26 de janeiro de 2020

Os feitos da cocaína no cérebro


           Félix Elvas Pequeno

      A cocaína é uma das drogas mais consumidas e viciantes que existem. Longe da sensação de euforia e bem-estar que produz, tem também uma grande quantidade de efeitos nocivos para o cérebro. Trata-se de uma das drogas mais consumidas no mundo, e desde os anos 1980 ela vem causando um verdadeiro problema sanitário na área da toxicodependência.
      Essa substância, sintetizada a partir da planta da folha de coca, provoca uma sensação de euforia, energia e alerta mental em quem a consome. Também influencia reduzindo o apetite, assim como a necessidade de dormir. Além desses efeitos de curto prazo, o consumo de cocaína tem fortes consequências a longo prazo, como alterações emocionais ou comportamentais.
      Em geral, as pessoas que consomem cocaína apresentam um pior rendimento em provas de avaliação neuropsicológica. Esses efeitos foram observados, principalmente, em aspectos como atenção, memória, inibição de resposta e funções executivas. De forma mais específica, a cocaína afeta processos de atenção seletiva e contínua, memória de trabalho, memória visual e capacidade de aprendizagem.
      De fato, esses efeitos se tornam mais evidentes em períodos de abstinência. Em relação às funções executivas, os consumidores de cocaína apresentam mais falhas quando se trata de inibir respostas, mais impulsividade, e são menos hábeis na hora de tomar decisões. Além disso, verificou-se uma menor flexibilidade diante da mudança, pior capacidade para processar erros e lidar com as contingências. Em resumo, o consumo de cocaína, possivelmente uma das drogas mais viciantes, afeta o cérebro em muitos níveis. Além dos efeitos aqui descritos, também há uma grande quantidade de consequências emocionais, comportamentais e sociais que impactam a qualidade de vida da pessoa, além de destruir os neurônios do cérebro. ( Síntese feita por Félix Elvas Pequeno de pesquisas em literatura científica  sobre drogas). Abraços...

5 de janeiro de 2020

A cada momento, a cada instante...


         Félix Elvas Pequeno

      Guimarães Rosa escreveu Grande Sertão: Veredas em 1956. A obra, uma das mais importantes da literatura brasileira, é elogiada pela linguagem e pela originalidade de estilo presentes no relato de Riobaldo, ex-jagunço que relembra suas lutas, seus medos e o amor reprimido por Diadorim. Num determinado momento Riboaldo fala: “Cada hora, de cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo.” 
      Interessante, por que ainda hoje ocorre algo semelhante: a cada momento, a cada instante, a cada notícia, nós temos um novo medo. Então, a angústia humana ela aumenta todo dia, toda hora, porque sempre tem uma ameaça, sempre tem um medo, sempre tem uma história que nos confunde... 

29 de dezembro de 2019

Da sociedade ajustada

         Félix Elvas Pequeno

    A nossa sociedade é louca? As evidências dizem que sim. Estar ajustado a essa sociedade é estar ajustado à sua loucura. Então, há um tipo de “saúde mental” que é uma manifestação de loucura. Mas aqueles que são lúcidos, que percebem a loucura da sociedade e sofrem com ela, desajustados, são os que verdadeiramente têm saúde mental. 
     A maioria das empresas, quando é que um funcionário tem saúde mental? Ele tem saúde mental quando os seus pensamentos e emoções não interferem no seu desempenho na empresa: não falta, produz, tem boas relações. A empresa usa para avaliar o seu funcionário os mesmos critérios de avaliação da “saúde” de uma peça de uma máquina. Peça boa é aquela que não exige reparos e funciona sempre. Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à “ideia” da máquina. 
     Assim, um funcionário com saúde mental é aquele cuja alma está ajustada à alma da empresa. Ajustamento produz contentamento. As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer as máquinas funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros mundos. A criatividade vem do desajustamento!! . 

11 de dezembro de 2019

Sobre a escuta

        Félix Elvas Pequeno

         O psicanalista trabalha principalmente com a escuta, escutamos muito mais do que é dito pelo paciente, temos que ser capazes escutar também o que não é dito, o que se quer dizer e não tem coragem. Se não sabemos como escutar corretamente nosso paciente, como poderemos ajuda-lo? Escutar é refletir sobre o que a pessoa falou, mesmo que seja sobre algo que você já passou ou algo que você já sabe, você deve se colocar no lugar dessa pessoa e despir-se de qualquer outra opinião anterior, colocar-se no lugar do outro como se nós mesmos o fosse.
         É preciso estar em silencio absoluto, não apenas na fala, mas também em nosso interior.


"A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito...
                                       Rubem Alves

21 de novembro de 2019

" O que não tem remédio nem nunca terá"

           Félix Elvas Pequeno     

        O que fazemos quando se trata da dor que castiga a mente? Aquela que é tão forte, tão intensa que acaba doendo no próprio corpo? Muitas vezes, tentamos ignorá-la. Só damos real importância ao sofrimento psíquico quando ele se torna físico. Depois de passar por muitas consultas, com médicos das mais diversas especialidades, e de se submeter a vários exames, sem nenhuma melhora, alguns finalmente se dão conta de que a dor que persiste é apenas um aviso, um alerta: a verdadeira origem da dor pertence a conflitos psíquicos e o profissional a ser procurado é outro.
         É importante delimitarmos o que é domínio da medicina e o que não é. Com a quantidade de laboratórios desenvolvendo um número cada vez maior de remédios para cada parte do nosso corpo e oferecendo cura instantânea é mais tentador corrermos a um médico do que procurarmos um psicanalista. Nem sempre a medicina dará conta de tudo, e aquela busca que parecia levar à solução imediata acaba se transformando em frustração. Em alguns momentos, sabemos que a dor vivenciada pertence a algo que vai além do orgânico, mas preferimos não acreditar. Então tomamos remédios e a dor não passa; continuamos com aquela angústia, com aquela inquietação que não conseguimos definir. A dor mental, tem a ver com a nossa história de vida e com os conflitos que estamos passando e que não conseguimos enfrentar. É então que o corpo fala, dolorosamente.
          Aquilo com o que o sujeito não consegue lidar, portanto, precisa ser conversado com um profissional – no caso, o psicanalista - que possui técnicas e conhecimentos específicos para conduzir o dono da dor pelo caminho seguro da cura. Devemos considerar que mente e corpo caminham juntos. Quando estamos doentes podemos ficar desanimados e muitas vezes até deprimidos. A dor física mexe com o nosso psiquismo. O contrário também acontece. O sofrimento mental se reflete em nosso corpo. A solução é perceber que essa dor pertence a outra ordem e que não é o médico que deverá enfrentar e sim o próprio sujeito. Se a medicina não está dando certo, é hora de deixarmos nossos preconceitos de lado e buscarmos a ajuda de um psicanalista. No início você falará sobre suas dores físicas, mas quando você se der conta você estará falando dos seus conflitos internos que teimam em se esconder.
        De repente, percebemos que a dor foi embora, mas passamos a sentir a necessidade de voltar para aquele consultório, passar os 50 minutos preciosos falando, ou mesmo, em silêncio. É aí que vemos que aquela dor física era um sintoma que comparecia no corpo, mas que pertencia ao inconsciente, e é nesse momento que o psicanalista se torna necessário. Basta então refletirmos para perceber que, às vezes, somos tomados por uma força maior, mas por causa da roda-viva e do individualismo achamos melhor “esconder a sujeira em baixo do tapete”. Não há como medicar o que não tem remédio. Para diminuir a angústia, a psicanálise nos aponta o caminho da fala, da conversa. O grande psicanalista Lacan nos disse: “A angústia não se resolve, se dissolve em palavras”.
(Síntese feita por Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista, do texto de Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Godim-Psicólogas e psicanalistas). Abraço...

10 de novembro de 2019

Sobre falar de mulher

         
Félix Elvas Pequeno

            Saber o que quer uma mulher, é uma pergunta que nem Freud conseguiu responder. “Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?” (Sigmund Freud). Não vou me atraver à responder a essa pergunta, mas vou tentar escrever sobre falar de mulher. As mulheres lutaram, durante muitos anos, por direitos iguais aos dos homens e enfrentaram os preconceitos sofridos. Hoje, depois de tantas conquistas femininas, mais do que nunca é enfatizada a independência feminina diante de seus múltiplos papéis na sociedade. Apesar dessa batalha por igualdade, homem e mulher, definitivamente, nunca serão iguais.
            Penso que falar de mulher implica falar de maternidade, cuidado, afeto. Nos remetemos à imagem da sensibilidade, da coragem, da vaidade, da intuição. A mulher não é mais aquele sexo frágil de antigamente, conquistou seu espaço na sociedade. As vezes fraca, as vezes forte, ora dependente ora independente. São diversas as facetas assumidas pela mulher, fazendo com que o seu desejo seja encarado como um enigma.O lugar da mulher é onde ela deseja estar, não é onde querem que ela esteja! Se percorrermos o caminho da arte- poesias, música, pintura, por exemplo-, perceberemos como todos tentam desvendar esse o obscuro inconsciente da mulher, mas não conseguem!!
            Quando falamos em mulher, não podemos negar sua magnitude: é a única que pode conceber a vida e aquela que, na maioria das vezes, exerce a função materna, função primordial para a teoria psicanalítica. A criança tem de ser cuidada, investida e desejada. Esse papel, na maioria das vezes é exercido pela mãe; é ela quem traduz os afetos e emoções vividos pelo bebê e torna-se uma espécie de mediadora entre ele e o mundo externo, possibilitando que a criança inicie um processo de reconhecimento enquanto pessoa. É claro que ser mulher não implica necessariamente em exercer a função materna, assim como o ato de cuidar pode ser realizado por outro sujeito. Se não houver desejo de ser mãe, o valor da mulher não será menor por esse motivo.
           Enfim, mesmo que continue assumindo tantas posições na sociedade, nos parece inesgotável a tarefa de desvendar o que realmente quer uma mulher.Talvez ela queira que parem de perguntar: "o que quer uma mulher?" Porque só ela sabe e ponto final!!

(Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços afetuosos as mulheres, as quais respeito e amo profundamente, assim como amei minha mãe, que já partiu, há 2 anos, do passeio que fez aqui na terra e agora deve estar passeando por aqui e por ali...

25 de outubro de 2019

Sobre o novo amor

            Félix Elvas Pequeno

         Antigamente, homens e mulheres acostumaram-se se amar num amor assim: "eu estou com você por causa disso, ou por causa daquilo". Atualmente, mulheres e homens estão se amando e estão juntos, porque eles querem estar juntos, não existe nenhuma coerção social, e nenhuma razão. "Ninguém sabe amar outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso o contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta." 
          O amor não é chegado em fazer contas, não obedece à razão. Hoje, é um amor com uma escolha mais responsável, do que o amor de antigamente, é o Novo Amor que se explica simplesmente assim: "eu amo ela porque é ela, ela me ama porque sou eu"! Nunca conseguimos explicar o motivo de estar amando. Sempre explicamos fácil o motivo da separação. Amar não se explica e pronto!! (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!