23 de julho de 2017

Sobre o Excesso

Félix Elvas Pequeno

     A vida segue seu percurso em busca do equilíbrio. E, assim, para analisar uma pessoa, basta perceber se há harmonia nas suas atitudes. Chegamos todos, nesta vida, sem manual de instrução sobre como fazer o nosso percurso. É na infância que construímos os nossos valores, crenças, princípios e resolvemos ou não nosso "romance familiar" (complexo de Édipo) com os nossos pais.
      A falta de amor, compreensão e conflitos não resolvidos que ocorram nesta fase, se manifestarão mais tarde, quando jovens ou adultos. A busca desenfreada pelo amor de alguém, inconscientemente, papai e/ou mamãe, acaba refletindo em diversos relacionamentos, um atrás do outro, ou em vários ao mesmo tempo, e deixa claro a não resolução daquele romance familiar lá na infância. Como nada, nem ninguém, substitui aqueles pais, a busca por eles torna-se incessante, infinita e mal sucedida. 
      O excesso de algumas de nossas atitudes e características vem demonstrar falta de maturidade emocional como: a necessidade de exibições do corpo, de bens materiais, de dotes intelectuais, de excesso de simpatia, da ostentação de dinheiro, de apelação sexual, de sociabilidade escancarando a necessidade de ser aceito e amado. A busca pelo excesso mostra uma ausência de valores amorosos, quando de forma inconsciente, implica não haver a aceitação por parte de si mesmo. Toda falta gera em nós um vazio, que permanece de forma inconsciente e, na maioria das vezes, por anos a fio. 
       É pelo autoconhecimento, o se olhar para dentro, que nos permite finalmente preencher esses “buracos”. Não podemos mudar a história do nosso passado, nem passar uma borracha e apaga-lo, mas podemos nos reinventarmos com ousadia, sermos responsáveis frente ao acaso e à surpresa, correndo riscos para não sermos genéricos, plastificados e irrelevantes. Podemos fazer outros caminhos, aceitando a falta, a incompletude e renunciarmos ao excesso, que é o núcleo de todos os transtornos mentais. 

Abraços,
Félix.

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