23 de novembro de 2016

Coitado do Inconsciente

Félix  Elvas Pequeno

Para o psicanalista e/ou psicoterapeuta da contemporaneidade, é fundamental que ele olhe o paciente como responsável pelas suas escolhas ao construir sua singularidade no seu percurso nessa existência, apostando na sua criatividade, na sua invenção, responsável pelo seu jeito subjetivo de desfrutar do seu corpo, de sua vida e da sua ousadia. Tornou-se hábito culparmos o nosso “inconsciente” pelas nossas atitudes e não nos responsabilizarmos pelo que somos e pelo que fazemos, tornando-se então o inconsciente o causador do nosso sofrimento psíquico, omitindo a nossa própria participação diante de uma ação que cometemos (voluntária ou involuntariamente). Costumamos, como defesa, dizer algo assim: ”só se foi  inconscientemente que eu faltei à sessão, esqueci!” ou “ foi um ato falho do meu inconsciente que eu troquei o seu nome”,  “só se foi o meu inconsciente que me fez esquecer de enviar uma mensagem para você,que inconsciente rebelde!”, dentre outras defesas (desculpas). Então pulamos fora de nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas e atitudes, como se o nosso inconsciente não fosse  de nossa responsabilidade,mas sim um grande vilão! Pare de responsabilizar o seu inconsciente pelos  seus comportamentos! Sim, você é o único sujeito  responsável pelo que é  e pelo que faz  frente ao acaso e às surpresas da vida. Fica fácil culpar o seu inconsciente! Portanto, é fundamental na psicanálise ou psicoterapia da atualidade olhar a angústia, não como paralisante, mas como um motor de escolhas responsáveis.

No vídeo abaixo, o psicanalista Christian Dunker tem um olhar interessante sobre o inconsciente, onde fala que muitas vezes jogamos a culpa só no nosso inconsciente pelas nossas atitudes e não nos responsabilizamos por elas, então o coitado do inconsciente torna-se o grande vilão dos nossos sofrimentos psíquicos!