24 de julho de 2017

Sobre a incompletude

      
Félix Elvas Pequeno

       Segundo a psicanálise, quando nascemos, passamos por um momento em que vivemos um estado de completude – mãe e bebê (não estou falando da mãe real e sim de quem exerce esta função materna) vivem de forma simbiótica, como se fossem um. E isto é imprescindível para a sobrevivência do bebê, pois o bebê humano nasce muito despreparado (se estamos vivos é porque alguém exerceu esta função). É necessário que a mãe se volte inteiramente para ele e atenda todas as suas necessidades, inicialmente, só biológicas. 
      Posteriormente, com os cuidados que recebe, com a voz, o olhar da mãe, o bebê cria uma demanda de amor, de ser amado e receber tudo daquela mãe – não só da ordem biológica, mas sim da ordem simbólica. Porém, esta demanda vai ser frustrada, pois é impossível sustentar uma satisfação infinita e completa a esta demanda de amor. Aquele estado de completude vai ser perdido para sempre. E é importante que seja, pois a partir da falta dessa satisfação infinita é que o bebê vai se voltar para o mundo externo e se inserir socialmente. Na contemporaneidade, há uma tendência do sujeito à não aceitar a incompletude, e à buscar, inconscientemente, o excesso (plena completude) é o que observamos nos transtornos bi-polares; nos transtornos histéricos; nos transtornos obsessivo-compulsivo; no consumo exagerado; na dependência de drogas; na mania e hipomania; nos transtornos alimentares, entre outros. Aceitar a incompletude, é o que nos levaria à uma possível saúde mental. Somos seres SEMPRE desejantes e como tais em “plena" e bela incompletude!

Abraços!

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