25 de agosto de 2017

Será impulsividade ou personalidade Borderline?

          
Félix Elvas Pequeno

             Quantas e quantas vezes os pacientes, predominantemente mulheres, chegam ao consultório e afirmam que: “não consigo controlar, sou assim! Sinto raiva e não sei porquê… Sei que exagero mas, quando vejo, já fiz” ou “mesmo quando o meu companheiro demonstra afeto não consigo sentir-me amada. Sei que gosta de mim, mas, não sei porquê, tenho medo de que me deixe…”. Já ouviu falar de perturbação de personalidade borderline? As pessoas tendem a ser socialmente agradáveis, simpáticas e com uma conduta bastante adequada. No entanto, nas relações mais íntimas apresentam um padrão comportamental instável e pouco tolerante a situações frustrantes. Têm enorme dificuldade em conseguir controlar o comportamento explosivo, sendo muito suscetíveis a “ataques de raiva” na tentativa de obrigar o outro a reconhecer a sua importância. 
           Por vezes, as vivências traumáticas (reais ou imaginadas) na infância poderão intensificar ainda mais a vulnerabilidade do comportamento borderline (luto, abandono, negligência, abuso sexual, tortura física e/ou psicológica), que começa a manifestar-se na adolescência e permanece até à idade adulta. Procuram a todo o custo evitar o abandono (real ou imaginado) daqueles que amam, exigindo continuamente demonstrações de afeto. Nas relações íntimas, apresentam um padrão comportamental bastante instável, com oscilações de humor recorrentes. Verifica-se nestes casos a tendência para quadros depressivos, comportamentos impulsivos, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, gastos irresponsáveis, sexo inseguro, condução imprudente, comer de forma compulsiva, adicção ao álcool, abuso de substâncias e comportamentos manipuladores como a hetero/auto-agressividade, ameaças ou tentativas de suicídio. 
              Pessoas com perturbação de personalidade borderline atacam para, inconscientemente, tentar camuflar a sensação de dependência do outro. Nas relações conjugais, exigem uma proximidade intensa que chega a ser considerada sufocante, mesmo quando a relação é recente. As demonstrações de afeto do outro nunca são suficientes e são vistas como desvalorização dos seus sentimentos. É como se o outro não se importasse com os seus sentimentos (mesmo que não seja a realidade). O tratamento do borderline é predominantemente psicoterapêutico, podendo em alguns casos ser usado medicamentos estabilizadores de humor em dose mínima.

 Referências: American Psychiatric Association. “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders”. Washington, DC:


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