2 de janeiro de 2016

A Droga do Álcool na Adolescência e na Juventude


Félix F. Elvas Pequeno

            A adolescência é uma fase difícil, pois o adolescente está deixando a infância e se preparando para ser adulto.
            Nesta fase há perdas: perda do papel e identidade infantis, perda do corpo de criança, perda dos pais da infância que o protegiam e o apoiavam em todos os instantes. Portanto, é um momento de mudanças, de “turbulências emocionais”, de inseguranças, de medo diante do desconhecido e de questionamentos. Muitas vezes o adolescente não consegue lidar com essas perdas, frustrações e inseguranças, tanto por desestrutura emocional dele próprio como por um funcionamento familiar doentio. O que acontece? Vai buscar as soluções para esses problemas, inicialmente, na droga do álcool e, depois, em outras drogas.
            Na adolescência ocorre um sentimento de onipotência (poder total) e o álcool vem a reforçar as fantasias onipotentes do adolescente. Ele se torna a “porta de entrada” para outras drogas. Por quê? Porque rapidinho o álcool fica “fraco”, e o adolescente, na ânsia de buscar algo mais “forte”, vai em busca de drogas como cocaína, crack. Com o álcool e/ou outras drogas na cabeça o adolescente não tem medo de fazer “coisas” perigosas. Ele imagina, fantasia, que nada poderá lhe acontecer, como acidentes graves de carro ou de moto, e outras tragédias. Então eles dizem: “Posso beber à vontade. Sei o que estou fazendo. Eu nunca vou ficar viciado. Somente os caretas, os fracos ficam viciados. Eu? Jamais. Sou forte”. Ele tem a certeza na cabeça de que nada lhe acontecerá, o que no fundo é uma “ilusão maluca” e ele se expõe a perigos. Perde o juízo crítico. Ele não entra no caminho das drogas por ignorar o perigo, mas para desafiar o perigo. E é aí que ele se ferra, pois o álcool, como outras drogas, é um suicídio lento, e, muitas vezes, imediato (como acidentes de trânsito, over-dose, etc). Ficando embriagado, tudo parece beleza total, alegria plena, mas cuidado, porque muitas vezes o impulso de morte vem embrulhado em papel de presente.
            Pois é, está constatado em pesquisas que o álcool é a “porta de entrada” para outras drogas. O uso de bebidas alcoólicas geralmente começa em casa por imitação aos pais que também bebem. Muitos pais, infelizmente, incentivam seus filhos adolescentes a dar aqueles goles dizendo: “Ele já é um rapaz” ou “Ela já é moça e pode tomar uns goles”. Usar bebida alcoólica acaba fazendo parte de um “ritual” de entrada na adolescência. O uso do álcool é visto como símbolo de liberdade, “coisa de adulto”. Também há outro agravante: o reforço da “turma”, que exige o uso de bebidas alcoólicas para que o novo membro seja aceito, incluído no grupo.
             Os pais ainda exercem grande influência sobre os filhos nessa época. Cabe a eles dar modelos sadios e não incentivar o uso de bebidas alcoólicas. Os pais têm que saber lidar com a situação. Apenas proibir o adolescente de usar bebidas alcoólicas não dá certo, pois o que é proibido é sempre mais gostoso. Também o excesso de liberalismo dos pais pode ser visto pelo adolescente como indiferença ao problema, que o levará a um consumo ainda maior do álcool. Os pais devem saber ou aprender a exercer uma autoridade saudável, sem normas rígidas ou tolerância excessiva. Eles precisam saber “negociar” com seus filhos. Adolescentes, vocês sabiam que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), tem uma Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990, que proíbe o uso e venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos? Pois é, vocês também transgridem essa lei. Adolescente, não permita-se influenciar pela "turma" que te pressiona a usar bebidas alcoólicas. Desde já, comece a formar sua própria identidade, construindo sua singularidade e a ser responsável pelo que você é e pelo que você faz.
            Por fim, quero deixar algumas palavras aos jovens, maiores de 18 anos, que fazem uso abusivo de bebidas alcoólicas: Vocês estão cheio de capacidades, de qualidades, de belezas internas. As “coisas” boas estão dentro de vocês e não na droga do álcool. Ele só dá um prazer imediato e anestesia suas capacidades, mata sua mente e seu corpo. Não estou propondo lei seca, pois sei que a juventude é uma fase de prazer, e tomar sua cervejinha ou seu drinque moderadamente é prazeroso e uma forma de estar reunido socialmente com teus amigos. O problema é o consumo exagerado, o vício, a escravidão ao álcool. Se vocês sentem que já estão viciados na droga do álcool, procurem ajuda urgente, pois estão numa canoa furada.
            Por trás da euforia que o álcool provoca há um adolescente ou jovem desesperado, arrebentado internamente, sofrido, cheio de dor, com muitos conflitos internos e externos. Talvez, nas suas atitudes autodestrutivas e atrapalhadas, esteja, inconscientemente, pedindo socorro.

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