23 de maio de 2016

Transtorno de Panico (Síndrome de Pânico)

Félix Elvas Pequeno


O transtorno de pânico caracteriza-se por ataques recorrentes e inesperados de ansiedade aguda e intensa, apreensão, temor ou terror com inicio rápido e de curta duração. O ataque é repentino e inexplicável e vem  acompanhado da sensação de morte súbita (mesmo que o agente externo não esteja presente, pois o perigo vem de dentro da mente da pessoa). Aparece de forma invasiva, sem qualquer apoio  na realidade  e sem justificativa. O ataque de pânico pode iniciar-se lentamente ou acontecer abruptamente.
Os sintomas do ataque de pânico variam de pessoa para pessoa. Segundo os relatos de pacientes, o sinal que um ataque de pânico está para acontecer é uma sensação ruim na boca do estomago, que em seguida desloca-se para o centro do peito, alcançando seu auge com uma incontrolável taquicardia.

Sintomas dominantes do ataque de pânico:
Falta de ar ou sufocação; sensação de afogamento; palpitação ou ritmo cardíaco acelerado; dor ou desconforto no peito; sudorese; cabeça leve; sensação de desmaio; vertigem; tontura; náusea ou desconforto no abdômen; boca seca; nó na garganta; formigamentos; ondas de calor e/ou frio; tremores ou sacudidas; desrealização (sentimento de irrealidade); medo de perder o controle (cometer algum ato impensado durante o ataque); medo de enlouquecer;  de morrer; sentimentos de desamparo ou de abandono; sentimento de despersonalização (sentir-se distante de si próprio).
Os ataques normalmente duram apenas minutos, ainda que as vezes sejam prolongados; sua freqüência e curso são muito variáveis. Uma pessoa em um ataque de pânico, em geral, apresenta um medo muito súbito e sintomas automáticos, os quais resultam em uma saída usualmente apressada de onde quer que ela esteja. Os ataques de pânico constantes produzem medo da pessoa ficar sozinha ou ir a lugares públicos e geralmente é seguido de um medo persistente de outro ataque.
Em pessoas onde o transtorno de pânico não foi convencionalmente tratado ou foi diagnosticado incorretamente, a crença de ter uma doença ameaçadora à vida não detectada pode levar a uma ansiedade debilitante e crônica, conduzindo a pessoa a constantes consultas médicas, principalmente aos cardiologistas.

Tratamento : 
A) os medicamentos podem ser recursos auxiliares importantes para o controle dos ataques de pânico. Porem, há algumas ponderações sobre a utilização deles, como por exemplo: os medicamentos não ensinam a pessoa a pensar e nem a compreender  os seus pensamentos catastróficos automáticos negativos  que desencadeiam o transtorno de pânico.  Atualmente, é possível tratar pacientes com transtorno de pânico sem a utilização de medicação. Temos obtido bons resultados com a psicoterapia breve de base analítica, na qual os pacientes aprendem a pensar, “e pensar bem é uma excelente forma de estar bem”.
 B) A psicoterapia individual é o principal tratamento para transtorno de pânico, na qual, através de métodos e técnicas psicológicas, o paciente aprenderá a pensar, a dar significado a suas emoções, aos seus sentimentos de desamparo inconscientes que são marcantes no transtorno de pânico. Através da psicoterapia individual, o paciente obterá recursos mentais para construir sua singularidade, lidar com suas angustias e medos, deixando de buscar amparo e proteção em outras pessoas, como faz inconscientemente a sua “criança interna” durante os ataques de pânico. O Psicoterapeuta vai conduzindo, gradativamente, o paciente a identificar e corrigir seus constantes pensamentos catastróficos. Tais pensamentos aumentam a intensidade de determinados fatos e de sentimento, por exemplo: o coração dispara e vem os pensamentos catastróficos de morte. Com outras palavras: os pensamentos catastróficos predizem o futuro negativamente sem considerar outros resultados, mais prováveis e realísticos. Em termos mais simples, ter pensamentos catastróficos é fazer tempestade em copo d’água.

“Muitos pacientes com transtorno de pânico relatam que na infância passaram por experiências de desconforto em relação a sentimentos agressivos, lidando mal com tais sentimentos e referem que seus pais eram assustadores, excessivamente críticos e muito controladores. Tais pacientes apresentam uma personalidade frágil, freqüentemente tomada por vivencias de vazio e desamparo, necessitando de um outro para suprir tais funções. O psicoterapeuta irá ajudar o paciente a construir referencias internas que possam promover melhor integração das vivencias, preenchendo o espaço vazio que tanto o angustia.” (Prof. Dr. Mario Rodrigues Souzã Neto, Professor de psiquiatria da USP e  Psicanalista formado pela SBPSP).