15 de novembro de 2015

“ID” (das Es) - poema em versos soltos e desconexos.*

Félix F. Elvas Pequeno

Pedaço de mim caótico.
Vulcão cheio de excitação.
Estás repleto de tesão.
És desorganizado, emocional e danado.
Fostes me dado pelos meus pais,
E fixado na minha constituição.

Teu brilho é incandescente,
Me deixas fogoso.
És primitivo,
Uma criança mimada,
Toda endiabrada.
Ingênua, atrevida e sem juízo.

Não sabes nem o que é bom,
Nem o que é mau.
Obedeces somente ao princípio do prazer.
Não temes, como o “ego”
És minha parte animal,
És tudo o que meu ego não é.

Tens vontade própria,
És individual.
Foges da minha razão,
Só obedeces ao meu coração.
Basta um gesto brusco teu,
Pronto! perco a cabeça.
Te bebo e me embriago em ti.
És um substrato da minha pulsão.

Me fazes ter paixões,
E cometo traições...
Rompo com o convencional,
Com os mandamentos de Deus,
Deixo de ser anjo,
Peco,
E viro demônio.

Me tornas fogoso,
Brincas com meu corpo,
E quem vem brincar comigo
Corre o risco de se queimar.

De repente, te recalco.
Voltas lá para o fundo da mente.
Deixo de delirar,
Fico encaixotado
E demente.

Mas és paciencioso, esperas...
E foges clandestinamente,
E com disfarces,
“Re-apareces”:
Nos meus sonhos,
Nos meus sintomas,
Nos meus lapsos,
E nos meus atos falhos.

És obscuro,
Obsceno.
Me invades a qualquer instante.
Brotas lá do inconsciente,
E como um potro selvagem,
Rompes a porteira da consciência.

Quando escrevo,
Vens no meu primeiro rascunho,
Te rabisco,
Te maltrato,
Te jogo no lixo.

Ficas um menino obediente,
Te recolhes humildemente,
E ficas esperando,
Um novo momento...

Hoje vieste,
Te acolhi,
E não te reprimi;
Te lapidei,
E te transformei
Neste ato de criação.
Vives um indo e vindo
Infinito...

Ficas à mercê,
De quem bom uso faz de ti:
Os poetas,
Os compositores,
Os pintores,
Escultores,
Enfim,
De quem for criador...
De quem aproveitar tua energia
Para fazer de ti
Belas “transformações”...                                              

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