16 de outubro de 2017

Sobre o Gozo e o Prazer.

            
             Félix Elvas Pequeno

             O gozo em termos psicanalíticos não é igual ao prazer. O gozo está além do princípio do prazer. Enquanto o prazer existe nos moldes do equilíbrio e da satisfação, o gozo é desestabilizador, traumático, excessivo: é o prazer freudiano com dor. Sempre arrasta uma lágrima consigo. Há a história do masoquista que tomava banho frio em pleno inverno. Um dia se deu conta que tinha prazer com a água gelada no lombo e de imediato passou a tomar banho quente. O problema do gozo é que ele nunca funciona sem sequelas, é sempre perturbado. 
           Nas sociedades permissivas de hoje, ou seja, oficialmente temos permissão de gozar, ou melhor, de ter prazer, de organizar nossa vida em torno da maneira de obter a máxima satisfação possível, da realização pessoal e assim por diante. Mas disso tudo qual é o resultado fundamental? O resultado intrínseco é que para realmente gozarmos a vida, temos de seguir um sem número de normas e proibições: alimentos gordurosos ou doces, bebidas alcoólicas, ovos, café, condimentos, nada de situações estressantes e até, temos encontrado e visto, café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina, ambrosia sem açúcar, carne sem gordura e nessa sequência logo entrará na moda atividade sexual sem orgasmo. Nas últimas feiras do livro, p. ex., as obras mais vendidas foram as “Pílulas para gozar uma boa saúde” de conhecido médico e as de autoajuda, tudo que precisamos saber para melhor gozarmos a vida e obras de programação neurolinguística que pretendem nos ensinar como “ chegarmos lá”. Nesse ritmo, numa das próximas feiras é possível que o livro mais procurado seja o que nos ensinará um método, o de obtermos orgasmos de quatro horas de duração sem riscos de enfarto do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais. E sem enlouquecer. 
             O paradoxo é que, se perseguimos o prazer diretamente como uma meta, somos obrigados a nos submeter a diversas condições, como as dietas restritivas já descritas, preparação física intensa e permanente (hoje, em cada quadra temos uma ou duas fitness house) para sermos sexualmente atraentes. Isto resulta que nosso prazer imediato torna a se estragar. Para as mulheres as condições são muito mais restringentes e até cruéis, sádicas mesmo: malhações diárias e intensas, “dieta da folha de alface“, bronzeamentos o ano todo, depilações, massagens, cosméticos caríssimos, penteados, correções plásticas de todo o tipo, ademanes(modos afetados, gestos amaneirados, trejeitos), palavras, atitudes e pensamentos controlados e vigiados, permanentes prontidão e disposição ao orgasmo. E não raras vezes as drogas, o sexo desenfreado e sem afeto, a velocidade automobilística, os esportes radicais acabam em tentativas para preencher esses espaços. Todas vãs.  Enrolamo-nos em nosso GOZO, repetimos a nossa imbecilidade. (Síntese e modificações feitas por Félix Pequeno, em 14/10/2017, do texto de Franklin Cunha). Pensem Nisso! Abraços!

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