31 de outubro de 2015

Desalento

Félix F. Elvas Pequeno (Esta poesia escrevi para uma amiga que tinha terminado com um relacionamento amoroso)

Te amei mais do que devia amar.
Investi todo meu amor em ti.
Em ti achei que tinha encontrado
A razão de não sofrer mais,
De amar, amar, amar.

Poderia te amar pouco,
Mas não consegui segurar meus desejos.
Me entreguei,
Me despi,
Me ralei,
Lutei,
Me expus,
Me humilhei,
Implorei.
Tudo fiz para tê-lo.
Te tive por pouco tempo,
Você me deu um olá
E logo um adeus.
Te perdi.
Um pedaço de mim se foi junto.
Estou triste.
Abatida.
No avesso.
Esvaecida.

Por tudo isso,
Largo o meu corpo neste momento, nesta cama.
Sinto-me menos, encolhida,
Adunca,
Diminuída e esmorecida.
Uma flor bela que murchou.

Minha metade arrancada se foi.
Estou sangrando, como uma hemorragia.
Há muita dor no meu ventre e no meu peito.
Estou rendida, abatida como um pássaro.

Sinto-me trincada,
Espatifada,
Envergonhada,
Cheia de culpa,
Pois me traí.
Pequei contra meus princípios.
Escuto apenas meu gemido sussurrando.
                         
Quero ficar aqui quieta,
Murmurando.
Entrelaçada comigo mesma,
Velando meus sonhos, meus desejos
Que se foram contigo.

Fui tola.
Me entreguei do fundo da alma,
Deixei-me ser  usada,
Violentada.
Me auto-desprezei
Que estupidez!

Sinto-me cansada,
Entorpecida.
Quero agora repousar, dormir,
Fugir num sono profundo,
Até me “re-fazer”
Pra não sei o quê.


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