23 de dezembro de 2016

Percurso...



Félix F. Elvas Pequeno

            Estamos nos separando do ano em curso e vamos nos juntar ao próximo ano. Deixaremos o ano velho conhecido, experimentado, controlado e morto, e entraremos no ano novo, vivo, desconhecido, cheio de surpresas, provocações e experiências novas que nem imaginamos como serão...
            Cada ano que passa é um trecho do grande percurso que é a vida. Nesse trecho que passou, vivi experiências ora agradáveis ora desagradáveis. Penso que ainda tenho muito que fazer, muitos trechos para percorrer e muito que aprender...
             O percurso continua, e desejo ir adiante, sei que ele é longo e eterno enquanto durar.
             Normalmente, o percurso é cheio de percalços, dolorido e intranqüilo, porque assim é a vida - inquietante e angustiante.  Viver é um processo dinâmico, sem bom senso e intrigante.
            Neste ano que está morrendo, ora caminhei apressado, ora caminhei devagar. Não quero me lamentar, não há culpa, não há pecado, não sou perfeito. A perfeição é uma maldição que maltrata o coração. Fiz o que pude, dentro de minhas possibilidades e limitações.
         No próximo ano, num novo trecho, quero continuar o percurso cheio de curiosidades, de dúvidas e questionamentos. Estou caminhando, deixando para trás as paradas e as cidades já vistas, conhecidas. Vou em busca de lugares ainda não vistos, novas terras...

          “É preciso navegar, deixando atrás as terras e os portos dos nossos pais e avós. Nossos navios têm de buscar a terra dos nossos filhos e netos, ainda não vistas, desconhecidas.” (Nietzsche)


        Só sei que esta vida é um grande percurso multicolorido, mas que nada é “divino e maravilhoso”. Viver é melhor que sonhar, é enigmático e instigante. Existe um mundo a ser apreciado e saboreado. ”A vida é um banquete e a maior parte dos idiotas está morrendo de fome” . Há coisas fantásticas a serem vistas, sentidas, desejadas, almejadas e realizadas. Fica para você que leu este texto, caso deseje, uma sugestão: Há uma diferença entre conhecer o caminho, e fazer o percurso do caminho! Faça o seu percurso daqui para frente, construindo sua singularidade e sendo responsável pelo que você é e pelo que você faz, apostando nas suas invenções diante dos obstáculos da vida, pois o obstáculo é o caminho!

23 de novembro de 2016

Coitado do Inconsciente

Félix  Elvas Pequeno

Para o psicanalista e/ou psicoterapeuta da contemporaneidade, é fundamental que ele olhe o paciente como responsável pelas suas escolhas ao construir sua singularidade no seu percurso nessa existência, apostando na sua criatividade, na sua invenção, responsável pelo seu jeito subjetivo de desfrutar do seu corpo, de sua vida e da sua ousadia. Tornou-se hábito culparmos o nosso “inconsciente” pelas nossas atitudes e não nos responsabilizarmos pelo que somos e pelo que fazemos, tornando-se então o inconsciente o causador do nosso sofrimento psíquico, omitindo a nossa própria participação diante de uma ação que cometemos (voluntária ou involuntariamente). Costumamos, como defesa, dizer algo assim: ”só se foi  inconscientemente que eu faltei à sessão, esqueci!” ou “ foi um ato falho do meu inconsciente que eu troquei o seu nome”,  “só se foi o meu inconsciente que me fez esquecer de enviar uma mensagem para você,que inconsciente rebelde!”, dentre outras defesas (desculpas). Então pulamos fora de nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas e atitudes, como se o nosso inconsciente não fosse  de nossa responsabilidade,mas sim um grande vilão! Pare de responsabilizar o seu inconsciente pelos  seus comportamentos! Sim, você é o único sujeito  responsável pelo que é  e pelo que faz  frente ao acaso e às surpresas da vida. Fica fácil culpar o seu inconsciente! Portanto, é fundamental na psicanálise ou psicoterapia da atualidade olhar a angústia, não como paralisante, mas como um motor de escolhas responsáveis.

No vídeo abaixo, o psicanalista Christian Dunker tem um olhar interessante sobre o inconsciente, onde fala que muitas vezes jogamos a culpa só no nosso inconsciente pelas nossas atitudes e não nos responsabilizamos por elas, então o coitado do inconsciente torna-se o grande vilão dos nossos sofrimentos psíquicos! 



29 de setembro de 2016

O que é "sintoma" para a psicanálise?

Félix Elvas Pequeno

Freud escreveu sobre sintomas e angústias no texto "Inibição, sintoma e angústia", em 1926. O Prof. Dunker é Psicanalista, Professor e Dr. em Psicanálise pela USP; no vídeo abaixo, tenta explicar como a Psicanálise olha os sintomas. A Psiquiatria Clínica tenta curar os transtornos mentais através de medicações, fiel ao modelo médico. A Psicanálise tenta cessar os sintomas dos transtornos mentais que estão recalcados no inconsciente do paciente, através da linguagem (tratamento pela fala) que acontece na relação transferencial psicanalista - paciente! Em outras palavras, a psiquiatria vê os transtornos mentais (T. depressivo, T.de ansiedade generalizada, T. de pânico, T. obsessivo, T. bi-polar, entre outros) como doenças; já a Psicanálise, olha os Transtornos Mentais como sintomas de sofrimentos psíquicos! O tratamento psicanalítico mobiliza aos poucos o paciente à fazer seu percurso em busca da sua singularidade (subjetividade), e consequentemente apostar nos seus desejos, tornado-se responsável pelo que é, e pelo que faz.


14 de agosto de 2016

Entenda a auto-sabotagem



Conhecemos pessoas que quando conquistam o sucesso: um bom emprego, um relacionamento feliz, a compra do carro novo, a viagem dos sonhos, ou seja, alcançaram as pequenas e grandes vitórias. Mas no momento de usufruir tais conquistas, fazem de tudo para dar errado, se auto-sabotam pelo medo de ser feliz.

Em 1916, Freud escreveu um artigo de grande repercussão no mundo científico intitulado: “Os que Fracassam ao Triunfar”. Ele tratava de pessoas que possuíam medo de ter satisfação e para tanto, sentiam-se aliviadas quando o que estavam fazendo não dava nada certo. É como se alguém tivesse tudo para ser feliz e, de alguma forma, conseguisse arrumar um jeito para fugir da felicidade.

A auto-sabotagem pode se manifestar em todos os aspectos da vida:  namoro, casamento, educação do filhos, escola, trabalho e novos projetos. Os psicoterapeutas são unânimes em afirmar que o processo de cura para este tipo de doença emocional passa pela tomada de consciência de que as pessoas não só estão se sabotando, mas também destruindo o seu futuro.

A origem da auto-sabotagem pode estar lá atrás: na infância, no núcleo familiar que é onde adquirimos referências e construímos nossa base de percepção e atuação no mundo, incluindo traumas, assimilação de traços da personalidade de quem convivemos, sentimentos de abandono, rejeição, culpa, entre outros anseios.

Esse comportamento pode ser tão grave ao ponto de provocar obesidade, depressão, cardiopatias, transtornos de ansiedade, pensamentos suicidas, diabetes e, em casos mais graves automutilação, que é quando a pessoa cria flagelos físicos em si mesma para se punir e liquidar com o sucesso e a felicidade em todos os planos da vida.

Não podemos ter vergonha de falar e lidar com esse sofrimento, pois se trata de uma doença que sente prazer pelo desprazer, significa que quanto mais a vida se torna difícil, mais a pessoa se satisfaz, chega a ter prazer em ser maltratada ou sentir dor.  É uma reação provocada pelo inconsciente que faz com que a pessoa sinta fascinação por tudo que lhe produz destrutividade, tornando-se um complexo de inferioridade crônica.

Não podemos perder a esperança, porque a auto-sabotagem é uma doença da alma que tem tratamento e cura, porém exige determinação e precisa de mudanças significativas de hábitos e atitudes que não basta apenas o desejo de mudar, de fazer algo diferente, se crenças e padrões continuam os mesmos, repetindo o mesmo comportamento e puxando o “próprio tapete”. Mas como disse Dostoievski: a maior felicidade é saber por que se é infeliz.

Autor:  Jackson César Buonocore

*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia  oferecida por um psicólogo

23 de maio de 2016

Transtorno de Panico (Síndrome de Pânico)

Félix Elvas Pequeno


O transtorno de pânico caracteriza-se por ataques recorrentes e inesperados de ansiedade aguda e intensa, apreensão, temor ou terror com inicio rápido e de curta duração. O ataque é repentino e inexplicável e vem  acompanhado da sensação de morte súbita (mesmo que o agente externo não esteja presente, pois o perigo vem de dentro da mente da pessoa). Aparece de forma invasiva, sem qualquer apoio  na realidade  e sem justificativa. O ataque de pânico pode iniciar-se lentamente ou acontecer abruptamente.
Os sintomas do ataque de pânico variam de pessoa para pessoa. Segundo os relatos de pacientes, o sinal que um ataque de pânico está para acontecer é uma sensação ruim na boca do estomago, que em seguida desloca-se para o centro do peito, alcançando seu auge com uma incontrolável taquicardia.

Sintomas dominantes do ataque de pânico:
Falta de ar ou sufocação; sensação de afogamento; palpitação ou ritmo cardíaco acelerado; dor ou desconforto no peito; sudorese; cabeça leve; sensação de desmaio; vertigem; tontura; náusea ou desconforto no abdômen; boca seca; nó na garganta; formigamentos; ondas de calor e/ou frio; tremores ou sacudidas; desrealização (sentimento de irrealidade); medo de perder o controle (cometer algum ato impensado durante o ataque); medo de enlouquecer;  de morrer; sentimentos de desamparo ou de abandono; sentimento de despersonalização (sentir-se distante de si próprio).
Os ataques normalmente duram apenas minutos, ainda que as vezes sejam prolongados; sua freqüência e curso são muito variáveis. Uma pessoa em um ataque de pânico, em geral, apresenta um medo muito súbito e sintomas automáticos, os quais resultam em uma saída usualmente apressada de onde quer que ela esteja. Os ataques de pânico constantes produzem medo da pessoa ficar sozinha ou ir a lugares públicos e geralmente é seguido de um medo persistente de outro ataque.
Em pessoas onde o transtorno de pânico não foi convencionalmente tratado ou foi diagnosticado incorretamente, a crença de ter uma doença ameaçadora à vida não detectada pode levar a uma ansiedade debilitante e crônica, conduzindo a pessoa a constantes consultas médicas, principalmente aos cardiologistas.

Tratamento : 
A) os medicamentos podem ser recursos auxiliares importantes para o controle dos ataques de pânico. Porem, há algumas ponderações sobre a utilização deles, como por exemplo: os medicamentos não ensinam a pessoa a pensar e nem a compreender  os seus pensamentos catastróficos automáticos negativos  que desencadeiam o transtorno de pânico.  Atualmente, é possível tratar pacientes com transtorno de pânico sem a utilização de medicação. Temos obtido bons resultados com a psicoterapia breve de base analítica, na qual os pacientes aprendem a pensar, “e pensar bem é uma excelente forma de estar bem”.
 B) A psicoterapia individual é o principal tratamento para transtorno de pânico, na qual, através de métodos e técnicas psicológicas, o paciente aprenderá a pensar, a dar significado a suas emoções, aos seus sentimentos de desamparo inconscientes que são marcantes no transtorno de pânico. Através da psicoterapia individual, o paciente obterá recursos mentais para construir sua singularidade, lidar com suas angustias e medos, deixando de buscar amparo e proteção em outras pessoas, como faz inconscientemente a sua “criança interna” durante os ataques de pânico. O Psicoterapeuta vai conduzindo, gradativamente, o paciente a identificar e corrigir seus constantes pensamentos catastróficos. Tais pensamentos aumentam a intensidade de determinados fatos e de sentimento, por exemplo: o coração dispara e vem os pensamentos catastróficos de morte. Com outras palavras: os pensamentos catastróficos predizem o futuro negativamente sem considerar outros resultados, mais prováveis e realísticos. Em termos mais simples, ter pensamentos catastróficos é fazer tempestade em copo d’água.

“Muitos pacientes com transtorno de pânico relatam que na infância passaram por experiências de desconforto em relação a sentimentos agressivos, lidando mal com tais sentimentos e referem que seus pais eram assustadores, excessivamente críticos e muito controladores. Tais pacientes apresentam uma personalidade frágil, freqüentemente tomada por vivencias de vazio e desamparo, necessitando de um outro para suprir tais funções. O psicoterapeuta irá ajudar o paciente a construir referencias internas que possam promover melhor integração das vivencias, preenchendo o espaço vazio que tanto o angustia.” (Prof. Dr. Mario Rodrigues Souzã Neto, Professor de psiquiatria da USP e  Psicanalista formado pela SBPSP).

19 de abril de 2016

Transtorno de ansiedade generalizada

Félix Elvas Pequeno

   Todos nós já experimentamos algum grau de ansiedade, quando esta é necessária para a nossa sobrevivência. Quem nunca ficou ansioso antes de uma prova importante ou de uma entrevista, ou preocupou-se com o resultado de um exame de saude? Sentir-se ansioso pode motivar uma pessoa a preparar-se melhor para uma reunião de negócios ou tomar medidas especiais ao viajar para um lugar desconhecido. O fato é que precisamos de uma dose de ansiedade em nossa vida. Porém, nem toda vivência de ansiedade é boa para a pessoa. Para muitos, a ansiedade torna-se opressora, caracterizada por sentimentos excessivos e persitentes de apreensão, preocupações catastróficas, tensão, nervosismo sobre situações do dia a dia. A ansiedade torna-se doentia e generalizada quando caracteriza-se por pelo menos 6 meses de ansiedade e preocupações excessivas, persistentes e irrealistas frente a situações cotidianas normais.
   O transtorno de Ansiedade Generalizada é bem caracterizado pelo fato de as pessoas se mostrarem patologicamente ansiosas acerca de tudo. Nesses casos, é difícil controlar as preocupações que são insistentes ou excessivas e flutuantes.
   Sintomas da Ansiedade Generalizada: Sentimentos contínuos de nervosismos; sudoreses; calor forte pelo corpo; sensação de cabeça leve; palpitações; fôlego curto; boca seca; tonturas; respostas de sobresalto  exagerada; desconforto epigástrico; medos de que a própria pessoa ou um parente vai brevemente adoecer ou sofrer um acidente são  frequentemente verbalizados, juntamente com uma variedade de outras preocupações e pressentimentos; fadiga; dificuldades de concentração; irritabilidade; inquietação; pertubação do sono.
   As pessoas com transtorno de ansiedade generalizada, embora nem sempre sejam capazes de identificar suas preocupações como excessivas, elas relatam sofrimento subjetivo devido à constante preocupação, tem dificuldade em controlá-la ou experimentar prejuízo no funcionamento social, profissional, ocupacional, amoroso, familiar ou em outras áreas  importantes de sua vida.
    A intensidade, duração, freqüência da ansiedade ou preocupação são claramente desproporcionais a real probabilidade ou impacto do evento temido. A pessoa considera difícil evitar que as preocupações interfiram na atenção às tarefas que precisam ser realizadas e tem dificuldade em parar de se preocupar.
   As crianças e adolescentes com Ansiedade Generalizada mostram preocupações excessivas com a sua competência, com o desempenho escolar, social e atlético. Apresentam um excesso de queixas somáticas. Já os adultos,  frequentemente se preocupam com circunstâncias cotidianas e rotineiras, tais como: possíveis responsabilidades no emprego, finanças, saúde dos membros da família, infortúnios acometento filhos ou mesmo questões menores.
   Durante o curso do transtorno de Ansiedade Generalizada, o foco da preocupação pode mudar de uma preocupação para outra. Tal transtorno pode tornar-se crônico, que, se não tratado, pode durar a vida  inteira. O principal tratamento para o Transtorno de Ansiedade generalizada é a psicoterapia individual, na qual o paciente irá sentir-se instrumentalizado para lidar com sua Ansiedade Generalizada e vai tomar consciência de seus conflitos internos que desencadeiam suas crises de ansiedades.

27 de fevereiro de 2016

O Que é a Psicoterapia e Quando Procurar esse Tratamento

Félix Elvas Pequeno

A psicoterapia é um método de tratamento para problemas psicológicos e emocionais realizada pelo psicólogo clínico. O psicoterapeuta faz através do seu aparelho mental intervenções (interpretações, reformulações, construções, confrontações, apontamentos, etc.) que ajudam o paciente a tomar consciência da origem dos seus conflitos, elaborando e lidando de um modo mais adaptativo com problemas do passado e/ou do presente da sua vida.
Trata-se de um processo em que o psicoterapeuta utiliza-se de técnicas e métodos psicológicos com o paciente, para auxiliá-lo no conhecimento de suas angústias e necessidades. Em outras palavras, o psicólogo através de suas interpretações recebe os problemas do paciente, tritura-os, digere-os e o transforma em “coisas pensáveis”, assim como o aparelho digestivo que recebe o alimento, tritura-o, digere-o e o transforma em energia para o corpo.
 São diversas as condições persistentes nas quais as pessoas devem procurar tratamento psicoterápico, tais como: uso de drogas, depressão, transtorno bipolar, pânico, ansiedade generalizada, dificuldades nas relações interpessoais, problemas de sexualidade, fobias, entre outros. Estas condições, quando não são tratadas, podem encaminhar a uma existência doentia, gerando sofrimentos persistentes, para o paciente e sua família. A psicoterapia pode ocorrer simultaneamente com os tratamentos medicamentosos (ansiolíticos, anti-depressivos, neurolépticos, entre outros) feitos pelos médicos psiquiatras.
 O tratamento psicoterapêutico permite que a pessoa consiga se situar melhor dentro de sua vida, conscientizando-se do motivo de suas escolhas e do quando estas estão de acordo com seus desejos ou não. O paciente vai tomando consciência de suas possibilidades e limitações, construindo sua singularidade (a singularidade é um trabalho de ousadia, de criatividade, de invenção), responsabilizando-se pelo que é e pelo que faz, apostando numa “dança elegante” com o novo, com o desconhecido e com as incertezas do “osso” da existência humana.
A psicoterapia constitui uma experiência enriquecedora que promove o desenvolvimento pessoal, dando ao paciente a possibilidade de organizar uma nova forma de pensar e de mudanças de pontos de vista. Também pode ser útil a quem pretenda se auto-conhecer, fazendo questionamentos e reflexões acerca de si mesmo, das suas emoções e dos seus relacionamentos interpessoais.
O tratamento vai acontecendo através da comunicação verbal e corporal, onde o paciente vai  expressando ao psicoterapeuta suas emoções, pensamentos e fantasias.
A freqüência das sessões e duração do tratamento psicoterápico é de comum acordo entre psicoterapeuta e paciente, conforme suas necessidades. De um modo geral, as sessões são semanais e com duração de 50 minutos.
Fazer psicoterapia exige um investimento em termos de tempo, dinheiro e disponibilidade mental. O processo psicoterápico às vezes é doloroso, e o reconhecimento da existência de problemas psicológicos, há muito tempo negados, pode fazer com que, durante o tratamento, o paciente sinta-se dolorido mentalmente. Porém o psicoterapeuta vai escarafunchando, como um arqueólogo, o mundo inconsciente do paciente, e descobre que lá dentro não há somente escuridão, monstros, demônios perseguidores ou bruxas. Há, sobretudo, claridade, anjos, um tesouro rico em qualidades, bondades, capacidades. Há obras de arte preciosas, adormecidas, que podem ser acordadas com delicadeza. O psicoterapeuta capta o sofrimento do paciente com acolhimento, pacieciência e competência. As mudanças psicológicas e emocionais podem influenciar de forma positiva em todas as esferas da vida do paciente, como a sua família, a sua profissão, os seus relacionamentos afetivos, a sua saúde física e mental e o seu bem-estar na vida. São mudanças que ocorrerão até o fim da existência do paciente, e também, nesse sentido que a psicoterapia é um ótimo investimento.
O tratamento psicoterápico é artesanal e individual. Cada paciente precisa ter garantia de sigilo e saber que o psicoterapeuta está ali para entendê-lo com exclusividade e ética. As pessoas podem viver melhor e evitar doenças dependendo de suas capacidades de lidar com seus conflitos e problemas. Há pessoas que, por uma série de fatores, têm grande capacidade para lidar com frustrações, perdas, separações. Outras não são capazes de lidar sozinhas com seus conflitos e problemas, então podem se beneficiar muito de uma psicoterapia individual.

2 de janeiro de 2016

A Droga do Álcool na Adolescência e na Juventude


Félix F. Elvas Pequeno

            A adolescência é uma fase difícil, pois o adolescente está deixando a infância e se preparando para ser adulto.
            Nesta fase há perdas: perda do papel e identidade infantis, perda do corpo de criança, perda dos pais da infância que o protegiam e o apoiavam em todos os instantes. Portanto, é um momento de mudanças, de “turbulências emocionais”, de inseguranças, de medo diante do desconhecido e de questionamentos. Muitas vezes o adolescente não consegue lidar com essas perdas, frustrações e inseguranças, tanto por desestrutura emocional dele próprio como por um funcionamento familiar doentio. O que acontece? Vai buscar as soluções para esses problemas, inicialmente, na droga do álcool e, depois, em outras drogas.
            Na adolescência ocorre um sentimento de onipotência (poder total) e o álcool vem a reforçar as fantasias onipotentes do adolescente. Ele se torna a “porta de entrada” para outras drogas. Por quê? Porque rapidinho o álcool fica “fraco”, e o adolescente, na ânsia de buscar algo mais “forte”, vai em busca de drogas como cocaína, crack. Com o álcool e/ou outras drogas na cabeça o adolescente não tem medo de fazer “coisas” perigosas. Ele imagina, fantasia, que nada poderá lhe acontecer, como acidentes graves de carro ou de moto, e outras tragédias. Então eles dizem: “Posso beber à vontade. Sei o que estou fazendo. Eu nunca vou ficar viciado. Somente os caretas, os fracos ficam viciados. Eu? Jamais. Sou forte”. Ele tem a certeza na cabeça de que nada lhe acontecerá, o que no fundo é uma “ilusão maluca” e ele se expõe a perigos. Perde o juízo crítico. Ele não entra no caminho das drogas por ignorar o perigo, mas para desafiar o perigo. E é aí que ele se ferra, pois o álcool, como outras drogas, é um suicídio lento, e, muitas vezes, imediato (como acidentes de trânsito, over-dose, etc). Ficando embriagado, tudo parece beleza total, alegria plena, mas cuidado, porque muitas vezes o impulso de morte vem embrulhado em papel de presente.
            Pois é, está constatado em pesquisas que o álcool é a “porta de entrada” para outras drogas. O uso de bebidas alcoólicas geralmente começa em casa por imitação aos pais que também bebem. Muitos pais, infelizmente, incentivam seus filhos adolescentes a dar aqueles goles dizendo: “Ele já é um rapaz” ou “Ela já é moça e pode tomar uns goles”. Usar bebida alcoólica acaba fazendo parte de um “ritual” de entrada na adolescência. O uso do álcool é visto como símbolo de liberdade, “coisa de adulto”. Também há outro agravante: o reforço da “turma”, que exige o uso de bebidas alcoólicas para que o novo membro seja aceito, incluído no grupo.
             Os pais ainda exercem grande influência sobre os filhos nessa época. Cabe a eles dar modelos sadios e não incentivar o uso de bebidas alcoólicas. Os pais têm que saber lidar com a situação. Apenas proibir o adolescente de usar bebidas alcoólicas não dá certo, pois o que é proibido é sempre mais gostoso. Também o excesso de liberalismo dos pais pode ser visto pelo adolescente como indiferença ao problema, que o levará a um consumo ainda maior do álcool. Os pais devem saber ou aprender a exercer uma autoridade saudável, sem normas rígidas ou tolerância excessiva. Eles precisam saber “negociar” com seus filhos. Adolescentes, vocês sabiam que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), tem uma Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990, que proíbe o uso e venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos? Pois é, vocês também transgridem essa lei. Adolescente, não permita-se influenciar pela "turma" que te pressiona a usar bebidas alcoólicas. Desde já, comece a formar sua própria identidade, construindo sua singularidade e a ser responsável pelo que você é e pelo que você faz.
            Por fim, quero deixar algumas palavras aos jovens, maiores de 18 anos, que fazem uso abusivo de bebidas alcoólicas: Vocês estão cheio de capacidades, de qualidades, de belezas internas. As “coisas” boas estão dentro de vocês e não na droga do álcool. Ele só dá um prazer imediato e anestesia suas capacidades, mata sua mente e seu corpo. Não estou propondo lei seca, pois sei que a juventude é uma fase de prazer, e tomar sua cervejinha ou seu drinque moderadamente é prazeroso e uma forma de estar reunido socialmente com teus amigos. O problema é o consumo exagerado, o vício, a escravidão ao álcool. Se vocês sentem que já estão viciados na droga do álcool, procurem ajuda urgente, pois estão numa canoa furada.
            Por trás da euforia que o álcool provoca há um adolescente ou jovem desesperado, arrebentado internamente, sofrido, cheio de dor, com muitos conflitos internos e externos. Talvez, nas suas atitudes autodestrutivas e atrapalhadas, esteja, inconscientemente, pedindo socorro.