetite muito grande, não de comer, mas sim de viver, de amar e ser amado. Ele é uma pessoa rica de recursos internos, mas não tem consciência deles. Só lhe interessa o mundo quente de calorias elevadas, quem sabe, como substituto de “caloria humana” (afeto quente e caloroso). Esse obeso precisa segurar dentro de si seu bebê voraz, movido pelo impulso de morte que muitas vezes vem “embrulhado em papel de presente” (como comidas deliciosas, gostosas, bonitas, prazerosas, apetitosas, mas sem substâncias nutricionais) que pode provocar uma série de doenças no corpo e até leva-lo à recorrer as drogas, para anestesiar suas angústias, entre elas, o excesso de bebidas alcoólicas:“lembranças do processo de amamentação”, tem até uma expressão: “ele estava mamado”!



31 de outubro de 2018

O MARIONETE

         Félix Elvas Pequeno
   
                    Ele(a) se comportava segundo as ordens do seu Mestre, o dono da "manada", dominador e castrador, que ele obedecia cegamente e reverenciava, sem questionar; fingia sorrir, fingia estar bem, fingia ser feliz, pois precisava ser aceito e amado... Ser senhor dos seus desejos jamais, somente realizava os desejos do Mestre. Mentalmente empobrecido, politicamente inocente e tolo. Permitiu-se ser enfeitiçado pelos ensinamentos do Mestre, sem questionar ou se rebelar. Achava que ser normal, era ser igual a “manada”, isto é, fazer tudo igual aos outros, tudo dentro dos padrões e das regras, ser diferente, nunca!
                   Dançava no palco social, conduzido pelos cordões nas mãos do Mestre. Gostava de dançar bolero, dois pra lá, dois pra cá, passo a passo, no compasso do cansaço. Engolia tudo goela abaixo, pois não sabia dizer NÂO, pelo contrário, era medroso e acomodado. Não se rebelava, sendo facilmente manobrado.Num certo dia, tentou se rebelar... Mas a voz do “Mestre” que controlava sua cabeça disse: “Nem tente, não se atreva se não já sabes o que vai te acontecer... Esqueça de seus desejos e seja somente os meus desejos! Seja normal, nunca diferente, sempre adequado e bem adaptado". Sua expressão facial ficou triste e os seus olhos lacrimejaram...
                  Ele continuou fazendo tudo o que seu Mestre mandava. Obedecendo e encaixotado. Ficou eternamente “enfeitiçado”. Sua alma adoeceu e seu coração ficou petrificado. Tornou-se para sempre um(a) marionete com um cérebro programado! E o seu mestre perverso sorria... (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista).Abraços e boa reflexão!

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15 de setembro de 2018

A psicanálise e o esvaziar-se


            Félix Elvas Pequeno

"A palavra foi dada ao homem para encobrir seu pensamento”, Stendhal

                        Entre as inúmeras contribuições da psicanálise para a humanidade, talvez a que mais se destaque é a abertura da possibilidade de escutar o outro. A figura do analista representa um esvaziar-se de si mesmo e abrir-se para as inquietações, conflitos e, fundamentalmente, para o discurso do paciente. Para tanto, é necessário que o analista deixe do lado de fora de seu consultório todas as suas opiniões morais e escute as demandas do paciente sem julgamentos ou concepções pré-definidas. É ouvir o outro em sua inteireza, de forma depurada e sem misturar-se com o que é falado. É ouvir por ouvir, sem a ansiedade de uma resposta que se enquadre em um diálogo. É ouvir sem sequer pensar em construir um diálogo racional. O diálogo se constrói por si mesmo, nas entrelinhas, sensações e naturalidades da fala do paciente. É essa fala do paciente que leva à resposta do analista, como num eco. Não se trata de um diálogo construído: trata-se de um diálogo que simplesmente nasce em si mesmo. Por isso mesmo, o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896-1971) diz que a sessão psicanalítica é um momento sagrado. Sagrado, pois consiste em uma tentativa de encontrar a verdade que não está nas palavras e sim na essência do que é cada ser humano.
                           A verdade que não pertence nem ao analista nem ao paciente. A verdade que pertence à própria experiência humana. Uma verdade intangível, que se estabelece diante da singularidade de cada um e escapa a teorias ou enquadres. Uma verdade que transcende – própria da experiência de cada paciente. Uma verdade que nunca é totalmente revelada, mas pode ao menos ser parcialmente iluminada. Uma boa análise objetiva libertar o paciente de suas próprias amarras fantasiosas e das amarras do meio social em que ele vive. É libertar o paciente do discurso do Outro – como diria Jacques Lacan (1901-1981) –, do discurso dos pais e mães. Mas esses pais e mães ultrapassam em muito a barreira familiar e não são apenas os biológicos. A psicanálise busca libertar o paciente do discurso do poder, das instituições, tradições, imposições e até mesmo das leis que regem a vida social. É libertar o paciente do discurso inventado pela própria história humana. É desintoxicar a mente do excesso de discurso, do excesso de palavras, do excesso de regras estabelecidas que se estendem ao longo da trajetória humana.
                             O papel da psicanálise é reinventar a experiência humana contestando tudo que até então foi imposto ao sujeito pelo discurso externo. É limpar os signos e símbolos em excesso que sufocam o humano e lhe tiram seu caráter misterioso, subjetivo, essencial e quase místico. A psicanálise trabalha com a palavra narrada para desgastá-la a ponto de ela perder sua importância central e restar apenas a essência. A palavra – que muitas vezes cega – é substituída pelo sentir. É esse sentir que levará o paciente a criar sua própria ética. Uma ética que não responde a instituições ou regras estabelecidas, mas que ecoa dentro de sua essência. Uma ética que dispensa a obrigação e o apalavrado – que é essência em si mesma. O paciente, ao estar diante de um analista que se esvazia para contê-lo, aprende também a esvaziar-se para conter todos que o cercam na comunidade. Aprende a olhar o outro sem barreiras morais, respeitando as singularidades, experiências e vivências de cada um.
                             Um ser humano analisado aprende a respeitar o espaço de si e do outro, separando o seu querer e poder do querer e poder do outro. Ele aprende a delimitar-se na relação com o outro, respeitando-o e sabendo instintivamente que para construir-se é preciso do outro, mas que esse outro também está ali para construir-se com ele. Esse paciente aprende a olhar a si e ao outro respeitando o mistério da experiência humana. Respeita-se a si, respeita-se o outro e respeita o próprio mistério do existir humano. É um ser que consegue esvaziar-se de si para acolher o outro. É alguém preparado a conviver com unidade e em comunidade. (Síntese feita em 02/07/2018, do capitulo de livro do Psicanalista André Toso, por Felix Elvas Pequeno- Psicólogo Clínico e Psicanalista). Abraços afetuosos!

11 de setembro de 2018

ESNOBISMO: a arte de aparentar.

         Félix Elvas Pequeno            

                     O esnobe é uma “pessoa” que se sente superior aos demais, desprezando o convívio com quem é humilde e, geralmente convivendo e copiando os hábitos dos que têm prestígio social ou dos que fazem parte da alta sociedade. Os esnobes humilham o povo em suas atitudes, pessoalmente ou através do facebook, instagram,etc. Muitos são empobrecidos intelectualmente e emocionalmente vazios, demonstrando idolatria por riqueza, beleza estética, casonas, carrões de luxo, etc. Os esnobes menosprezam pessoas pobres, de posição social inferior, preferindo se relacionar com pessoas de estatuto social elevado, demonstrando necessidade de exibir ou aparentar um estilo de vida que aspiram conquistar. Tratam com indiferença quem não julga ser influente ou relevante nas suas relações sociais. 
                          
                        O esnobismo tem suas origens, em geral, em pais esnobes - que nunca se preocuparam em ensinar os filhos a julgarem as pessoas com base em valores mais nobres, sem referência a status social, renda ou reputação. Os esnobes preocupam-se mais com a posição das pessoas na sociedade, isso explica por que fazem sempre a mesma pergunta no primeiro encontro: "O que você faz?" E de acordo com nossa resposta, podem abrir um belo sorriso falso ou, simplesmente, dar-nos as costas. Os esnobes são: tolos, invejosos,presunçosos, pedantes, presumidos, arrogantes, convencidos, pernósticos, pretensiosos, pomposos e julgam os outros pela aparência! O nosso maior compromisso continua sendo ser amável e gentil com todos que cruzam nosso caminho! Penso que quem é esnobe demonstra arrogância e superioridade para compensar, inconscientemente, um grande complexo de inferioridade!! 

6 de setembro de 2018

Estamos de PORRE o tempo todo.

   
     
            Félix Elvas Pequeno        
    
                O mundo atual está embriagado pelo "princípio do prazer"(obtenção da satisfação máxima, imediata e segura), para evitar o desprazer (as frustrações inerentes a vida). Sem hipocrisia, o mundo virou um "porre"! Está todo o mundo de "porre". Estando de "porre", temos as nossas atitudes completamente alteradas, perdemos a noção do ridículo, da ética, da vergonha na cara, entramos num gozo deslavado, debochado, escancarado que está nos levando à consequências desastrosas. Estamos dizendo sim a LOUCURA e não a CULTURA! O mundo está repleto de pessoas surtadas. Estamos cercados por atitudes inconsequentes e infantis. Achamos que podemos ter tudo, desejamos levar vantagens em tudo, o tempo todo! Perdeu-se os padrões que nos orientavam (principalmente a família) estamos desorientados, zonzos! 
                  O homem da atualidade está gritando: "primeiro salvo a minha pele" e " eu não tenho nada a ver com isso". Cada um só olha para o seu umbigo e não enxerga o desprezo que causa aos sentimentos dos outros. É uma indiferença perversa à responsabilidade. Onde estão os verdadeiros adultos não embriagados e lúcidos, aqueles com amor no...? O que Freud diria hoje sobre a nossa sociedade contemporânea? Imagino que ele diria: "É uma sociedade perversa, histérica, tola, infantilizada e sem bússola! Abraços!

30 de agosto de 2018

Construa pontes em vez de muros

              Félix Elvas Pequeno

"Que as nossas palavras não sejam usadas para construir muros, mas que elas construam pontes... que nos aproximarão e nos permitirão trocar entendimento, amor fraterno e solidariedade."

             Muitos humanos estão construindo Muros dentro de suas cabeças que projetam nos seus relacionamentos interpessoais, laços sociais, grupos fechados no Facebook, até na própria família, entre tantos outros! Entre os Muros, esses humanos tornam-se paranoicos se protegendo dos outros que estão fora dos seus Muros, pois esses outros são, para eles, perigosos, ameaçadores, assustadores e "fora da casinha". Que tal construir também Pontes dentro das suas cabeças ao invés de Muros? As construções de Pontes serão benéficas, pois as mesmas possibilitarão as passagens do amor, do respeito, da confiança, do compromisso, da lealdade, da cumplicidade, da solidariedade , entre outros.   

              Faço uma sugestão: a partir de agora iremos construir mais PONTES entre as pessoas. Sejamos Pontes que nos unirão sem nenhum tipo de discriminação! Que tal cada um dos amigos, caso deseje, compartilhar e multiplicar essa minha sugestão? Abraços através das Pontes! 

14 de agosto de 2018

Sobre a Timidez

                     
                 Félix Elvas Pequeno

                    A timidez é um sentimento que imobiliza muitas pessoas,impedindo-as-as de ter uma vida mais rica e plena nos relacionamentos sociais. O tímido se retrai e, assim, congela seu afeto. Ele vai cheio de esperanças e expectativas para um lugar, ao encontro de outra pessoa ou mesmo a uma reunião onde trabalha, mas, de repente é invadido por um medo monstruoso de se expor. E o que acontece? É invadido por um sentimento de menos-valia. Fica atrapalhado, engasga, tropeça e fica se sentindo uma pessoinha frágil. Ele tem medo de não agradar às pessoas. Carrega dentro de si um pressentimento de que não vai dar certo, que vai embananar-se todo. Vive fantasias inconscientes de não ser admirado, de não ser correspondido, pois quando criança tinha essas mesmas fantasias de que não era valorizado pelos seus pais quando mostrava suas capacidades. Então foi crescendo e transferindo para outras pessoas aquelas fantasias de quando criança. O medo de se juntar a outras pessoas foi aumentando e o aprisionou dentro de uma concha onde se protege e se esconde. 
                    O tímido tem medo de se entregar ao novo, ao desconhecido. Dentro de sua cabeça, tudo vai acontecer do jeito que ele imagina. Sua mente está cheia de certezas. Ele já sabe tudo o que vai acontecer antes do encontro, portanto, delira e diz: “Se eu for àquele encontro (ou àquela reunião) não vou ser correspondido, não vou me fazer entender, não vou ser capaz”. Pronto, se enfeitiçou. Sente-se incapacitado, um lixo. Ele conta historinhas de monstros e terror para assustar a si mesmo. 
               O que fazer? Quebrar o feitiço. Como? Pensando. O que é pensar? Questionar-se com humildade: “Será que sou profeta ou vidente? Será que tudo o que imagino vai acontecer? Será que eu sei o que se passa dentro da cabeça das outras pessoas, ou estou projetando nelas meus monstros internos? O pensar quebra as fantasias onipotentes, as certezas, o delírio, o feitiço”. Em seguida, após o aprender a pensar, o tímido deve ir em frente, não dá para nascer de novo. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, portanto, fica aí a proposta para o tímido: “amansar” o bicho, o 'monstro' que habita sua cabeça e que é projetado no mundo externo. Caso não consiga pensar sozinho, procure ajuda na psicoterapia! O filósofo Nietzsche dizia haver encontrado dentro de sua cabeça um bicho assustador, um monstro; mas descobriu que esse “monstro” era brincalhão e sorridente. Pense nisso! 

9 de agosto de 2018

Hipocondria: a doença da imaginação.

                     
Félix Elvas Pequeno

                        A hipocondria é um estado psíquico crônico em que a pessoa crê, sem fundamentos da realidade externa, ter uma doença grave, sentir medo da morte o tempo todo; é acometida por uma verdadeira obsessão com sintomas irrelevantes, mantém uma auto-observação constante do corpo e mostra descrença nos diagnósticos médicos. Inconformados com os médicos que afirmam que elas estão em perfeita saúde, muitas dessas pessoas procuram por outro profissional na busca por encontrar um diagnóstico para o mal que supõem acometê-los. Na melhor das hipóteses pensarão: “quem sabe se a doença não começou depois do último exame?”. Algumas vezes concentram suas preocupações sobre um determinado órgão ou sistema corporal (o coração ou o sistema digestivo, por exemplo) e outras vezes variam alternativamente suas preocupações, as quais podem atingir vários órgãos ou sistemas. Muitos hipocondríacos chegam ao médico trazendo uma pilha de exames que colecionam a longo tempo e demandando outros novos. Diante da afirmativa de que nada têm, sentem-se incompreendidos pelo médico e pelos familiares “que não acreditam” no que eles dizem e ficam ofendidos com a sugestão de que devem fazer psicoterapia.
                           Os hipocondríacos “têm” alguma coisa; só que essa coisa não é física, é da cabeça! Popularmente, costuma-se denominar a hipocondria de “mania de doença”. O hipocondríaco é extremamente centrado em si mesmo (narcisista, em termos psicanalíticos) a ponto de não se atentar para a realidade e não se importar com ela. Isso acontece em diferentes graus para cada paciente. Ele se preocupa exageradamente com a possível presença de doença e geralmente pensa ser portador de sinais e sintomas de várias delas, muitas vezes entrando em pânico por isso.
                          Às vezes, os hipocondríacos apenas sobrevalorizam num sentido negativo e pessimista certos sinais próprios da fisiologia normal como ruídos orgânicos comuns, dormências posturais, tremores constitucionais, etc., ou são sugestionados pelas divulgações de enfermidades pela MÍDIA. Em muitos casos se sentem melhor ao tomar remédios, achando assim estar livres das supostas doenças. Outros hipocondríacos “descobrem” métodos alternativos para “curar” as supostas doenças, os quais também não funcionam, já que elas são imaginárias! Os hipocondríacos gastam muio dinheiro com consultas médicas, exames e remédios, muito mais do que gastariam fazendo psicoterapia! O pior é que muitos médicos sabem disso, mas continuam tratando-os como se de fato fossem doentes fisicamente, por que será? 

30 de julho de 2018

O passarinho engaiolado.


Félix Elvas Pequeno

                 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranqüila. Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola. Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim; têm sempre uma coisa apetitosa dentro. Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores, com seu mágico bater de asas; os urubus, nos seus vôos tranqüilos da fundura do céu; as rolinhas, arrulhando, fazendo amor; as pombas, voando como flechas. Ah! Ele queria ser como os outros pássaros, livres... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse. Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre! Saiu.
              Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se se suas asas agüentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. — Ei, você! - era uma passarinha. - Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá... Só o nome gato lhe deu um arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas. A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome.
           Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte. Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta. Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse: — Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...

Meu amigo e ex-supervisor de psicanálise Rubem Alves, pediu-me para contar essa historia para uma paciente que eu atendia na época, que sempre se queixava que estava aprisionada num casamento e que desejava sair dele... 

12 de julho de 2018

Por um mundo de empatia.

                 
Félix Elvas Pequeno

                 Em certos momentos a tristeza é inevitável, assim como, o sentimento de impotência diante da vida, de tal maneira que a chama que nos mantêm firmes enfraquece. Precisamos, então, de pessoas capazes de se colocar no nosso lugar e de algum modo sentir a nossa dor. Ou seja, precisamos da empatia dos que nos cercam para que percebamos que não estamos sozinhos e que por mais dolorosa que seja o percurso, chegaremos ao final. Em uma sociedade tão individualista e egoísta como a nossa, torna-se extremamente difícil encontrar pessoas empáticas. Cada um pensa na sua satisfação pessoal e na resolução dos problemas que unicamente o incomodam, de forma que não há um olhar contemplativo em relação ao todo, para que possamos enxergar que a vida não se circunscreve apenas a nossa existência e que as outras pessoas também têm problemas e dores.
                    Dessa forma, para que se possa ter empatia, antes é necessário fugir do senso comum, que prega apenas valores individualistas voltados para o próprio umbigo. É fundamental permitirmos ter as nossas veias e artérias e coração invadidos por pensamentos, problemas e por monstros diferentes dos nossos. É preciso estar aberto a um ser que mesmo diferente precisa de um olhar e um afago que o faça sentir que não está atravessando aquela tormenta sozinho.
                       Quando estamos tristes não precisamos apenas de alguém que só saiba contar piadas e nos queira levar pra sair. Precisamos de alguém que entenda a nossa dor, que respeite o nosso luto e que demonstre que apesar de incômoda, aquela é uma situação que faz parte da vida e que devemos enfrentá-la por mais que seja difícil.
                     Necessitamos de pessoas que sejam capazes de também mostrar a suas feridas, revelar os seus medos e confessar as suas fraquezas, para que percebamos que não somos os únicos que choramos e às vezes temos vontade de desistir...Não se trata de provocar “felicidade” em função de uma tristeza alheia, mas de demonstrar a humanidade que há em nós, que faz coisas belas e grandiosas e também tem fraquezas, dores e angústias. Isto é, demonstrar que todos nós caímos e precisamos de ajuda e que a dor que agora sentimos, outros já sentiram e sentem, de modo que não há motivo para desespero, pois o fardo que parece insuportável, outros já suportaram, bem como, não é necessário carregá-lo sozinho, pois há alguém para dividir esse fardo e ajudá-lo a sair dessa situação. Assim, ter empatia é ter o coração aberto para outra vida que precisa de nós naquele momento! 

27 de junho de 2018

O que é Chantagem Emocional



Félix Elvas Pequeno

Sobre a chantagem emocional. No vídeo acima, o meu colega Dunker, psicólogo e psicanalista explica de uma maneira bem humorada, como ocorre a chantagem emocional. Vale apena assistir o vídeo de apenas 7 minutinhos. Abraços!

22 de junho de 2018

A frustração é fundamental para o desenvolvimento psicológico do humano

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                   Félix Elvas Pequeno

                  A frustração é fundamental para o desenvolvimento          psicológico do humano.
                    
             
             Apesar de parecer um sentimento decorrente de situações de fracasso, a frustração é de extrema importância para a constituição psicológica dos indivíduos. Alguns autores descrevem a frustração como necessária ao desenvolvimento infantil. Em níveis suportáveis, a falta, a carência ou a desilusão estão associadas ao desenvolvimento da capacidade de adiar gratificações, que é fundamental para a vida em sociedade. 
             Nesse sentido, evitar frustrações pode ser um dos fatores de uma formação adaptativa deficiente: uma criança muito protegida ou cujos desejos foram sempre imediatamente satisfeitos pode ter dificuldades em compreender a realidade da existência adulta, em que o desejo e a satisfação estão cada vez mais distantes e exigem cada vez mais trabalho e dedicação. Uma criança despreparada para suportar frustrações pode se transformar em um adulto que desenvolve crises emocionais por razões ínfimas ou que se sente constantemente insatisfeito. Não se pode, todavia, resumir a dificuldade adaptativa dos adultos à superproteção dos pais, já que existem outros fatores que influenciam nessa formação deficiente, como a cultura e as formas de organização da sociedade. 
                    Na sociedade em que vivemos, o prazer e a satisfação são constantemente cultuados e a frustração aparece como a pior experiência. Todos os esforços estão voltados para evitá-la. A psiquiatria se esforça para evitar as frustrações entorpecendo seus pacientes. As escolas se esforçam para satisfazer os desejos de crianças e seus pais tem dificuldades em colocar limites aos seus filhos superprotegendo-os! Nesse sentido, a inadaptação é generalizada: os adultos e crianças, incapazes de experienciar a frustração, porque foram despreparados para isso, são inundados por falsas realizações e se apegam ao conforto proporcionado artificialmente por elas. Ao meu ver, a frustração é um bem e quando suportada gera autoestima! .(Síntese e modificações feitas por Félix em 13/06/2018 de texto de Juliana Spinelli-Psicologa)

11 de junho de 2018

SOBRE AS MÁSCARAS

                 
     


                      Félix Elvas Pequeno

                     Muitas vezes, usamos máscaras acreditando que isso nos protegerá da dura realidade da vida, do sofrimento mental e das frustrações. É uma sensação falsa, pois acreditamos que podemos influenciar as pessoas e até manipulá-las. A verdade é que criamos personagens para nos escondermos de quem realmente somos. Se estamos insatisfeitos conosco ou com a vida que construímos, que tal desconstruirmos nossa maneira de pensar e começarmos a nos reinventar, fazendo novos percursos. É trabalhoso? Muito! "A rapadura é doce, mas não é mole". É fundamental "rasparmos as tintas com que nos pintaram. Desencaixotar emoções e recuperar sentidos" e sermos autênticos.
           Precisamos ter coragem e pararmos de usar máscaras nos nossos relacionamentos interpessoais. Deixarmos de ser covardes! Escutarmos mais, prestarmos atenção no que as pessoas estão falando e humildemente aprendermos com elas. Todos os dias surgem novos aprendizados e novos caminhos para escolhermos. Muitas vezes é preciso desaprender para re-aprender. É necessário sermos nós mesmos e respeitarmos os outros como eles são! As minhas máscaras estou tirando-as, dá um trabalho danado! E você com as suas máscaras, o que está fazendo? Cuidado, pois as máscaras podem grudar no seu rosto e nunca mais saírem!
(Félix, 11/06/2018). Abraços!

www.félixpequeno.com.br

20 de maio de 2018

DOENÇAS SÃO PALAVRAS NÃO DITAS


           

    Félix Elvas Pequeno

                    Infelizmente, muitos médicos, salvo algumas nobres exceções, medicam antidepressivos e ansiolíticos excessivamente, somente por um enfoque biológico, onde todos os transtornos mentais estão localizados no cérebro. Acontece que o humano é um ser bio-psico-social e os médicos sabem disso! Portanto, é fundamental que os transtornos mentais, também sejam tratados por psicoterapia psicanalítica ou psicanálise, pois os pacientes muitas vezes são dopados e silenciados devido a dosagens excessivas de medicamentos psiquiátricos. A psicoterapia psicanalítica, é o tratamento através da palavra onde os pacientes podem falar livremente o que vem na sua mente sem ser censurados ou silenciados. Os seus conflitos internos e /ou externos (nos laços sociais e familiares) são investigados e trabalhados, através da livre associação de idéias, tornando para o paciente consciente o que até então lhe era inconsciente.
                   Penso que o tratamento combinado (medicamentos prescritos com ética e psicoterapia psicanalítica) seja fundamental para lidar com os sofrimentos psíquicos dos pacientes. Cuidado, uma forte propaganda convenceu muita gente de que a depressão é uma doença como outra qualquer, como quebrar o braço em um acidente ou contrair malária. Essa propaganda de fortes coloridos interesseiros dos laboratórios e da indústria farmacêutica – veiculou a ideia de que você não tem nada a ver com a sua depressão, que os sentimentos são cientificamente mensuráveis e estão no cérebro e, em decorrência, controláveis por excessos de medicamentos psiquiátricos e procedimentos invasivos como ECT (tratamento de choques).
                    Os medicamentos não tratam das causas da depressão e sim dos sintomas. Portanto, é necessário também que a pessoa busque ajuda na psicoterapia psicanalítica para, através das palavras, solucionar os conflitos Inconscientes que estão nas origens da depressão. Não podemos esquecer que o uso de antidepressivos, com ética, é importante e necessário nas depressões severas e em casos de risco de suicídio. “A teoria do desequilíbrio químico do cérebro como a única causa da depressão é uma hipótese que não está comprovada, mas os médicos prescrevem medicamentos, principalmente por causa do "rolo compressor da promoção farmacêutica". É o que diz o Professor Dr. Daniel Carlat- Psiquiatra, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS. (Félix, 17/05/2018). Pense Nisso! Abraços

5 de maio de 2018

Um mulherão não precisa de mimim´s (frescuras,etc.)


            Félix Elvas Pequeno

             Nós, mulheres, somos escravizadas por nós mesmas ao nos impor modismos e regras absurdas. Chega dessas concepções que mulherão é ser gostosa, é ser percebida na multidão. Para ser qualquer “ão”, tem que ser especial, fazer a diferença, sem qualquer dieta absurda, sem qualquer padrão imposto por uma sociedade que nos diz que para ser ideal, é preciso ter tantos centímetros disso ou daquilo de acordo com altura. Basta de tantas discrepâncias que levam muitos mulherões a neuroses diversas: emagrecer milhares de quilos em uma semana; comprar sapatos e roupas de marcas sem muita condição financeira; comprar no cartão de crédito em duzentas mil vezes porque está na moda; fazer sexo descartável e ora ficar com um, ora ficar com outro sem afeto, somente indo atrás da pica(pênis), talvez porque falta em nós? 
                Somos um mulherão quando olhamos para o nosso corpo flácido, com estrias, com celulites, alguns pés de galinhas e, mesmo assim, está tudo muito bem, porque são marcas registradas da vida, das experiências, do tempo. Ser um mulherão é se amar por inteira, mesmo se alguns quilos sobram. Ser um mulherão é se sentir gostosa dentro de uma calça de jeans e camiseta, sem precisar usar shortinhos e minissaiazinhas que mais parece um cinto para seduzir, como adolescentes que já fomos no passado. Um vestido novo, uma ida ao salão de beleza, fazer atividade física, comprar o sapato bonito, são necessários também, porém que não seja escravidão imposta, compulsão causada por decepção e solidão, mas que sejam opções para nos sentirmos mulherões de fato. Não há necessidade de unhas e cílios postiços. Não há necessidade de exibir decotes e pernas invejáveis de maneira vulgar, obscena! Não há necessidade de se matar na academia para queimar gordurinhas extras e ficar sequinha. Não há necessidade de cabeleireiro todas as semanas e nem fazer as unhas. Não há nenhuma necessidade, se você não se ama, não consegue se sentir importante para quem está ao seu lado e está vivendo apenas de fachada. 
                   Quer ser um mulherão? Seja você mesma sem qualquer “mimimi” de uma sociedade que te seduz e depois nem te percebe. Seja apenas um mulherão do seu jeito, nem que seja às avessas! O mais importante está nas entrelinhas da sua beleza interior e na delícia de se viver livre e com elegância!! Pense nisso! (Síntese e modificações feitas por Félix em 02/01/2018 do texto de Simone Guerra). Abraços!

4 de maio de 2018

Sobre a projeção

   


       Félix Elvas Pequeno

                  A projeção faz parte de um conjunto de mecanismos de defesa inconsciente introduzidos por Freud e pela sua filha Ana Freud. A projeção tem a função de proteger e defender o nosso eu, das ameaças, e consequentemente reduzir a nossa ansiedade. Quando um indivíduo confrontado com os seus comportamentos, atitudes, sentimentos ou emoções e percebe que são inaceitáveis (por outros ou por ele próprio) ou indesejados, o mesmo individuo atribui tudo isso ou uma grande parte à outra pessoa.Geralmente, no dia a dia, quando estamos falando sobre o outro, inconscientemente (sem nos darmos conta), estamos, também, através do outro falando de nós mesmos! Um exemplo prático é o da pessoa que fala: “você reparou como aquela pessoa é fofoqueira e está sempre falando pelas costas dos outros?”. A pessoa acabou de se mostrar fofoqueira, mas projetou esta característica indesejada no outro. A projeção negativa provavelmente é a mais “popular” porém, também existe a projeção positiva, quando atribuímos a um amigo, vizinho ou colega características que admiramos nele e identificamo-nos com ele. Muitas vezes o que nós vemos nos outros, não é bem o que nós vemos, mas sim o que nós somos!

29 de abril de 2018

O mito de Sísifo: uma metáfora da contemporêneidade

               


     Félix Elvas Pequeno         

                                Cansado de ser enganado por Sísifo, Zeus condenou-o a carregar com as mãos uma pedra pesada até o cume de uma montanha. Lá, exausto, não tem forças para impedir que ela role ladeira abaixo, de volta ao ponto de partida, de onde Sísifo tem que recomeçar de novo, todos os dias e por toda a eternidade. Quantas pessoas estão rolando pedra morro acima? Quantas insistem num caso que nunca terá solução? Ou teimando em mudar outra pessoa para se satisfazer? Exercendo uma função rotineira e vazia? Quantas se acham num martírio sem fim? A maioria? Quantas vivem sob o domínio das ideologias e utopias sem questioná-las? Quanto dinheiro é gasto no inútil esforço de parar o tempo e se tornar jovem para sempre? 
                                     "O trabalho de Sísifo" é uma expressão popular originada a partir da mitologia grega, remetendo a todo tipo de trabalho ou situação que é interminável e inútil. O significado contemporâneo desta expressão está relacionado com a idéia de que por mais trabalho e esforço que se faça em relação a algo, os resultados são sempre infrutíferos, irrelevantes e frustrantes! E você, é um Sísifo contemporâneo?

20 de abril de 2018

Transtorno Obsessivo-Compulsivo:Rituais, Manias e Aprisionamento

                   
              Félix Elvas Pequeno

                   Rituais e manias, em alguma medida, fazem parte do nosso dia a dia e o ideal é que sejam formas de nos ajudar com a organização da rotina, das nossas tarefas, ou mesmo no trabalho. Mas pode não ser sempre assim. A partir do momento em que tais comportamentos tornam-se imperativos e controlam a vida do indivíduo, causando sofrimento e prejuízo em sua vida social e emocional, podemos estar diante de um transtorno grave, que requer tratamento. Confira na sequência mais informações sobre transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), e sinta-se à vontade para deixar comentários e dúvidas.
         
                      Transtorno Obsessivo-compulsivo: rituais, manias e aprisionamento.

                      O Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido como TOC, é um Transtorno  Mental caracterizado pela presença de ideias estranhas e incontroláveis que atormentam incessantemente o sujeito, e pela constante luta contra esses pensamentos. Há também compulsão a realizar atos indesejáveis, rituais esconjuratórios e um modo de pensar ruminante. Pensamentos mágicos e dúvidas que levam à inibição do pensamento e da ação, também fazem parte do quadro (esses pensamentos dominam as ações da pessoa e impedem que ela se comporte livremente).
Segundo a psicanalista Luciana Saddi, membro da SBPSP, nas primeiras iniciativas de se estudar os transtornos mentais, entre 1894 e 1895, a neurose obsessiva foi isolada por Freud de outros sintomas psiquiátricos. Naquele momento, Freud compreendeu-a como um quadro psiquiátrico autônomo e independente, pertencente à família das psiconeuroses. Na época, os médicos consideravam que era uma degeneração e que o quadro era incurável.
                     De acordo com ela, atualmente, na Psicanálise, fala-se em uma estrutura mental obsessiva ou em traços obsessivos de personalidade e a formação dos sintomas ocorre quando conflitos irremediáveis, recheados de afetos intensos e simultâneos de amor e ódio surgem e, por algum motivo, não se resolvem. Diante disso, nasce a necessidade de controlar a vida pulsional e desviar a sexualidade e a agressividade para fins aceitáveis. Mas, como é característico das formações sintomáticas, o ‘tiro sai pela culatra’ e a defesa se torna adoecimento. No caso desse transtorno, os mecanismos de defesa mais evidentes são: o deslocamento de afetos para ideias distantes das que originaram o conflito e o isolamento, que quebra as conexões do pensamento, e desliga o sujeito de sua própria história e de seus afetos.
                      Segundo a psiquiatra e psicanalista Suzana Grunspun, esse é um dos transtornos mais prevalentes na população e considera-se que sua variabilidade clínica e diversidade de sintomas são fatores complicadores de diagnóstico. Isso preocupa a Organização Mundial de Saúde (OMS), pois o TOC é considerado uma doença incapacitante.
Desde a década de 50 a Associação Psiquiátrica Americana publica o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, cujo objetivo é fornecer uma fonte segura e científica para fundamentar a pesquisa e a prática clínica. A psiquiatria preconiza a identificação de sintomas, segundo as normas estabelecidas pelo manual DSM V, para fins de diagnóstico e para o tratamento dos pacientes. A psiquiatria não se dedica tanto, como a psicanálise, à compreensão dos aspectos emocionais que podem estar subjacentes ao quadro estabelecido.
                         No DSM V, o TOC é descrito pela presença de obsessões, compreendidas como pensamentos repetitivos e persistentes, imagens ou impulsos e/ou compulsões que são comportamentos com rituais repetitivos ou atos mentais, nos quais a pessoa se vê obrigada a fazer em resposta a uma obsessão. O psiquiatra, baseando-se na presença quantificada  de obsessões e/ou compulsões e a partir de critérios estabelecidos, proporá o diagnóstico. Atualmente, existem medicamentos indicados para o tratamento, que devem ser prescritos com rigor e que ajudam no alívio dos sintomas. Isso reduz a carga de sofrimento do indivíduo e propicia uma melhora em sua qualidade de vida.
                   
                   Mas como a Psicanálise compreende o TOC?
                 
                    Como se sabe, a noção de inconsciente é fundamental na Psicanálise e, segundo Luciana Saddi, no núcleo desse sofrimento e desse conjunto de sintomas está a imperativa necessidade inconsciente de controlar. Controlar afetos indesejados, ideias que podem surgir de repente causando desordem ao sujeito e impulsos de natureza sexual ou hostil que perturbam a ordem estabelecida. Se juntarmos a necessidade de controle com o pensamento mágico e acrescentarmos, nessa equação, a confusão entre desejo e ação, teremos todos os ingredientes para a estrutura mental obsessiva. Além do tratamento com medicamentos, também a análise pode contribuir para a melhora dos sintomas.
                    Analista e analisando trabalham no sentido do surgimento de um saber singular sobre o sujeito em análise. Trata-se, assim, de identificar as entranhas que dão suporte aos sintomas, aquilo que está na base dessas defesas. Procurar eventuais explicações sobre como se formam tais pensamentos e afetos que geram os sintomas não é, na Psicanálise, o foco do tratamento. O discurso do paciente revela uma verdade intrínseca a ele e o trabalho de análise oferece uma oportunidade única: o analisando pode ser escutado por alguém que não participa de sua vida familiar e que não deseja lhe impor nenhuma verdade ou saber pronto. O analisando pode falar e se escutar ou se calar. O espaço é livre de obrigações e performances, e a ideia é que, por meio de trocas e experiências que só dizem respeito àquela dupla, seria possível chegar aos núcleos inconscientes que mantém os sintomas ativos.
                     Em relação à cura, sim, ela pode ser alcançada em muitos casos. Em outros, trabalha-se em busca do abrandamento dos sintomas, para que o sujeito possa seguir com sua vida, sem tantos prejuízos. O importante é que as pessoas busquem ajuda, pois existe sim tratamento, tanto do ponto de vista psiquiátrico como psicanalítico. Se vai haver a supressão total da sintomatologia, ou apenas seu abrandamento, é impossível saber de antemão. O que se sabe é que atualmente as ciências da área da saúde dispõem de recursos que se complementam e que não só podem como devem ser utilizados em conjunto, buscando o alívio do sofrimento e a recuperação da energia de vida que os transtornos mentais subtraem dos indivíduos.

Fontes:
Luciana Saddi – mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, psicanalista e membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).
Suzana Grunspun – psiquiatra, psicanalista e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).

10 de abril de 2018

CORTE O GALHO DE SUA ZONA DE CONFORTO



             Félix Elvas Pequeno

Um rei foi presenteado com dois jovens falcões. Este, imediatamente contratou um mestre em falcões para treiná-los. Depois de vários meses, o instrutor disse ao rei que um dos falcões foi bem educado, mas não sabia o que estava acontecendo com o outro.
Desde que ele tinha chegado ao palácio, ele não havia se mudado de galho, ainda tinha que levar a comida diariamente a ele.
O rei chamou diversos curandeiros, especialistas em aves, mas nenhum pode fazer o pássaro voar. Desesperado, ele emitiu um decreto proclamando uma recompensa para aqueles que fizessem o falcão voar.
Na manhã seguinte, o rei viu o pássaro voando em seus jardins.
– Traga o autor deste milagre! Ordenou o rei.
Apareceu diante dele um simples camponês. O rei perguntou:
– Como você conseguiu fazer o falcão voar? Você é um mago?
– Não foi muito difícil meu rei – disse sorrindo o homem. – Eu só cortei o galho que ele estava. Naquela ocasião, o pássaro foi deixado sem nenhuma outra alternativa senão levantar vôo.

                     É esse medo de perder o que se tem que te deixa em uma zona de conforto, por mais desconfortável que ela seja, você sabe tudo o que já perdeu e tudo o que ganhou para estar ali. Se sair deste lugar, não se sabe o que vai ter no outro lugar, e corre-se o risco de perder algo e a verdade é que ninguém quer perder nada. Pense em o que você está fazendo para se manter em sua zona de conforto. O que tem medo de perder, o que o mantém onde está? Não deixe o comodismo te fazer infeliz, arrisque! Saia do seu galho e voe! 

30 de março de 2018

A Verdade Nua e Crua

                   

 


                  Félix Elvas Pequeno

                    Há pessoas que são mentirosas, mas se travestem de verdadeiras. Aos olhos de outras pessoas, é costume aceitar as pessoas mentirosas vestida de verdade, do que as pessoas que são verdadeiras nua e cruamente! “A verdade as vezes é quase que insuportável....” Na parábola abaixo você entenderá o que acabo de escrever.

"Diz uma parábola judaica que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade.
E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira.
- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:
-Venha dona Verdade, a água está uma delícia.
E assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora.
A verdade por sua vez recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira e por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar pelas ruas.
E aos olhos de outras pessoas era mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua."Abraços!

24 de março de 2018

Do equilíbrio do Desejo

               

                Félix Elvas Pequeno

                  O desejo grita: "eu quero!" A sociedade responde: "não podes!" O desejo procura o prazer, a sociedade proclama a ordem. O viver cultural estabelece regras que não são condizentes com a realização de todos os nossos desejos. Temos que aprender um modo equilibrado de existência, em que é preciso contentar-se com uma satisfação parcial do desejo, muitas vezes adiada, e nem sempre existente. Penso que é necessário sermos senhores, e não escravos dos nossos desejos! O desejo está aí para ser desejado e isso não significa que todos os desejos devam ser realizados.
                  Não precisamos sempre dizer: "vou tomar só uma cervejinha" e não parar mais. Nem comer até passar mal. Não precisamos ser amado, até se deixar sufocar e nem amar até tirar o ar do outro. Não precisamos sempre fazer sexo desenfreado e sem afeto. Não precisamos somente usar o corpo malhado e maquiado, para seduzir e sermos desejados. Nem precisamos trabalhar o tempo todo, nem tirar férias o tempo todo. Não precisamos ser felizes ou tristes o tempo todo. A vida está nas oscilações. Nem toda perda dói, nem toda realidade nos angustia.
                 Assim sendo, nosso desejo nunca poderá ser plenamente satisfeito. Isso não significa que não devemos sequer irmos em busca daquilo que desejamos, pois dizer que o nosso desejo não pode ser plenamente satisfeito, não é o mesmo que dizer que o nosso desejo não pode ser parcialmente satisfeito. Então, que nos satisfaçamos parcialmente! Que sejamos não-todos felizes, mas ainda assim, felizes. Que sejamos não-todos leves, mas ainda assim, leves. "Nem tanto ao céu, nem tanto a terra" com os nossos desejos! 

22 de março de 2018

Sociedade de BEBÊS Gulosos


  

                      Félix Elvas Pequeno· 
 
Estamos numa sociedade do narcisismo, do egoísmo. Cada um só pensa no seu umbigo e os outros que se FERREM! Achamos que podemos ter tudo, engolir tudo, o tempo todo, insaciavelmente e vorazmente como BEBÊS gulosos. Estamos empanturrados e continuamos gritando: ”eu quero, eu quero, eu quero, é pouco, eu quero mais..."
Até quando continuaremos chorando e gritando: “eu quero, eu quero, BEBÊ quer mamar mais leite..." Abraços!

19 de março de 2018

Sobre a Hipocrisia

                   

                  

            


     Félix Elvas Pequeno

                     

                       Há pessoas que tentam corrigir as outras, aquelas cheias de lábia, que tem um discurso pronto, e a língua é venenosa, sabe da vida de todo mundo, é um investigador da vida dos outros, mas não consegue enxergar e investigar a si próprio. A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, qualidades, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não as possui. Em poucas palavras, a hipocrisia é a manifestação fingida de bons sentimentos!! “Quem sabe adular também é capaz dê caluniar”. Características do hipócrita: falsidade, ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, dentre outros. No contexto do comportamento humano, parece-nos que a hipocrisia – nos dias atuais – é uma característica comportamental observada em alguns ou vários momentos nos contextos que fazem parte da vida do ser humano. 

                      Jacques Anatole France, poeta e romancista francês, dizia que “não há castos, mas sim muitos sociopatas, hipócritas, canalhas e perversos”. Penso que, atualmente, a hipocrisia está tão impregnada nas relações humanas, nas instituições, na política que em muitos momentos ela (hipocrisia) é – mesmo quando percebida – consentida e bem recebida pelas pessoas, especialmente as inseguras e com baixa auto-estima ou carência afetiva. Por trás de um grande moralista há um hipócrita perverso!! Abraços!

13 de março de 2018

Suicídio e Psicanálise

                       
                Félix Elvas Pequeno   

                   Viver implica sentir prazer e dor. A ciência médica, hoje em dia, nos propõe alívio para qualquer dor física. Quanto à dor psíquica, aquela angústia inerente às nossas perdas, frustrações, escolhas, imperfeições e limitações, a natureza nos dotou do sono para não termos que enfrentar a realidade o tempo todo, sendo que o sonhar nos ajuda a organizar e dar sentido às experiências prazerosas, enigmáticas ou dolorosas vividas durante o dia. Mesmo acordados não precisamos estar o tempo todo em contato com a realidade, podemos fantasiar, ou seja “sonhar acordado”. O suicídio é um sono sem sonhos do qual não se acorda jamais. Para algumas pessoas o sono e o sonhar são suficientes; outras buscam as opções criadas pela cultura: álcool, drogas, psicofármacos; para 3 mil, diariamente, segundo a Organização Mundial da Saúde, só o suicídio é visto como solução. Por quê? Porque a capacidade para lidar com os afetos dolorosos sem que o Eu se desagregue é extremamente variável entre as pessoas e também na mesma pessoa ao longo da vida.              
                     Cada um comete o ato suicida por razões singulares. Vingança, raiva, autopunição, culpa, desesperança, vergonha, humilhação, inferioridade são estados afetivos comumente narrados pelas pessoas com ideias suicidas, mas sob estes subjazem outros que no momento não estão acessíveis à percepção da pessoa. Esses afetos vão se tornando intoleráveis, as ideias suicidas vão aparecendo, preparações para o ato começam a ser construídas e em determinado momento o controle egóico entra em falência e o ato ocorre. A psicanálise nos ensina que em todo evento psíquico há conflito, há dois lados: no caso do suicida é entre a vontade de matar o corpo e a vontade de sobreviver.       
                   O suicida espera que vá existir um “estado de não sofrimento”, quando na realidade não existirá “estado” nenhum, apenas um puro corpo morto. A lógica do suicida não é a lógica comum, mas para este faz todo o sentido. A pessoa deve ser levada a sério em suas ideias. Quanto antes estas forem identificadas maior é a possibilidade de ajudar a pessoa a se reconciliar com seu lado que quer sobreviver, dando significados que tornem suportáveis a dor de viver nesse mundo que ela quer deixar e, quem sabe, modificar sua convicção suicida. (Síntese feita por Félix, em 11/03/2018 do texto de Sandra Maria Gonçalves-psicanalista, membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Abraços! 

9 de março de 2018

A Felicidade não é para Covardes

                          
Félix Elvas Pequeno    

                     Muitas pessoas costumam postar nas redes sociais fotos belíssimas, simulação de uma vida esplendorosa, justamente para preencher a falta de uma vida perfeita, que não existe! A felicidade não é pra covardes, eles sempre preferem dizer que estão felizes porque fazem aquilo que a sociedade em determinado momento estabelece como sendo felicidade. Penso diferente, a gente inventa a felicidade, e inventar é criar, construir alguma coisa que nos faça feliz. Então a felicidade é para os corajosos porque ela implica em riscos, já que ela é inventada. A felicidade é uma conquista! O contrário, é se ADAPTAR ao que é estabelecido pela sociedade, que é o que o covarde faz! Para o humano se sentir feliz, ele tem que viver uma vida que passe também por dores. Uma pessoa que não quer sofrer de jeito nenhum, cria milhões de artifícios para se afastar do sofrimento, sendo assim ela também não pode se envolver com outros sentimentos intensos como a felicidade. 
                   'Eu acredito na felicidade, não nessa falsa felicidade que muitas vezes nos impõem a sociedade, mas na que vem de dentro, das nossas escolhas, naquela que nos motiva a ir a luta, a enfrentar os obstáculos pela realização de um objetivo, sem ter que pisar ou passar por cima dos sentimentos dos outros.' Ninguém merece ser feliz, com as perspectivas daqueles vendedores de métodos convincente de como alcançar a maior felicidade. Eu desejo que você reflita que a nossa vida, a vida real, tem um vazio imenso que sempre vamos buscar preencher. Mas podemos fazer de uma forma diferente! Não precisamos provar ao outro, e principalmente para seus quase 1000 amigos virtuais no facebook ou 600 seguidores no instagram, que somos capazes de conseguir o emprego dos sonhos, ter um relacionamento invejável, filhos perfeitos, ir a festas incríveis, viagens internacionais. A felicidade está em pequenas atitudes que podem ser realizadas no dia a dia.
                  Não pense que sua vida é pior que a daquele amigo virtual que faz um monte de postagem maquiando uma realidade que não lhe pertence. Isso pode lhe trazer prejuízo emocional! Possivelmente se você trocar as horas que fica nas redes sociais por um bom livro, uma caminhada, um bom filme, escrever textos para os amigos refletirem, jardinagem, trabalhos voluntários, a fim de trocar experiências com pessoas diferentes, será um grande passo para não ficar com baixa autoestima. Lembre-se que as pessoas mostram nas redes sociais o que elas gostariam de ser, e não o que elas realmente sentem ou são. “Para alcançar a felicidade é necessária uma boa dose de invenção, ousadia e coragem, e não se medir pela expectativa do que esperam de você". Abraços!

23 de fevereiro de 2018

sobre o Sofrimento de "Fome de Amor".

                   

                      Félix Elvas Pequeno

                Penso que há uma epidemia de“dependência emocional”. As pessoas procuram reconhecimento no outro porque sofrem de "fome de amor". Estamos mais dependentes emocionalmente e está dependência se manifesta na preocupação constante do indivíduo com que os outros pensam dele. Ele quer saber se agrada, se é amado. A preocupação das pessoas de quantas curtidas receberam no Facebook ilustra bem isso. Também há uma procura por relacionamentos virtuais através de aplicativos como tinder, par perfeito, entre outros, onde qualquer "pessoa" serve para ser comida e saciar a "fome de amor", mesmo correndo riscos de contrair doenças infecto-contagiosas e até se expondo à psicopatas! Muitas vezes o impulso de morte, vem embrulhado em papel de presente. 
                      As pessoas mais ingênuas e vulneráveis precisam desse reconhecimento mais que as outras, pois sofrem de "fome de amor". Elas são muito sensíveis em relação a como os outros a acolhem — de forma risonha ou carrancuda, com muitas ou poucas palavras, se são abraçadas ou beijadas. Nesse contexto, cria-se um desconforto nos laços afetivos-sociais, já que o não reconhecimento do outro é fonte de desconfiança, perseguição e até mesmo de agressividade.
                       O que leva a uma dependência estrema da pessoa por amor é uma sensação de baixa autoestima e à busca pelo excesso. É preciso compreender, entretanto, que aqui estamos falando de pessoas que vão para um extremo! Afinal, todos nós precisamos do outro para nos constituir enquanto pessoa, construir uma identidade, receber aceitação, carinho e amor. A nossa mente é danada para nos pregar peças, e pode transformar esta “fome de amor” em uma fome real. Podemos encontrar pessoas que chegam a ficar obesas, porque comem buscando, preencher todo tipo de vazio existencial, inconscientemente, comendo com voracidade excessiva o alimento-amor! Abraços!

19 de fevereiro de 2018

Os Livros de Auto-Ajuda Não Funcionam

               

                     
               
                  Félix Elvas Pequeno

             
             Os livros de autoajuda se trata de uma leitura marcada pela ingenuidade, porque quem lê um livro dessa categoria acredita que vai resolver seus problemas quase instantaneamente. As críticas contra a autoajuda baseiam-se no discurso ilusório que alguns títulos podem trazer, aqueles que sustentam a impressão de que existe um alguém – no caso, o autor do livro – capaz de dar receitas sobre como vencer determinados problemas. Esse tipo de livro sustenta o “discurso da certeza”, em que sentenças imperativas parecem apontar soluções certeiras: “faça”, “seja”, “sorria”, “dê”. “Uma das críticas grandes que se faz é uma universalização da vida. É como se dissessem (os autores): ‘o que serviu pra mim, serve pra todo mundo’. Isso é um elemento negativo”. É fundamental alertar para o risco do tratamento exageradamente simples dado a determinadas patologias em alguns livros de autoajuda. “Você tem um texto falando assim: ‘vença a depressão em dois dias”. 
                 Penso que qualquer coisa que der fórmulas de como crescer, como ser feliz, como ter sucesso, dentre outras, é autoajuda. Os livros de auto-ajuda são como um copo de leite para quem tem azia ou úlcera, produz um alívio imediato, mas logo, a dor perfurante volta em dobro. Em dobro porque, agora, você continua não conseguindo resolver nada. E, pior,você agora acha que as coisas são simples, que a vida é simples, que nossos problemas são simples. Pode até ser que a vida seja simples, mas nós não somos!
                   Os autores de auto-ajuda, só ajudam a eles mesmos, é claro, financeiramente! Eles apenas se aproveitam da carência, da ingenuidade de um público sedento por conhecimento e inundam as prateleiras com livros que prometem a felicidade eterna, mas entregam textos ruins, repletos de fórmulas ilusórias para o sucesso. Essa onda de querer ganhar dinheiro vendendo fórmulas prontas para combater a ansiedade,pânico, depressão e afins sem base científica, aumentou muito, na internet. Embora continuem populares, os livros e programas de auto-ajuda tem sofrido críticas por oferecer "respostas fáceis" para problemas pessoais complicados. De acordo com essa visão, o leitor ou participante recebe o equivalente a um placebo enquanto o escritor e o editor recebem os lucros Abraços!

" A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” -Sigmund Freud.

16 de fevereiro de 2018

Sobre o 'dedo podre'

   
               
               
                    Félix Elvas Pequeno             

                       
                "Dedo podre”, a inclinação que têm algumas pessoas, homens e mulheres, de escolher sempre o parceiro errado. Há muitas pessoas assim. Elas não têm sexo, idade ou tipo físico determinado. Nem o temperamento delas é parecido. Em comum, têm apenas essa terrível tendencia a se ligar emocionalmente a gente inviável – que, por uma razão ou por outra, é incapaz de manter com elas o tipo de relação que elas gostariam de ter. Não se trata de azar! Se o primeiro namorado da Fulana era um malandro mentiroso, o segundo um psicopata ciumento e o terceiro ainda está apaixonado pela ex-mulher, não dá para culpar a falta de sorte. Fulana, claramente, não consegue escolher porque gosta de sofrer! Continua sendo uma coitadinha, mas a responsabilidade é dela, não do destino! “O psicanalista declara: -“O sujeito goza em seu sofrimento”.
                  O povo traduz: - “As pessoas gostam de sofrer”. Todo mundo sabe disso, usa a expressão com frequência, mas acha que é brincadeira por não ser possível, em sã consciência, alguém gostar de sofrer. E, no entanto, isso é muito comum.”
                 Vou relatar um trecho de uma consulta inicial com uma paciente de um colega psicanalista. A paciente foi solicitada a contar a história de seus relacionamentos amorosos, com cara de desalento, explicou que estava no seu segundo namoro e que tinha se separado do primeiro, pelo fato do anterior ser um "traste" maior ainda e que suas migas diziam que ela tinha o "dedo podre". A repetição da nomeação "traste" levou o colega à pergunta se o seu problema não seria “trastite”, ou seja, a escolha repetitiva de "trastes' como objetos amorosos. Ela abriu um sorriso radioso de confirmação do sintoma e vontade de falar a respeito. Seu tratamento começou assim, bem distante do sofrimento padronizável. Por trás do "dedo podre", mulheres e homens, inconscientemente, gozam com seu sofrimento. São pessoas masoquistas, pois tem o prazer de sofrer! Não aprendem pela experiência, pois tem uma compulsão à repetição!Tem cura? Tem! Como? Fazer análise!!( Félix,04/02/2018). Abraços!


1 de fevereiro de 2018

Inveja de si mesmo.

         

      Félix Elvas Pequeno 


                  Uma psicanalista inglesa, chamada Melaine Klein, tratando os seus pacientes, observou que muitos deles, além de invejarem outras pessoas, tinham também inveja de si mesmos. Como é possível ter inveja de si próprio? É um mecanismo inconsciente, onde uma pessoa muitas vezes tem tudo para ser feliz profissionalmente, afetivamente, amorosamente, mas inconscientemente (sem se dar conta, sem perceber), há um "homenzinho" dentro de sua cabeça, extremamente invejoso, que não o deixa ser feliz. Esse homenzinho invejoso sabota você mesmo (autosabotagem)!! De que jeito? Fazendo você se confundir, procrastinar, esquecer, desprezar e desistir dos seus projetos, dos seus sonhos. 
                     Esse homenzinho sabotador julga a própria pessoa incapaz, burra, fraca, criticando tudo o que ela própria faz, atormentando, não admitindo que ela erre. Esse lado invejoso destrói ou tenta destruir tudo o que o outro lado feliz tem de bom. É como se alguém tivesse tudo para ser feliz e, de alguma forma, conseguisse arrumar um jeito para fugir da felicidade. Exemplo: uma mulher se queixa que não consegue encontrar o grande amor de sua vida. Quando encontra, se sente feliz, então o lado invejoso tenta estragar sua felicidade, fazendo-a achar que seu grande amor está lhe traindo ou só tem más intenções com ela. Então o que acontece? Interrompe o namoro e volta a sentir-se infeliz. 
                   Primeiro é fundamental descobrir e reconhecer que tens esse lado, esse homenzinho invejoso dentro de si. Posteriormente, tens que trabalhar com essa inveja de si próprio dentro da cabeça, através de diálogos internos e reflexões profundas, tentando conter, segurar esse homenzinho invejoso. Caso não consiga trabalhar sozinho esse lado invejoso e você se der conta que não está conseguindo ser feliz, mas ao contrário está muito infeliz, sofrida, deprimida, se sentindo com baixa auto-estima, deves procurar ajuda através da psicanálise. 
                      No consultório escuto frequentemente de pacientes verbalizações tais como: "tenho medo de mim mesmo”, “é como se existissem duas pessoas dentro de mim, uma é inimiga da outra”, “se eu ficar bem parece que vai me acontecer uma desgraça”, etc., me levam a pensar na hipótese de um funcionamento mental onde a auto- destrutividade tem papel importante, e os profundos ataques que fazem contra si mesmos têm características de inveja, com seu potencial destrutivo. Este é o aspecto trágico da inveja – o ataque a si mesmo! Abraços!

20 de janeiro de 2018

O Pânico é um Sintoma do Sentimento de Desamparo e não uma Doença.



                Félix Elvas Pequeno

Como a psicanálise pode ajudar no tratamento de sintomas atribuídos ao transtorno(síndrome) do pânico?

              Durante o tratamento psicanalítico procura-se criar com o paciente condições para que ele possa subjetivar e se dar conta da condição de desamparo que é inerente a todos os seres humanos. Até a eclosão da primeira crise de pânico, a questão do desamparo não se colocara clara para o paciente. É comum em quem sofre de pânico, um apego dependente e concreto a alguém ou a alguma situação estável. Por exemplo, o paciente necessita de uma pessoa que o acompanhe e o ampare aos lugares que precisa ir. Ele Imagina, que o seu acompanhante vai lhe amparar caso ele tenha um ataque de pânico. Ele necessita desta presença física para protege-lo! É uma compensação para a sua incapacidade de lidar com a falta e, ilusoriamente, o livra do confronto com o desamparo. O apego ao remédio tem significado semelhante!
               Com o decorrer do tratamento psicanalítico, o paciente vai se dando conta que desde que saímos do útero materno e no percurso até a morte, é fundamental aceitar a nossa condição de desamparo, e que ninguém, nem nenhuma religião, nem nenhum remédio vai nos amparar. Desse modo, o paciente pode começar a dar sentido aquilo que parecia não ter sentido, e aos poucos se deparar com seu desamparo como uma condição humana e não como um doença.
            Durante o ataque de pânico, a pessoa tem a sensação que vai morrer naquele instante e sente um enorme sentimento de desamparo. Quando o paciente reconhece e aceita humildemente, que para o desamparo de todos nós humano não há nenhuma garantia, nenhum fiador, nenhum remédio e que a morte faz parte da vida, ele poderá pensar algo assim:

Penso,logo existo.
Existo, logo morro.
Se não for agora é porque será depois.
Penso logo me acalmo.
Me acalmo, logo aceito o desamparo!
E meu pânico vai se esvaindo...


Abraços!

14 de janeiro de 2018

A psicanálise do século passado e a psicanálise da atualidade

                 
                  Félix Elvas Pequeno

            Se no Século XX falava-se que a Psicanálise era o tratamento do passado, hoje, devemos dizer que ela é o tratamento do futuro. Antes, uma pessoa procurava um analista com a ideia clara do que queria obter, relatando as dificuldades em fazê-lo. Hoje, uma pessoa procura um analista por não saber o que fazer, frente à multiplicidade de escolhas possíveis. É enganoso pensar que uma pessoa deva fazer uma análise para se 'conhecer melhor'. Isto existiu na sociedade passada. A questão, nos dias de hoje, é muito mais o limite do saber, que o seu aprofundamento. Sendo que todo conhecimento necessário para uma escolha ou para uma tomada de decisão é incompleto, a questão fica sendo de reconhecer o limite e poder suportar a aposta necessária provocada por esse saber incompleto. Não existe decisão sem risco. 
           Pensar que existe um saber inconsciente, que um dia vai surgir, contribuiu a uma certa irresponsabilidade, resumida na expressão “só se foi inconsciente”: “Não me lembro, não quis fazer isso... só se foi inconsciente”. O paciente é levado a responsabilizar-se pelo encontro e pelo acaso. Essa responsabilidade é inversa à responsabilidade dita jurídica. Na jurídica, primeiro se é livre, depois responsável. Por exemplo: é necessário que o carro esteja perfeito para que o seu motorista, em suas ações, possa ser incriminado dolosamente. Na psicanálise, ao avesso, primeiro há que se fazer responsável - Você Quer O Que Deseja? - em seguida, pode-se falar em liberdade.
            Na Psicanálise do Século XXI e o psicanalista de hoje devem poder tratar de uma série de novos sintomas, próprios da horizontalidade do laço social da globalização, que não respondem ao tratamento Standard da Psicanálise do século passado. Alguns exemplos: fracasso escolar, agressões inusitadas, toxicofilias, anorexia, bulimia, a epidemia de depressão, fenômenos como a euforia do luxo, a hiper-transparência, os diários pessoais, a doença da saúde perfeita, a ideologia que assegura que para tudo tem remédio. É por essas estações que passa o bonde do sofrimento contemporâneo! 
         

( Síntese e modificações feitas por Félix, em 14/01/2018, do texto do psicanalista Jorge Forbes), Abraços!