21 de setembro de 2017

Você faz análise?

 Félix Elvas Pequeno        

         É muito comum você ouvir das pessoas :-"Ah, eu estou fazendo análise". Será? Quero esclarecer aqui aos leigos a diferença entre Psicanálise e o mar de psicoterapias que são oferecidas, com abordagens terapêuticas sedutoras que buscam o alívio rápido com a eliminação dos sintomas e resolver os conflitos humanos num "lava rápido". A psicanálise não tem a pretensão de resolver os conflitos humanos num "lava rápido"; e é incompetente para deixar as pessoas tranquilas. Ela não promete uma felicidade total, nem pretende curar sintomas. Não considera, inclusive, que haja desenvolvimento pessoal sem sofrimento psíquico. 
              O termo "Psicanálise" adquiriu certo valor de mercado e acaba sendo o cobertor genérico de psicoterapias totalmente diferentes, a maioria das vezes, opostas. Praticamente todas as psicoterapias seguem o modelo da ética médica: um se queixa, o outro trata; um não sabe, o outro sabe; um é paciente, o outro é atuante. Arrisquemos uma definição: no fundamento do que se chama Psicanálise está sempre - sim - sempre responsabilizar o sofredor em seu sofrimento. Não culpar, atenção, responsabilizar e de uma responsabilidade muito diferente da responsabilidade jurídica, que se baseia na consciência dos fatos. 
                A responsabilidade em Psicanálise, contrariamente à jurídica, é a responsabilidade frente ao acaso e à surpresa. Não dá para ninguém se safar de uma situação dizendo: - "Ah, só se for por causa da minha depressão", como se ela não tivesse nada a ver comigo. A Psicanálise se define por sua ética, e a ética da Psicanálise é o avesso da ética médica, por conseguinte, das psicoterapias. Isso não quer dizer que uma coisa seja melhor que a outra, cada um escolhe e tem o que merece!