15 de outubro de 2015

Pulsão (Impulso)

Félix F. Elvas Pequeno

Carga energética impalpável, invisível
O Teu alvo é suprimir todo estado de tensão
És grandiosa em tua determinação
És um processo dinâmico que consiste numa pressão

Qual é a tua cor? Vermelha?
Qual é a tua forma? Uma seta?
De onde vens? Para onde vais?
Não sei te definir,
Pois és indefinível. És um constructo.
Imagino que venhas do psico e do somático.

Pensar em ti, pulsão,
É falar do que é próprio ao homem.
És o rompimento com o mundo animal,
Aí se define o humano.

Não consigo te pegar, escapas à minha razão.
Sei que estás no meu corpo a navegar
Sei que estás na minha idéia a me infernizar.

Estás nos meus desejos, nos meus pecados, na minha tesão
És volúvel como a volúpia
Sobes nas cabeças dos amantes
Deliberas e executas sem compaixão

Não és fixa, são tantas as tuas fontes:
Pulsão oral, pulsão de vida,
pulsão de morte, pulsão sexual.

Às vezes te recalco, te maltrato,
Mas, num ato de coragem e persistência,
Voltas maravilhosamente
E danças no meu corpo como uma bailarina
Executa vôos como uma ave colorida

És um corte trágico
entre a natureza e o homem.
É a tua inscrição no psíquico
que vai transformar o corpo biológico
em corpo erógeno.

Narciso te aprisiona;
Édipo, assustado, te intimida
Explodes em Eros
e adormeces em Tânatos.

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