13 de novembro de 2014

"FICAR COM": Relacionamento superficial e pobre

 Félix F. Elvas Pequeno


            Está na moda (aliás, alguém disse que “a moda é o ridículo sem objeções”) ouvirmos certas pessoas dizerem de peito cheio: “Apenas ficamos naquela noite. Foi só uma ‘ficada’ com ele(a), claro, nada sério. Na próxima balada, fico com outro(a). Vou ficando e não quero me amarrar em ninguém”.
            'Ficar com' é um relacionamento sem nenhum compromisso entre duas pessoas, abrindo espaço para continuarem livres a outros relacionamentos.
           Os “ficantes” são vorazes, insaciáveis e viciados a um sexo casual e não se envolvem, mantendo encontros do tipo uma vez só ou durante alguns dias que pode ir de uma simples troca de beijos a uma relação sexual, e depois, 'adios muchacho'. Eles são de qualquer faixa etária.
            Quem já 'ficou com' fulano acha que tem o caminho aberto para novas ficadas. 'Ficar com' consiste simplesmente em fazer o que “dá na telha”, o que dá vontade, sem nenhuma responsabilidade e envolvimento no relacionamento, sem pensar nas conseqüências da ficada. É, pensar dói!
            'Ficar' é um tipo de comportamento animal, em que somente se satisfaz o instinto de reprodução daquela espécie. Então, quem 'fica com' é cachorro com cadela, galo com galinha, gato com gata, boi com vaca, dentre outros bichos...
            O relacionamento 'ficar' somente traz satisfação imediata do desejo, sendo impossível adiá-lo ou transferi-lo para uma relação amorosa, compromissada, afetiva onde há um envolvimento profundo. Por isso, os ficantes são escravos do seu desejo. Enquanto que os que amam, são senhores do seu desejo.
            Amar é bom, mas é difícil. Implica em se entregar ao outro, até mesmo com desencontros de opiniões, frustrações, perda de privacidade, renúncias, etc... Isto é, "a rapadura é doce, mas é dura". Uma relação amorosa é conviver num plano de reciprocidade e de confiança, compartilhar respeito, admiração, devoção, dedicação e cumplicidade.
            O número de ficantes é cada vez maior, por que mais pessoas mostram inconscientemente medo de se envolver, medo do desconhecido, medo da incerteza, de perdas e surpresas – muitas vezes, muito boas.
            Ficantes revelam incapacidade de uma relação amorosa, autêntica. São narcisistas, egoístas que amam, sobretudo, a si mesmos, se autovalorizando ao extremo. Tentam retirar do outro aquilo que lhes falta. São exploradores que desejam tudo para si, transformam o outro(a) em objeto descartável, como uma coisa que só serve para ser usada e desprezada, mantendo uma relação superficial, insatisfatória, perversa, sádica e empobrecida afetivamente. E, geralmente, acabam na solidão.

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