22 de julho de 2015

Toda doença é Psicossomática

(Trabalho apresentado na revista de Medicina Psicossomática e síntese feita por Félix Elvas Pequeno)

O ser humano é inevitavelmente psicossomático. Não há nenhuma doença que não seja psicossomática. Há doenças onde o fator psicológico é mais preponderante, outras em que é o físico, mas tais fatores estão sempre presentes e interagindo, tanto no adoecer, como na cura.
Quando a nossa mente não consegue resolver os nossos conflitos internos ou externos, então o corpo padece, o corpo grita, o corpo adoece como um pedido de socorro, inconscientemente, para alguém nos ajudar a resolver tais conflitos. O corpo e a mente estão interligados, não dá para separar o que é do corpo e o que é da mente. Toda manifestação de doenças no corpo, começa na mente, e isso gera uma grande confusão porque os médicos e os doentes não têm uma noção correta disso. Muitos médicos ficam querendo dividir o Ser, como se fosse possível pensar em um Ser somático e um Ser psíquico, como se fossem duas coisas independentes. A maioria dos pacientes tem longa e complicada história de contato com serviços médicos, tanto no consultório como em pronto-socorro, durante os quais, exames e investigações por imagens são negativas ou até cirurgias sem necessidade são realizadas.
O paciente psicossomaticamente doente refere sintomas relacionados a qualquer parte do corpo. Os sintomas mais freqüentes são: sensações gastrointestinais (dor, queimação, vômitos, náuseas, etc), sensações anormais na pele (coceiras, queimação, formigamento, dormência, manchas). Queixas sexuais, menstruais, também são comuns, e outros sintomas ortopédicos como lombalgias, dores nas pernas, braços, ombros, coluna, etc. Atualmente, existe a fibromialgia, que é uma doença da cabeça, e tem os seguintes sintomas: dor generalizada pelo corpo, por mais de três meses; depressão; sensação de inchaço nas articulações (juntas); problemas intestinais (diarréias alternadas com prisão de ventre); formigamento; dormência no pescoço, braços, mãos e pés; insônia ou sono não restaurador (a pessoa já acorda cansada); dores na região do pescoço e cervical; cansaço físico constante.
É fundamental que ao avaliar um paciente adulto ou criança, os médicos estejam atentos aos fatores físicos, emocionais e sociais, que estão conjuntamente ligados ao desencadeamento das doenças. Não se pode tratar uma pessoa separando o psíquico do físico. Há muitas pesquisas que demonstram que a depressão, por exemplo, provoca uma inibição do sistema imunológico, e, conseqüentemente, facilita muitas doenças físicas, inclusive doenças virais, que muitos remédios não vão resolver.
Em um consultório médico, principalmente de certos planos de saúde, o médico vai conversar com o paciente, pergunta o sintoma, dá o medicamento ou pede algum exame e acabou. Dura mais ou menos 10 a 15 minutos. Muitas vezes, essa perda de contato do médico é tão radical que não é só a história da pessoa que ele não tira direito, às vezes não tira corretamente nem a história da doença. Um pneumologista, por exemplo, recebe um paciente e pergunta só do pulmão, nem pergunta sobre o resto do seu corpo, muito menos das coisas da vida e esquece que não há um pulmão isolado. O paciente deve ser visto como um todo. Ele é um ser bio-psico-social. É preciso ouvir e ouvir não é somente escutar. Ouvir de verdade é quando você consegue se colocar no lugar do paciente, entender o sentimento e o problema do paciente.
   As pessoas podem viver melhor e evitar doenças dependendo da capacidade delas em lidar com seus conflitos e problemas, que por uma série de fatores emocionais, têm grande capacidade para lidar com frustrações, perdas e separações sozinhas. Outras não são capazes de lidar sozinhos com seus conflitos e problemas. Então, podem se beneficiar muito de uma psicoterapia individual.

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