10 de agosto de 2015

O Macaco que Queria ser Rei

Félix F. Elvas Pequeno

     Outro dia, estava cá com meus botões, pensando a respeito das notícias nos jornais sobre grandes falências... nossos empresários... nossos governantes... nas corrupções... nas próximas eleições... me perguntei: “O que é fundamental para ser um grande homem, um grande administrador e um grande governante? Veio uma resposta: “Conhecer-se a si mesmo”. Estava eu divagando, quando, de repente, numa associação de idéias, lembrei-me de uma fábula de La Fontaine: “O macaco e a raposa”. Resolvi reescrevê-la, adaptando-a para a história que segue:
     Era uma vez, um célebre leão que era o rei dos animais de um certo país bem perto daqui. Governava com humildade, habilidade e honestidade. Todos os seus súditos eram-lhe muito gratos. Admiravam-no e o respeitavam pela sua competência e sabedoria. Enfim, ele era equilibrado emocionalmente.
     Num certo dia, ao defender seu país contra a invasão de um grupo de hienas que queriam devorar seus súditos mais frágeis e ingênuos, feriu-se mortalmente e veio a falecer. Seus súditos se sentiram tão totalmente desamparados e desesperados, que se viram na necessidade urgente de substituir o falecido rei. Reuniram-se e tiraram de um estojo a coroa real, colocando-a sobre a cabeça de vários animais para ver a quem servia; para alguns era grande; para outros, pequena. Mas havia um macaco que ficava troçando, gritando, falando alto, pulando de galho em galho, rindo, fazendo mil caretas, e também quis experimentar a tal coroa. Mas, não é que, para surpresa de todos, a tal coroa lhe servira! Então o macaco, num bote rápido, pegou a coroa na mão, como se fosse um arco de circo, fez caretas e muitas momices, gritou, fez acrobacias e, num discurso onipotente, prometeu governar melhor que o falecido rei leão. Foi aplaudido em pé pelos outros animais que resolveram votar nele para seu novo rei.
     Todos os animais votaram e o macaco psicopata que ambicionava ser rei foi enfim coroado.
     Mas um dos animais, a raposa, se arrependeu amargamente de ter dado seu voto a ele, mas não revelou isso a ninguém. Prestou, ao novo monarca, uma homenagem suntuosa e cochichou no ouvido do macaco: “Majestade, tem um lugar, dentro destes domínios, que guarda um rico e grandioso tesouro, e pertence de direito unicamente à vossa majestade. É conveniente que o senhor vá buscá-lo imediatamente, antes que algum animal esperto e invejoso se antecipe à vossa majestade”.
     O macaco-rei que era mais invejoso ainda, vorazmente, gananciosamente e cheio de cobiça, correu rapidinho para o local indicado pela raposa. Foi sozinho, é claro, pois não confiava em ninguém. Tinha idéias de perseguição. Lá chegando ficou deslumbrado com o tal tesouro, com os olhos enlouquecidos pela ganância, e quando se apressava para apoderar-se do tesouro ficou preso num laço, uma armadilha que estava previamente armada. O macaco-rei, desesperado, pôs-se a guinchar, soltando sons agudos, desarticulados e estridentes, amaldiçoando quem o levara a cometer tamanha loucura e gritou: “Quem foi o traidor que armou tal armadilha para mim?” A raposa, que espreitava tudo o que se passava, respondeu em nome de todos os demais súditos: “Fui eu, seu macaco ganancioso, atrapalhado e metido a ser rei. Pretendes ainda governar-nos, se não és capaz de governar a ti mesmo?”
     Então, o macaco foi derrubado do trono, demitido, e assim ficou demonstrado que a bem poucas pessoas convém a coroa.
       Fica, aí, uma lição aos líderes e governantes: governa-te a ti mesmo, é preciso reconhecer tuas possibilidades e limitações, para que não sejas mais um psicopata como o macaco da história acima.
     A história termina aqui. Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem se incomodou que conte outra.

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