10 de dezembro de 2015

Boneco de Marionete

Félix F. Elvas Pequeno

Agia segundo as leis do seu “Senhor" interno, sua parte severa,
Assustadora e castradora, que ele obedecia e reverenciava.
Ser senhor dos seus desejos jamais, somente realizar os desejos dos outros.
Mentalmente reprimido,
E ensimesmado.
Era, portanto, um homem de “bem”, de “moral”, “respeitado".
Fingidamente sério.
Politicamente correto.

Estava enfeitiçado pelos ensinamentos do seu "Senhor",
Sem questionar ou se rebelar.
Pois precisava ser admirado, amado...
Achava que ser normal,
Era ser igual a manada,
Marcado e programado.

Assim foi se transformando em boneco de marionete.
Dançava no palco social,
Conduzido pelos cordões nas mãos do seu "Senhor".
Gostava de dançar bolero,
Dois pra lá, dois pra cá,
Passo a passo, no compasso da mentira e do fracasso.
Engolia tudo goela abaixo,
Não era curioso;
Pelo contrário, medroso e acomodado.
Não se arriscava,
Facilmente manobrado.

E sua "criança" interna, a outra parte,
Dava risadas, e dizia: "brinque de ser mágico e desfaça o feitiço,
Chute a bola e faça um gol,
Faça e solte uma pipa, se arrisque pelo ar...
Seja criativo, invente um tapete mágico e voe daqui da terra para outro lugar..." 
Mas a voz de “Senhor” controlava sua cachola:
"Não de ouvidos a essa criança,pois é maluquinha,
Esqueça de seus desejos, seja os  meus desejos,
Seja normal, nunca diferente, sempre adequado e adaptado".

Ele continuou fazendo tudo  ao que seu "Senhor" ordenava.
Obedecendo e encaixotado,
Ficou eternamente enfeitiçado.
Sua cachola ficou petrificada,
E virou para sempre boneco de marionete,
Sem mente e inocente.
Sem sensibilidade,
Sem singularidade, 
perdeu sua identidade.

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