18 de dezembro de 2017

Cuidado com os "Tratamentos Mágicos e Rápidos"

                 
                Félix Elvas Pequeno

                    Sem hipocrisia, está uma febre de propagandas sobre “tratamentos” para a mente e para o corpo tais como: constelações familiares; numerologia; fazer mapas astrais, leituras de mãos ou de auras, realinhamento de chacras, terapia de vidas passadas, ou outros conhecimentos “mentais” que não estão verificados – de maneira contundente – pelo método científico. Todos prometendo “ensinar” a eliminar problemas e ter uma “saúde", física e mental ótima. Enfim, há no mercado, por preço alto, uma série de propostas sedutoras, maravilhosas, convidando aquelas pessoas mentalmente sofridas a buscarem freneticamente "tratamentos rápidos e mágicos." 
               Tais tratamentos, que estão se proliferando dia-a-dia e na moda, são enganosos e sem referencial cientifico, cujo objetivo é condicionar, programar, doutrinar a mente humana, sendo direcionados à pessoas desesperadas, sugestionáveis, supersticiosas, sensíveis, inseguras e ingênuas, não importando o grau cultural delas. Os coordenadores, facilitadores, "terapeutas ou “professores” desses "tratamentos" são geralmente pessoas muito inteligentes, que usam falas bonitas, tons de voz estudados e impressionam com seus discursos sedutores, muitos deles são psicopatas que ganham dinheiro fácil de pessoas sofridas psiquicamente. 
                Sabe o que vai acontecer se você ficar seguindo instruções desse "sábios e mestres poderosos" citados acima, dentre tantos outros? Você vai perder sua própria identidade e virar um fantoche nas mãos deles. Vai sentir um alívio imediato, mas momentâneo e passageiro. A tomada consciência para seus problemas estão em você mesmo, no seu inconsciente que só podem vir a tona através da psicoterapia psicanalítica. Tudo o que fazemos ou somos hoje tem um sentido ou um significado inconsciente, o que é impossível descobrirmos em "tratamentos mágicos e rápidos". Cada pessoa tem sua história de vida própria e deve ser respeitada a sua singularidade. É uma violência e perversidade condicioná-las ou encaixotá-las nos "tratamentos" citados acima, que vendem a cura do corpo e da mente humana. Não caia nessa! Não dá para fazer “vista grossa” como certos "psicólogos" fazem, sabendo de pessoas sendo, enganadas, iludidas e exploradas financeiramente e psicologicamente por charlatões, inclusive aqueles certos "psicólogos"!! 

30 de novembro de 2017

Sobre as Epidemias da Angustia e da ansiedade

            Félix Elvas Pequeno       

                        Atualmente  estamos passando por uma Epidemia da ANGÚSTIA, da ANSIEDADE,  e cada vez mais são receitados remédios como:  calmantes, ansiolíticos, tranquilizantes, que somente aliviam os sintomas, mas não curam! É a nova onda da comercialização dos remédios citados acima, dentre tantos outros, porque a ANGÚSTIA  tem sido vista como doença, é a doença da moda. Penso que a ANGÚSTIA melhor seria vista com a única fonte de criação, a única fonte de invenção diante das inquietações do acaso, a única fonte de nós inventarmos a vida.
                        É uma época de risco, em que nos cabe a responsabilidade frente ao novo,  ao encontro com o desconhecido. A ANGÚSTIA, ao invés de sofrimento, é boa, pois de paralisante passa a motor da invenção responsável. Há uma angústia própria à decisão. Não há decisão que não seja arriscada e que não induza à perda. O mal chamado ANGÚSTIA ou ANSIEDADE nada mais é do que a conseqüência do medo de decidir, que provoca o empanturramento das escolhas.  Quando escolhermos  temos o compromisso, a responsabilidade da escolha, responsabilidade-não como se fosse  uma obrigação à cumprir, mas algo que se faz por desejo.
                   Portanto, se nós desligarmos o botãozinho da ANGÚSTIA, nós vamos realmente chegar a uma sociedade onde seremos todos iguais! O ideal humano  é de confronto com esse descompasso tão peculiar a nós, onde cada um poderá ir construindo, no seu time, sua singularidade e fazer seu percurso através das ANGÚSTIAS do nosso dia a dia nessa existência!  Penso, que fazer análise, o tratamento pela palavra, é um processo de transformação da  ANGÚSTIA vista como DOENÇA, para uma ANGÚSTIA como um trampolim para uma vida menos sofrida!! Abraços!

"O imenso sentimento de angústia nasce com a possibilidade e com o livre-arbítrio de fazer algo, surge qundo a vida sempre nos coloca diante de escolhas" (Kierkegaard, 1813-1855- Fílósofo Existencialista)

27 de novembro de 2017

Diferença entre Transtorno Bipolar e Transtorno Borderline( estado-limite ou fronteiriço entre neurose e psicose )

                     

         Félix Elvas Pequeno


                        O diagnóstico de transtorno bipolar se confunde frequentemente com o de borderline. Muitos psiquiatras e psicólogos se "atrapalham" com o diagnóstico de transtorno bipolar porque, agindo assim, a compreensão da situação clínica se simplifica! Há uma dificuldade com o diagnóstico de personalidade borderline, pois é mais exigentes do ponto de vista do tratamento e de evolução complexa e imprevisível. O risco, observado comumente na prática, é o paciente andar de médico em médico, com várias abordagens ineficazes até finalmente encontrar o diagnóstico de borderline. Penso que preferível encarar-se um diagnóstico sério e complicado, do que passar anos a fio sem localizar- se no que de fato ocorre. O transtorno bipolar tem diferenças importantes em relação ao borderline. 
                          O borderline tem perturbação da identidade sempre, não apenas em algumas fases; sua depressão é permeada pelo tédio e pelo vazio durante a maior parte do tempo, não apenas em episódios circunscritos. O comportamento auto-lesivo, as relações instáveis, os esforços para evitar abandono não são características do bipolar fora de fase. O início do transtorno pode ocorrer na adolescência ou na idade adulta. A maneira de agir, do borderline traz um sofrimento enorme tanto para si próprios, como para os que com eles convivem. No mínimo, cinco dos seguintes sintomas são comuns neste diagnóstico, em contextos sociais diferentes: oscilações de humor recorrentes, relações instáveis, impulsividade, gastos excessivos, mentiras, promiscuidade, sexo inseguro, ciúmes patológicos, direção perigosa, abuso de álcool e/ou de substâncias químicas(maconha, cocaína, remédios psicotrópicos, dentre outras), compulsão alimentar, comportamento autolesivo, ameaça ou tentativas de suicídio, ira inapropriada e intensa dificuldade de controlá-la, instabilidade afetiva, um padrão de relações interpessoais instáveis, intensas e de convívio difícil, esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginário.
                              O tratamento do borderline, é predominantemente psicanalítico e com medicações psiquiátricas, principalmente os estabilizadores de humor. Abraços!

                                Fontes de pesquisas que eu, Félix, fiz para escrever o texto acima: Livro "Borderline"- Mauro Hegnberg-Psiquiatra pela USP, Psicanalista pelo Sedes Sapiente, Doutor em Psicologia Clínica pela USP. Livro "Corações Despedaçados"- Ana Maria Beatris. American Psychiatric Association. “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders”. Washington, DC:

                           Entre os casos mais conhecidos de "famosos' diagnósticados como Borderlines estão: Madona, Amy Winehouse, Lady Di, Britney Spears, Angelina Jolie, Hugh Laurie (o famoso Dr. House), Jim Carrey , Woody Allen, Brandon Marshall, Kurt Cobain, Winona Rider e Christina Ricci (a garotinha da família Adams), Clarice Lispector, Elton Jones, Marylin Monroe, dentre outros.

26 de novembro de 2017

Sobre a Contradição

         Félix Elvas Pequeno

             Freud disse algo assim: "Não existe uma outra razão no sensível, na intuição, na contradição". Quando um paciente dele relatou um fragmento de sonho, disse: "Dr. Freud eu sonhei que o dia estava chovendo com muito sol". E Freud respondeu: " Não, não se corrija, pois o inconsciente funciona pelo princípio da contradição". Pois é, existe sempre a contradição que pode coexistir com a lógica, com a razão. Sim, existe a contradição e isso não é vulgar, não é errado! Portanto, a lógica não está em posição de entender o homem. 
            O homem é contraditório por natureza. Ele não é uma máquina. O pensamento racional, lógico e matemático só podem compreender os objetos que estão livres de contradição. Mas, como o homem não é um objeto, a contradição é inerente a sua existência, portanto é ridículo compreender o homem como se ele fosse uma equação geométrica, uma fórmula matemática. "O homem é uma estranha mistura de ser e não ser. O lugar dele é entre esses dois polos oposto". Sua lei primeira e suprema é a lei da contradição. A contradição é o próprio elemento da existência humana. O homem não é um ser simples e homogêneo! Há determinados comentários sobre como cada um deve ser, se comportar e agir – como se existisse um modelo universal e correto a ser seguido. Doce ilusão!! Pense Nisso!.
Abraços!




21 de novembro de 2017

Como Lidar com as Chantagens Emocionais dos Vitimizados.

       


                  Félix Elvas Pequeno


                 O vitimizado faz um jogo de chantagens emocionais afim de ganhar, "levar vantagem" sempre! Simplesmente não entre no seu jogo! Se nos aprisionarmos às chantagens e aos lamentos dos que vestem a máscara de vítima, estaremos estimulando essa conduta e não estaremos ajudando-os, mas sim prejudicando-os. Jamais permita! Porque muitas vezes, consciente ou inconscientemente, permitimos que os outros se vitimizem. Será que você não está permitindo que o vitimizado te faça de TONTO? Porque ele se coloca como o ESPERTO, para que você realize o desejo dele e não o seu. Perceba que só tem ESPERTO quando tem o outro que é o TONTO, portanto não existe o ESPERTO sem O TONTO. Uma postura corajosa é dizer NÃO ao chantagista, tampar os "ouvidos da mente" e apertar o botão do VÁ SE FERRAR, sem sentir-se culpado. Não se esqueça que você só pode se machucar emocionalmente se você olhar o vitimizado como "coitadinho".
                    Geralmente, os chantagistas se disfarçam com "roupas" de vítimas, como um "jeitinho" para manipular o chantagiado. Há até vitimizados que "choram", com "lágrimas de crocodilo", que é uma expressão para significar que o choro de alguém é fingido, falso ou hipócrita. Existem diversas explicações de cunho biológico para a origem da expressão "lagrimas de crocodilo" , uma delas diz que às margens do rio Nilo, na antiguidade, os crocodilos choravam e faziam ruidosas manifestações de desespero para atrair e despertar a piedade das pessoas que por ali passavam. Os que iam ver o que se passava eram devorados. A outra diz que quando o crocodilo está digerindo um animal, a passagem deste pode pressionar com força o céu da boca do réptil, o que comprime suas glândulas lacrimais. Assim, enquanto ele devora a vítima, caem lágrimas de seus olhos.
                    Em casos graves de vitimizações e uma "compulsão" a repeti-las", os vitimizados podem beneficiar-se com a psicoterapia, para trabalharem dentro de suas mentes os seus sofrimentos psíquicos! Os vitimizados projetam seus erros, suas invejas, seus ódios, dentre outros, nos outros! (Félix, 04 11/2017). Abraços!

11 de novembro de 2017

Como o psicanalista, Félix, olha os Transtornos Mentais

                 
                Félix Elvas  Pequeno

              O Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5.ª edição ou DSM-5 é um manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais. Usado por psicólogos e médicos. Esse manual tem sido uma das bases de diagnósticos de saúde mental mais usados no mundo. Eu,como psicanalista não trato da doença mental, mas sim da pessoa que está sofrida mentalmente! Porque, para mim, TODOS os Transtornos Mentais são sintomas de sofrimentos psíquicos, inconscientes, entre eles a busca frenética pelo excesso e pela completude ( não aceitação da castração)! S. Freud, dizia: "Nós não somos senhor da nossa casa"( inconsciente ), com outras palavras, todos os nossos comportamentos, atitudes, jeitos, sonhos, sintomas, etc, são conduzidos pelo nosso inconsciente. 
            “A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá” (Manoel de Barros). Que tal, usar essa frase para dizer que "a ciência, com sua mania calculista, não pode calcular quantos cavalos de força existem na pulsão (impulso)". "Me perdoem os sabichões, mas a psicanálise não é pra qualquer um. Ela é somente pra quem vê poesia nos sintomas, para quem vê arte na dor". Os psicanalistas não prescrevem receitas de remédios que dão o “alívio já”. Os pacientes que estão em análise, são impacientes, intranquilos e inquietos. Imagine que você tem uma casa-mental que começa a dar problemas e precisa de reformas. As terapias focais, cognitivas, comportamentais, dentre um mar de tantas outras terapias, farão a reforma da casa-mental e terão sua "eficácia" garantida e comprovada! Mas, a psicanálise, é para quem acha que toda casa-mental deve ser destruída e re-erguida desde a base! Sim, acho melhor tentar, aos poucos, desconstruir tudo e re-construir de novo. 
                Tudo o que quero é dar a palavra à pessoa, ao inconsciente, a poesia de cada um, lembram-se: "a Psicanálise é o tratamento pela palavra" (S. Freud). Penso, que os Psicanalistas, éticos, não devem competir com os Médicos-Psiquiatras com seus poderosos neurolépticos, antidepressivos, ansiolíticos, dentre tantos outros, que vão aparecendo a cada instante, e nem com os psicólogos com a sua poderosas abordagens "terapêuticas" sedutoras, que buscam o alívio rápido com eliminação das angústias, dos sintomas. 
           A Psicanálise não serve mesmo para todas essas coisas! Ao contrário, humildemente, considera que os sintomas e angústias têm um sentido e função, e o humano não deve fugir da angústia, pois ao invés de paralisante passa a ser o motor da invenção responsável, e é através dela que ele pode crescer emocionalmente. A psicanálise não tem a pretensão de resolver os conflitos humanos num "lava rápido"; é incompetente para deixar as pessoas tranquilas. Ela não promete uma felicidade total. Não considera, inclusive, que haja desenvolvimento pessoal sem sofrimento psíquico! A Psicanálise não é um tratamento milagroso, mas muitas vezes sofrido, não é para covardes! (Félix em 10/11/2017). Abraços!

30 de outubro de 2017

As Dores no Corpo Originadas pelas Emoções




               Félix Elvas Pequeno     

               É cada vez mais usual no consultório do psicanalista à procura pela causas de dores inexplicáveis pela Medicina, entre tantas: fibromialgia, dores musculoesqueléticas crônicas , enxaqueca, etc... A pessoa após cumprir extenso ritual, passando por diversas especialidades e submetendo-se a incontáveis exames, alguns de alta tecnologia, por fim é convencida de que a sua dor é psíquica, porque todos os exames tradicionais não apontaram nenhuma causa. 

               Surge a primeira questão: o “doente” é encaminhado a um psiquiatra ou psicanalista porque nada de anormal foi encontrado que a explicasse, donde a sua dor é “psíquica”, isto é, fruto da sua imaginação, o que irrita e piora o estado do “doente”, pois ele “sente a dor, que é real”, então além de sentir dor, está ficando “maluco”. Resta procurar o “psi”, que se for o psiquiatra”, vai lhe receitar drogas farmacêuticas para amortecer as dores. Se a escolha recair num “psicanalista”, este usará as técnicas descobertas e desenvolvidas por Freud e pós-freudianos, e buscará no inconsciente tais dores. 
                     
                Temos então outra questão: como o psicanalista, sem realizar nenhum exame clínico, trabalhando com algo abstrato como o inconsciente e com as palavas vai fazê-lo? O psicanalista irá procurar a origem da dor e isso é fundamental. A busca se dará no “mundo do inconsciente”, que nada tem a ver com alma, espírito ou coisa parecida. O inconsciente é real e concreto. É como a película de um filme, onde ficam registradas as emoções da sua vida. O inconsciente simplesmente é! É como o dia nascendo, que não precisa se explicar, basta surgir e você não pode impedi-lo. Você pode tentar: feche todas as janelas, cubra a cabeça, faça tudo o que quiser, mais ainda assim o dia vai surgir. 
                     
                  Também assim é o inconsciente. Sob determinadas condições ele surge e ainda que você não queira percebê-lo, vai aflorar. E se você reprimi-lo muito, vai surgir em forma de dor no corpo. O melhor jeito de se livrar dessa dor, que é real e concreta, é tornar consciente a sua origem e pelo menos, reduzi-la ao que merece. Pois é, o que não conseguimos digerir na mente é vomitado no corpo!  Abraços!

16 de outubro de 2017

Sobre o Gozo e o Prazer.

            
             Félix Elvas Pequeno

             O gozo em termos psicanalíticos não é igual ao prazer. O gozo está além do princípio do prazer. Enquanto o prazer existe nos moldes do equilíbrio e da satisfação, o gozo é desestabilizador, traumático, excessivo: é o prazer freudiano com dor. Sempre arrasta uma lágrima consigo. Há a história do masoquista que tomava banho frio em pleno inverno. Um dia se deu conta que tinha prazer com a água gelada no lombo e de imediato passou a tomar banho quente. O problema do gozo é que ele nunca funciona sem sequelas, é sempre perturbado. 
           Nas sociedades permissivas de hoje, ou seja, oficialmente temos permissão de gozar, ou melhor, de ter prazer, de organizar nossa vida em torno da maneira de obter a máxima satisfação possível, da realização pessoal e assim por diante. Mas disso tudo qual é o resultado fundamental? O resultado intrínseco é que para realmente gozarmos a vida, temos de seguir um sem número de normas e proibições: alimentos gordurosos ou doces, bebidas alcoólicas, ovos, café, condimentos, nada de situações estressantes e até, temos encontrado e visto, café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina, ambrosia sem açúcar, carne sem gordura e nessa sequência logo entrará na moda atividade sexual sem orgasmo. Nas últimas feiras do livro, p. ex., as obras mais vendidas foram as “Pílulas para gozar uma boa saúde” de conhecido médico e as de autoajuda, tudo que precisamos saber para melhor gozarmos a vida e obras de programação neurolinguística que pretendem nos ensinar como “ chegarmos lá”. Nesse ritmo, numa das próximas feiras é possível que o livro mais procurado seja o que nos ensinará um método, o de obtermos orgasmos de quatro horas de duração sem riscos de enfarto do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais. E sem enlouquecer. 
             O paradoxo é que, se perseguimos o prazer diretamente como uma meta, somos obrigados a nos submeter a diversas condições, como as dietas restritivas já descritas, preparação física intensa e permanente (hoje, em cada quadra temos uma ou duas fitness house) para sermos sexualmente atraentes. Isto resulta que nosso prazer imediato torna a se estragar. Para as mulheres as condições são muito mais restringentes e até cruéis, sádicas mesmo: malhações diárias e intensas, “dieta da folha de alface“, bronzeamentos o ano todo, depilações, massagens, cosméticos caríssimos, penteados, correções plásticas de todo o tipo, ademanes(modos afetados, gestos amaneirados, trejeitos), palavras, atitudes e pensamentos controlados e vigiados, permanentes prontidão e disposição ao orgasmo. E não raras vezes as drogas, o sexo desenfreado e sem afeto, a velocidade automobilística, os esportes radicais acabam em tentativas para preencher esses espaços. Todas vãs.  Enrolamo-nos em nosso GOZO, repetimos a nossa imbecilidade. (Síntese e modificações feitas por Félix Pequeno, em 14/10/2017, do texto de Franklin Cunha). Pensem Nisso! Abraços!

12 de outubro de 2017

Teu relacionamento é capenga e te faz sofrer?

          
               
              Félix Elvas Pequeno
            
              Chega a ser um soco no estômago o que vou escrever em seguida, mas é o que penso. É muito comum vermos amigos, conhecidos ou familiares presos em relacionamentos doentios nos quais se sentem infelizes, usados, desvalorizados e, mesmo assim, permanecem ali, junto à dor, porque, inconscientemente, tem prazer em sofrer! É como se estivessem viciados em se punirem, porque manter um relacionamento a dois nesses termos equivale a sofrer castigos diários. 
               Nenhuma relação é ótima o tempo todo, livre de algumas desavenças, desencontros, pois é assim que os parceiros se reajustam, fortalecendo o que traz ganhos e se libertando do que emperra. Contudo, o extremo oposto também não pode ser tido como saudável, uma vez que ninguém inteligente é capaz de viver com mínima saúde mental, caso passe os dias brigando com a(o) aparceira(o) ou clamando para que sua presença seja notada. Ninguém merece conviver com quem só critica, só reclama, só cobra, só acusa, só chantageia e te enche de culpa; só pensa no seu umbigo sem nada oferecer em troca. 
            Todos merecemos amor de verdade, e não amor fingido! Temos que saber exatamente o tanto que somos e temos e podemos oferecer, para que não nos conformemos com retornos ínfimos, pobres, menosprezíveis. Nesse tipo de relacionamento capenga, não mendigue, sai fora e faz o teu percurso em direção ao parceiro(a) que venha a te amar incondicionalmente, você merece! Somente assim seremos capazes de nos relacionar sem pendências, sem que procuremos no outro o que nos falta e projetando nele ora papai, ora mamãe, ora o filho(a), dentre outros. Os relacionamentos capengas, mais cedo ou mais tarde, irão desmoronar!! Pense nisso!

Zygmunt Bauman - "Homens e mulheres, estão presos numa trincheira sem saber como sair dela, e, o que é ainda mais dramático, sem reconhecer com clareza se querem sair ou permanecer nela".

4 de outubro de 2017

Freud Explica? Não, mas Freud Implica.

                Félix Elvas Pequeno

                A expressão “Freud explica” tornou-se popular entre as pessoas e entre muitos psicanalistas pouco informados. Mas será mesmo que Freud quis explicar? Não, ele quis implicar! Mas quando Freud implica? Quando o psicanalista passa a implicar a pessoa nas suas queixas, compromete-a nos seu sofrimento e a responsabiliza. Parte de uma pergunta simples: "o que você tem a ver com isso que você se queixa? Foi o que perguntou Freud (1905) a Dora, em um caso modelo para o tratamento da histeria, conhecido como o caso Dora. Ela apresentava sintomas de afonia (perda da voz) , dificuldades respiratórias e vivia uma impasse amoroso entre seu pai, a amante dele e o esposo da amante. 
                 Diante de suas queixas, Freud lhe pergunta: "Qual a sua participação na desordem de que se queixa?. Assim também faz o analista perante as queixas, faz uma intervenção que abre a possibilidade de a pessoa trazer para si, subjetivar seu sofrimento, construir um saber sobre ele e inventar uma saída própria.
                 Que tal começar se questionando sobre a sua própria vida, sobre as suas questões e escolhas pessoais. Como você lida com os seus problemas, como tenta evoluir através deles? Você apenas senta, reclama e espera a maré levar? Ou escolhe ser o responsável pelas perdas e ganhos, pelos erros e acertos? Enquanto não percebermos qual é a nossa responsabilidade nos problemas e frustrações pelos quais estamos passando, nada irá mudar!!

2 de outubro de 2017

Não Confundir: Qualidade de Vida com Vida Qualificada

Félix Elvas Pequeno

          Qualidade de vida está nas redes sociais e nas bocas que prometem algo assim: "Tenha qualidade de vida"; "faça academia todos os dias"; "veja que formidável, vou fazer um site para todos terem qualidade de vida"; "faça como eu, perdi tantos quilos mesmo tendo chocolates em casa"; "patrocino corridas e mini maratonas nos finais de semana"; "dormir determinadas horas de sono por dia"; "faça sexo 10 vezes por semana"; "assista as palestras motivacionais"; "trabalhar menos e ter mais contato com a natureza, ufa!... Qualidade de vida tornou-se empobrecedor, é uma forma moralística de influenciar as pessoas. 
           Penso que mais do que essa tão divulgada “qualidade de vida”, podemos buscar uma vida qualificada, escolha pessoal e subjetiva, que vem ao encontro daquilo que muitas vezes não é possível se justificar pelo “saudavelmente” correto. Qualidade de vida é uma tentativa de ditar um bem viver para todas as pessoas. Eu diria que é fundamental substituir o termo ‘qualidade de vida’ por ‘vida qualificada’, no qual o substantivo não é mais ‘qualidade’, e sim a ‘vida’. Ou seja, uma vida qualificada está associada à responsabilidade de inventar uma satisfação pessoal. 
            Sair da tirania do “você tem que”. É uma perspectiva diferente de fazer o que está na moda, aliás a moda é o ridículo sem objeções! Pede ousadia e coragem, uma vez que isso vai implicar você diferenciar-se da "massa". Vida qualificada, portanto, é praticar uma atividade física com um prazer que me vivifica. É escolher o alimento saudável e realmente apreciá-lo. É tocar violão quando estou triste ou quando estou feliz. Escutar uma boa música que gosta. Pescar. Tomar banho numa cachoeira. Assistir a um filme que “me prende”. Apreciar um vinho ou uma cachaça em boa companhia. Debruçar-me sobre um livro que me inspira, ou até mesmo viajar para um lugar diferente. E você, qual a sua escolha? Sem ser pelo “dever”, tampouco pelo o que seria o “certo e garantido”, fazer uma escolha é correr risco e responsabilizar-se! 

21 de setembro de 2017

Você faz análise?

 Félix Elvas Pequeno        

         É muito comum você ouvir das pessoas :-"Ah, eu estou fazendo análise". Será? Quero esclarecer aqui aos leigos a diferença entre Psicanálise e o mar de psicoterapias que são oferecidas, com abordagens terapêuticas sedutoras que buscam o alívio rápido com a eliminação dos sintomas e resolver os conflitos humanos num "lava rápido". A psicanálise não tem a pretensão de resolver os conflitos humanos num "lava rápido"; e é incompetente para deixar as pessoas tranquilas. Ela não promete uma felicidade total, nem pretende curar sintomas. Não considera, inclusive, que haja desenvolvimento pessoal sem sofrimento psíquico. 
              O termo "Psicanálise" adquiriu certo valor de mercado e acaba sendo o cobertor genérico de psicoterapias totalmente diferentes, a maioria das vezes, opostas. Praticamente todas as psicoterapias seguem o modelo da ética médica: um se queixa, o outro trata; um não sabe, o outro sabe; um é paciente, o outro é atuante. Arrisquemos uma definição: no fundamento do que se chama Psicanálise está sempre - sim - sempre responsabilizar o sofredor em seu sofrimento. Não culpar, atenção, responsabilizar e de uma responsabilidade muito diferente da responsabilidade jurídica, que se baseia na consciência dos fatos. 
                A responsabilidade em Psicanálise, contrariamente à jurídica, é a responsabilidade frente ao acaso e à surpresa. Não dá para ninguém se safar de uma situação dizendo: - "Ah, só se for por causa da minha depressão", como se ela não tivesse nada a ver comigo. A Psicanálise se define por sua ética, e a ética da Psicanálise é o avesso da ética médica, por conseguinte, das psicoterapias. Isso não quer dizer que uma coisa seja melhor que a outra, cada um escolhe e tem o que merece!


25 de agosto de 2017

Será impulsividade ou personalidade Borderline?

          
Félix Elvas Pequeno

             Quantas e quantas vezes os pacientes, predominantemente mulheres, chegam ao consultório e afirmam que: “não consigo controlar, sou assim! Sinto raiva e não sei porquê… Sei que exagero mas, quando vejo, já fiz” ou “mesmo quando o meu companheiro demonstra afeto não consigo sentir-me amada. Sei que gosta de mim, mas, não sei porquê, tenho medo de que me deixe…”. Já ouviu falar de perturbação de personalidade borderline? As pessoas tendem a ser socialmente agradáveis, simpáticas e com uma conduta bastante adequada. No entanto, nas relações mais íntimas apresentam um padrão comportamental instável e pouco tolerante a situações frustrantes. Têm enorme dificuldade em conseguir controlar o comportamento explosivo, sendo muito suscetíveis a “ataques de raiva” na tentativa de obrigar o outro a reconhecer a sua importância. 
           Por vezes, as vivências traumáticas (reais ou imaginadas) na infância poderão intensificar ainda mais a vulnerabilidade do comportamento borderline (luto, abandono, negligência, abuso sexual, tortura física e/ou psicológica), que começa a manifestar-se na adolescência e permanece até à idade adulta. Procuram a todo o custo evitar o abandono (real ou imaginado) daqueles que amam, exigindo continuamente demonstrações de afeto. Nas relações íntimas, apresentam um padrão comportamental bastante instável, com oscilações de humor recorrentes. Verifica-se nestes casos a tendência para quadros depressivos, comportamentos impulsivos, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, gastos irresponsáveis, sexo inseguro, condução imprudente, comer de forma compulsiva, adicção ao álcool, abuso de substâncias e comportamentos manipuladores como a hetero/auto-agressividade, ameaças ou tentativas de suicídio. 
              Pessoas com perturbação de personalidade borderline atacam para, inconscientemente, tentar camuflar a sensação de dependência do outro. Nas relações conjugais, exigem uma proximidade intensa que chega a ser considerada sufocante, mesmo quando a relação é recente. As demonstrações de afeto do outro nunca são suficientes e são vistas como desvalorização dos seus sentimentos. É como se o outro não se importasse com os seus sentimentos (mesmo que não seja a realidade). O tratamento do borderline é predominantemente psicoterapêutico, podendo em alguns casos ser usado medicamentos estabilizadores de humor em dose mínima.

 Referências: American Psychiatric Association. “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders”. Washington, DC:


24 de julho de 2017

Sobre a incompletude

      
Félix Elvas Pequeno

       Segundo a psicanálise, quando nascemos, passamos por um momento em que vivemos um estado de completude – mãe e bebê (não estou falando da mãe real e sim de quem exerce esta função materna) vivem de forma simbiótica, como se fossem um. E isto é imprescindível para a sobrevivência do bebê, pois o bebê humano nasce muito despreparado (se estamos vivos é porque alguém exerceu esta função). É necessário que a mãe se volte inteiramente para ele e atenda todas as suas necessidades, inicialmente, só biológicas. 
      Posteriormente, com os cuidados que recebe, com a voz, o olhar da mãe, o bebê cria uma demanda de amor, de ser amado e receber tudo daquela mãe – não só da ordem biológica, mas sim da ordem simbólica. Porém, esta demanda vai ser frustrada, pois é impossível sustentar uma satisfação infinita e completa a esta demanda de amor. Aquele estado de completude vai ser perdido para sempre. E é importante que seja, pois a partir da falta dessa satisfação infinita é que o bebê vai se voltar para o mundo externo e se inserir socialmente. Na contemporaneidade, há uma tendência do sujeito à não aceitar a incompletude, e à buscar, inconscientemente, o excesso (plena completude) é o que observamos nos transtornos bi-polares; nos transtornos histéricos; nos transtornos obsessivo-compulsivo; no consumo exagerado; na dependência de drogas; na mania e hipomania; nos transtornos alimentares, entre outros. Aceitar a incompletude, é o que nos levaria à uma possível saúde mental. Somos seres SEMPRE desejantes e como tais em “plena" e bela incompletude!

Abraços!

23 de julho de 2017

Sobre o Excesso

Félix Elvas Pequeno

     A vida segue seu percurso em busca do equilíbrio. E, assim, para analisar uma pessoa, basta perceber se há harmonia nas suas atitudes. Chegamos todos, nesta vida, sem manual de instrução sobre como fazer o nosso percurso. É na infância que construímos os nossos valores, crenças, princípios e resolvemos ou não nosso "romance familiar" (complexo de Édipo) com os nossos pais.
      A falta de amor, compreensão e conflitos não resolvidos que ocorram nesta fase, se manifestarão mais tarde, quando jovens ou adultos. A busca desenfreada pelo amor de alguém, inconscientemente, papai e/ou mamãe, acaba refletindo em diversos relacionamentos, um atrás do outro, ou em vários ao mesmo tempo, e deixa claro a não resolução daquele romance familiar lá na infância. Como nada, nem ninguém, substitui aqueles pais, a busca por eles torna-se incessante, infinita e mal sucedida. 
      O excesso de algumas de nossas atitudes e características vem demonstrar falta de maturidade emocional como: a necessidade de exibições do corpo, de bens materiais, de dotes intelectuais, de excesso de simpatia, da ostentação de dinheiro, de apelação sexual, de sociabilidade escancarando a necessidade de ser aceito e amado. A busca pelo excesso mostra uma ausência de valores amorosos, quando de forma inconsciente, implica não haver a aceitação por parte de si mesmo. Toda falta gera em nós um vazio, que permanece de forma inconsciente e, na maioria das vezes, por anos a fio. 
       É pelo autoconhecimento, o se olhar para dentro, que nos permite finalmente preencher esses “buracos”. Não podemos mudar a história do nosso passado, nem passar uma borracha e apaga-lo, mas podemos nos reinventarmos com ousadia, sermos responsáveis frente ao acaso e à surpresa, correndo riscos para não sermos genéricos, plastificados e irrelevantes. Podemos fazer outros caminhos, aceitando a falta, a incompletude e renunciarmos ao excesso, que é o núcleo de todos os transtornos mentais. 

Abraços,
Félix.

8 de junho de 2017

Afinal, O Que Quer Uma Mulher?

Freud interessou-se pela sexualidade feminina e pelas questões de amor no início de seu percurso e, há mais de 80 anos, fez uma pergunta que permanece viva: “Afinal, o que quer uma mulher?” Resposta dos pós-freudianos: querem ser amadas. De forma didática e extremamente resumida, a teoria psicanalítica argumenta que as meninas sentem inveja do órgão sexual masculino (chamado de falo) durante o processo de constituição do sujeito. Elas se sentem prejudicada com esta falta no corpo e passam a desejar o que sabem que não têm e que nunca terão. Portanto, desde da infância, elas são marcadas pela falta no corpo. Elas vivem esta falta como uma falta de amor, um “menos” que sempre estará presente nas relações e que elas não cansam de se queixarem. Daí, o apelo ao amor ser tipicamente feminino. Por outro lado, ao dizer que as mulheres são faltosas, quero dizer que elas são desejantes, pois só se deseja algo que não se tem. E é o desejo que as move por mudanças dentro da prática amorosa. Mas as mudanças não aconteceram apenas na relação com seus parceiros. Nos últimos 50 anos a mudança na vida das mulheres foi enorme e e maravilhosa em todos os aspectos: social, profissional, sexual, familiar, educacional, maternal e na estética. Entretanto, apesar das conquistas estabelecidas, as mulheres continuam insatisfeitas não apenas a nível inconsciente, mas também conscientemente porque almejam padrões de perfeição que a mídia prega ser possível conseguir. As mulheres contemporâneas se submetem a todos os tratamentos estéticos para ter o corpo ideal, fazem cursos sobre como obter sucesso, passam a gostar de futebol, estão sempre na moda, fazem meditação, buscam a espiritualidade, cartomantes, horóscopos, livros de auto ajuda, manuais para ser feliz em 10 passos, elas consomem tudo o que é saudável e mais mil coisas. Enfim, transformam-se em verdadeiras super-heroínas que não permitem falhas. Ao tentar controlar as relações amorosas, elas não se deixam mais conquistar. Quando já estão em um relacionamento, não entendem que as dificuldades da vida a dois podem ser justamente o tempero para a manutenção desta. Sendo assim, as relações têm sido descartáveis, os parceiros são substituídos por outros sem tempo para elaborar o luto, em um pensamento equivocado de que um outro preencherá a ferida que está aberta. E, como a falta sempre existirá, como o buraco ou, como alguns costumam chamar, “o vazio interior” nunca será inteiramente preenchido, elas adoecem psiquicamente nesta busca desesperada da satisfação plena. O processo de análise traz o que é da ordem do sofrimento para o regime da palavra e vai além do processo terapêutico de responder à demanda, minimizando a lógica do reconhecimento do outro. Durante as sessões de análise, no ato de convidar o paciente a falar, é possível uma construção da própria versão da feminilidade, já que não existe um caminho universal para este processo. Se Freud alertava para o fato da perda do amor para a mulher ser o constituinte principal do desamparo humano, ao viajar para este lugar desconhecido que é o inconsciente, podemos trazer para a consciência a ideia de que é a possibilidade da falta que aponta para o amor.

 ( Síntese e modificações feitas por Félix em 07/06/2017 do texto de Rosa Abalic, Psicóloga, Psicanalista e mestre em Psicologia Social) Abraços!

25 de maio de 2017

Busca-se a felicidade, encontra-se a depressão

No vídeo abaixo, a psicanalista Maria Lucia Homem, fala do seu olhar sobre a busca da felicidade na contemporaneidade. O vídeo é de curta duração(apenas 4 minutos). Vale a pena assistir e refletir.

Abraços,

Félix Elvas Pequeno.




18 de maio de 2017

Diferença entre tristeza e depressão

Félix Elvas Pequeno



É importante distinguir a tristeza patológica daquela transitória provocada por acontecimentos difíceis e desagradáveis, mas que são inerentes à vida de todas as pessoas, como a morte de um ente querido, a perda de emprego, os desencontros amorosos, os desentendimentos familiares, as dificuldades econômicas, etc. Diante das adversidades, as pessoas sem a doença sofrem, ficam tristes, angustiadas, mas encontram uma forma de superá-las. Nos quadros de depressão, a tristeza não dá tréguas, mesmo que não haja uma causa aparente. O humor permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias e dias seguidos, e desaparece o interesse pelas atividades, que antes davam satisfação e prazer.

A depressão é uma doença incapacitante que atinge por volta de 350 milhões de pessoas no mundo. Os quadros variam de intensidade e duração e podem ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves.

Causas
Existem fatores genéticos envolvidos nos casos de depressão, doença que pode ser provocada por uma disfunção bioquímica do cérebro. Entretanto, nem todas as pessoas com predisposição genética reagem do mesmo modo diante de fatores que funcionam como gatilho para as crises: acontecimentos traumáticos na infância, estresse físico e psicológico, algumas doenças sistêmicas (ex: hipotireoidismo), consumo de drogas lícitas (ex: álcool) e ilícitas (ex: cocaína), certos tipos de medicamentos (ex: as anfetaminas). Mulheres parecem ser mais vulneráveis aos estados depressivos em virtude da oscilação hormonal a que estão expostas principalmente no período fértil.

Sintomas
Além do estado deprimido (sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias) e da anedonia (interesse e prazer diminuídos para realizar a maioria das atividades) são sintomas da depressão:

1) alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional); 
2) distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva praticamente diárias); 
3) problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias); 
4) fadiga ou perda de energia constante; 
5) culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade); 
6) dificuldade de concentração (habilidade diminuída para pensar ou concentrar-se); 
7) ideias suicidas (pensamentos recorrentes de suicídio ou morte); 
8) baixa autoestima, 
9) alteração da libido.

Muitas vezes, no início, os sinais da enfermidade podem não ser reconhecidos. No entanto, nunca devem ser desconsideradas possíveis referências a ideias suicidas ou de autodestruição.

Diagnóstico
O diagnóstico da depressão é clínico e toma como base os sintomas descritos e a história de vida do paciente. Além de espírito deprimido e da perda de interesse e prazer para realizar a maioria das atividades durante pelo menos duas semanas, a pessoa deve apresentar também de quatro a cinco dos sintomas supracitados. Como o estado depressivo pode ser um sintoma secundário a várias doenças, sempre é importante estabelecer o diagnóstico diferencial.

Tratamento
A depressão é uma doença que exige acompanhamento médico- psicológico sistemático. Quadros leves costumam responder bem ao tratamento psicoterápico. Nos outros mais graves e com reflexo negativo sobre a vida afetiva, familiar e profissional e em sociedade, a indicação é a psicoterapia e o uso de antidepressivos com o objetivo de tirar a pessoa da crise.

28 de abril de 2017

A Coragem de Ser Imperfeito



      Num mundo em que as pessoas criticam e julgam sem nem mesmo conhecer a realidade do outro, colocar-se em vulnerabilidade pode ser aterrorizante. A pesquisadora Brené Brown nos fala sobre como é libertador ter coragem de ser imperfeito: "Ser perfeito e à prova de bala são conceitos bastante sedutores, mas que não existem na realidade humana. Devemos respirar fundo e entrar na arena, qualquer que seja ela: um novo relacionamento, um encontro importante, uma conversa difícil em família ou uma contribuição criativa. Em vez de nos sentarmos à beira do caminho e vivermos de julgamentos e críticas, nós devemos ousar aparecer e deixar que nos vejam. Isso é vulnerabilidade. Isso é coragem de ser imperfeito. Isso é viver com ousadia." Abraçar a vida a partir de um sentimento de amor próprio, significa cultivar coragem, compaixão e vínculos suficientes para acordar de manhã e se sentir merecedor de amor e aceitação. As pessoas imperfeitas atribuíam todas as suas conquistas - desde o sucesso profissional até o casamento e os momentos felizes como pais - à capacidade de se tornarem vulneráveis, de compartilharem medos, sofrimentos e insucessos, de se lançarem a novos projetos mesmo com possíveis críticas, em suma, de enfrentarem a imperfeição. 
      É fundamental refletir sobre como estamos lidando com a vulnerabilidade em nosso dia a dia, em nossas relações conjugais, familiares, profissionais, em sociedade. Estar na arena da vida, sob os olhos sedentos dos que precisam de escudos contra a vulnerabilidade - como o perfeccionismo e o entorpecimento de viver sempre atarefado -, é uma atitude corajosa e engajada aos valores mais profundos da pessoa. Saber viver de modo coerente à própria imperfeição é estar conectado à verdadeira natureza humana. É ter consciência de limites e alcances, é não se colocar como escravo da aparência e do julgamento alheio. É viver com ousadia. Para isso, é preciso deixar as intenções claras, impor limites e cultivar vínculos. É importante fazer escolhas muito determinadas, como jamais dar ouvidos a opiniões que não venham de pessoas que passam pelos mesmos dramas que você. Ou seja, nunca se importar com quem apenas critica. "O julgamento pode exacerbar o isolamento". Não compartilhe histórias "íntimas", nem com feridas ainda não cicatrizadas, a quem não esteja dentro do pequenino círculo de amizades com as quais pode se mostrar vulnerável.
   Você precisa ter coragem de ser imperfeito em aspectos como o trabalho, a escola, a criação dos filhos, a vida conjugal. A autora aprofunda a importância de vivermos com o propósito de sermos verdadeiros conosco e com quem convivemos. Os ganhos dessa vida sincera e honesta, sem máscaras e sem o peso de lidar com julgamentos - sejam nossos ou alheios -, acolhendo nossa imperfeição com amorosidade e respeito, são tão grandes que nos tornamos pessoas com as quais todos querem estar.       Afinal, nossa humanidade está escancarada. Enquanto a maioria precisa gastar uma energia gigantesca para esconder suas vergonhas e defeitos, quem vive com ousadia pode simplesmente relaxar e ser quem é.

      Há uma frase minha, que gosto de dizer para alguns amigos: A perfeição é uma maldição que maltrata o coração.

Abraços!

*Síntese feita por Félix Elvas Pequeno, baseado no artigo de Brené Brown, autora do livro A Coragem de Ser Imperfeito.

31 de março de 2017

Querer não é poder



         Frustrar uma criança é impor-lhe limites, é dizer-lhe “não”, palavra que ninguém gosta de ouvir. A palavra “não” coloca um limite. Nós não podemos e nem devemos atender a todos os pedidos da criança porque os desejos têm uma medida muito maior do que a razão; nós queremos muito mais do que podemos. Mas sabemos o quanto é difícil para muitos pais exercerem a função de mostrar para a criança que querer não é poder.. Mas falar “não” para a criança é hoje uma situação que pode deixar os pais, avós e professores confusos e perdidos, pois eles costumam ouvir dois pontos de vista diferentes: de um lado, ouvem que não devem falar “não” para a criança, porque a traumatizariam e inibiriam seu desenvolvimento; de outro, ouvem que falar “não” para a criança é necessário para prepará-la para a dura realidade da vida, para discipliná-la e ajudá-la a se organizar e a amadurecer. É preciso tanto falar “não” como também dizer “sim”.Se evitarmos dizer “não” podemos nos sentir explorados e abusados pelo outro, e o outro não adquire a noção das limitações de cada pessoa.Além disso, a criança só adquire o conhecimento do significado do “sim” se ela vive a experiência da negativa. Isso se dá, por exemplo, quando muito cedo na vida o bebê quer mamar e a mãe demora um pouco para atendê-lo. O bebê, então, não só ouve o “não” como vive a experiência da ausência, tem a sensação do “não”. Daí a criança vai aprendendo que não pode ter tudo o que deseja e na hora que deseja. Junto com essa experiência vai surgindo também a noção de que ela deseja algo.Com o passar do tempo, a criança começa a ouvir o “não” dirigido às suas condutas, como “não pode fazer xixi no chão”, “não pode bater no irmãozinho”, etc. Embora desde cedo estejamos convivendo com as restrições, é muito difícil para as pessoas aceitar os limites. E muitas passam a vida inteira se rebelando contra eles, sonhando que podem eliminar os “nãos” da vida para daí se tornarem livres. Mas, existem os limites em relação a nós mesmos: “não sei”, “não consigo”, “não tenho”, “não posso”. E, ainda, os limites das diversas pessoas com quem nos relacionamos: ele “não sabe”, ele “não está”, ele “não pode”. Além disso tudo, temos também os limites impostos pela lei e os da espécie humana. E, ainda mais, é preciso aguentar receber uma negativa, uma frustração, para daí ser capaz de dizê-la para o outro. Vejam o mar de limites com que nos defrontamos para viver. É desde pequeno que aceitamos, a duras penas, esses limites. É imprescindível que se aprenda a lidar com eles, porque não há possibilidade de evitá-los, o viver junto exige limites. Observamos, com muita frequência, que as crianças não suportam ouvir “não” e reagem fazendo birra, esperneando, jogando-se no chão, enfim fazendo um carnaval. Em geral, para abafar o escândalo, os pais acabam por ceder, embora contrariados. E a criança vai criando a ideia não só de que sua agressividade tem muito poder, como também de que sendo agressiva ela pode conseguir o que deseja. Portanto, sempre que possível, não deem muita importância para os acessos de fúria de seus filhos quando frustrados.A criança pequena tem a ilusão de que é toda poderosa, o centro do mundo, e que tudo acontece por causa dela, que basta ela pensar para que aconteça. Com o passar do tempo ela vai percebendo que as coisas não são bem assim e que ela não é tão poderosa, não consegue tudo o que deseja e não é dona do mundo nem de ninguém. Enfim, ela vai conhecendo seus próprios limites e os dos outros, e entendendo que cada pessoa existe separada do outro e os outros vivem independentemente dela. Se, por um lado, o “não” é uma espécie de estraga prazer, ele é também uma proteção e proporciona um sentimento de segurança. Uma criança dificilmente teria um desenvolvimento emocional e intelectual sem ter sofrido a presença do “não”, pois ela não conseguiria aprender a pensar e a falar.                            

Jassanan Amoroso Dias Pastore é psicanalista da SBPSP.
(Síntese feita por Félix Elvas Pequeno)

18 de março de 2017

Psicanálise e Medicamentos podem ser usados em conjunto?

Félix Elvas Pequeno

No vídeo esclarecedor  abaixo, o psicanalista e professor da USP Dr. Christian Dunker, responde sobre certas dúvidas relacionadas a psicanálise. Psicanálise e medicamentos podem ser usados em conjunto? Quem pratica psicanálise pode ao mesmo tempo administrar medicamentos? Vale a pena assistir o vídeo (9 minutos apenas) e fazer suas reflexões sobre o tema. Caso deseje, comente e compartilhe. Abraços!


26 de janeiro de 2017

Quem são e Onde estão os Loucos?

Félix F. Elvas Pequeno

    Na Idade Média, a “loucura” era vista como sendo um fenômeno de possessão demoníaca, em que os indivíduos que apresentavam atitudes tidas como “anormais”, "diferentes", "loucas", eram submetidos à prática de exorcismo pela “Santa Igreja”. Eram enclausurados em manicômios e efetivamente afastados do contexto social “normal”.
         O “diferente", louco, que não apresentasse “boa conduta” era  violentado com repressões e controles, pois os manicômios tinham a função de guardar e conter os “doentes” para que não “contaminassem” aquela sociedade tão normal e “sadia”.
              Atualmente vivemos como autômatos, parecemos ter perdido a espontaneidade, a capacidade de sentir e se expressar direta e criativamente. Nossa existência é programada pelo grande computador que é o nosso sistema sociocultural e, assim sendo, desistimos da liberdade de pensar por nós mesmos e deixamos de fazer nossas próprias escolhas. Estamos perdendo a nossa subjetividade. Não podemos falhar, pois nos é exigida a perfeição e nossas dificuldades são classificadas como “defeitos”. Vivemos uma mentira e ilusão de querer ser mais do que nossas limitações e nossas possibilidades. É nesse sistema alienante e perverso, onde somos estimulados a sermos sempre "felizes" e,  se apresentarmos atitudes fora dos comportamentos “normais” somos vistos como loucos ou desajustados e ficamos “estranhos” à maioria; viramos o "diferente".
             As nossas maneiras peculiares são invalidadas por aqueles indivíduos ditos “sadios”, de tal forma que passamos a ser vistos como "diferentes" das expectativas familiares e sociais, então passamos a ficar fora dos padrões, mal adaptados, inadequados e muitas vezes somos marginalizados. Nesse momento corremos o risco de quebrar nossos vínculos com a sociedade e com a família. Ficamos fracos e sem defesa e acabamos sendo o “bode expiatório”, ou melhor, somos eleitos doentes mentais. Aqueles mais sensíveis não conseguem resistir às pressões exercidas pela desagregação sócio-familiar, então fazem um "surto psicótico", regridem como um bebê que precisa ser cuidado e ter colo: sinal de carências.
          Com esse curto texto, viso trazer a baila a imagem que fazemos dos "diferentes", chamados de"loucos". Muitos de nós ficamos assustados diante deles, talvez porque projetamos neles nossas próprias partes “loucas”, aquelas que não reconhecemos em nós. O “louco” é o espelho onde vemos refletidas nossas próprias inconsistências e atrapalhações. "Nossas partes "psicóticas e sadias" estão indo e vindo em um movimento constante."( W, Bion)
          Os homens que destroem nossa natureza para construir o progresso não estão loucos de verdade? Jovens que se embriagam, se drogam e empinam suas motos pelas ruas ou sobem com elas nas calçadas não estão realmente loucos? Políticos corruptos e perversos que enfiam no bolso o dinheiro do povo e prometem onipotentemente acabar com a fome de todos os brasileiros não são psicopatas? Os países que estão em guerras constantes não são loucos fanáticos? O imperialismo e o sonho americano não é uma loucura real? 
           A assistência precária à saúde, o desemprego, a fome, as pressões psicológicas e as imposições econômicas não geram loucura? A violência urbana, a sociedade contemporânea alienada e perversa não fabrica loucos? A TV que invade nossas casas com programas insensíveis e de baixo nível não  estão praticando loucura? A globalização, que nos deixa sem estabilização na segurança, nas referências, nas decisões e na orientação, não nos empurra para a loucura? Conclua você mesmo: "Quem são e onde estão os loucos de verdade?"
        "É o não-louco que conhece o louco".Por que? Porque o não-louco segue normas e condutas e consegue observar sujeitos que saem fora do eixo." "A loucura será uma ameaça sempre presente numa sociedade que tem horror ao "diferente",que reprime a diversidade do real à uniformidade da ordem racional científica. E que um dia nossa interioridade venha a ser resgatada..."


12 de janeiro de 2017

Por que a Psicanálise?


Félix Elvas Pequeno

     Pacientes que somente enfiam medicamentos pela goela abaixo não têm o suficiente para si. Eles merecem mais do que ficar tranquilos ou eufóricos. Temos, além do cérebro, uma memória inconsciente que registra tudo: infância, mãe, pai, irmão e o mundo relacional onde se desenrola a trama psíquica de Narciso a Édipo.
     A psicanálise não deve competir com neurolépticos, antidepressivos, ansiolíticos, abordagens terapêuticas sedutoras que buscam o alívio rápido com eliminação das angústias, dos sintomas e nem livros de auto-ajuda; ela não serve mesmo para tudo isto. Ao contrário, considera que os sintomas e angústias têm um sentido e função, e o ser humano não deve escapulir da angústia, pois é através dela que ele cresce emocionalmente. A psicanálise não tem a pretensão de resolver os conflitos humanos num "lava rápido"; e é incompetente para deixar as pessoas tranquilas, tranquilidade há somente no cemitério, onde descansamos em paz.  Ela não promete uma felicidade total, nem pretende curar sintomas. Não considera, inclusive, que haja desenvolvimento pessoal sem sofrimento psíquico.
     A Psicanálise ocupa-se de investigar e conhecer a natureza da mente humana, a essência da condição humana, facilitando o sujeito a tomar consciência das suas possibilidades e limitações, construir sua singularidade e ser responsável pelo que é e pelo que faz. Infelizmente porém, no mundo contemporâneo em que vivemos, o que mais se vê, é a tentativa de amarrar a angústia com excesso de remédios.Outro sério problema que observamos no consultório, são os remédios tomados em regime de automedicação. Trata-se da idealização de uma solução vinda de fora para dentro. Há pessoas que acreditam que sua depressão ou seu pânico são, unicamente, sinal de um desequilíbrio químico ocorrido em seu cérebro e nada mais. O medicamento quando não usado adequadamente, pode agir como um tampão que impede a pessoa de se confrontar com seus medos, desejos, emoções e sentimentos mais profundos.
         A psicanálise, no entanto, é para quem questiona as soluções fáceis e duvida das saídas rápidas.É um tratamento para quem aceita que é impossível "medicar" problemas pessoais e conflitos emocionais. .Porém, não há como fazer com que uma psicanálise seja imposta, contra a vontade da própria pessoa.
Sem o desejo de investigar, o que o próprio sofrimento pode estar querendo dizer, não há tratamento possível Fazer psicanálise é um privilégio, que quem tem sabe o quanto é gratificante!