10 de novembro de 2020

Resenha do livro: "A arte de ligar o f*oda-se traz verdades inconvenientes."

       Com linguagem direta e buscando fugir das abordagens da autoajuda, Mark Manson defende que ninguém é perfeito e aceitar problemas faz a vida melhor. ‘A sutil arte de ligar o f*da-se’ é o livro mais vendido no Brasil em 2018O livro “A sutil arte de ligar o f*da-se” é um verdadeiro choque de realidade, um tapa na cara de quem acha que é o perfeito, bem-sucedido, mas na verdade foge dos seus problemas. Sim, Mark Manson conta, como aquele verdadeiro amigo, que enquanto você busca o sucesso a qualquer custo, a vida está ladeira abaixo com o caos que muitos fingem não existir. O mantra de “pensar positivo” disseminado e vendido como fórmula nos livros de autoajuda é derrubado pelo escritor neste livro lançado que é o mais vendido até então em 2018 no Brasil. 

          O título da obra dá o tom da narrativa leve e com humor cítrico, sem meias palavras e verdades inconvenientes. Manson destaca a importância de dar valor ao que realmente importa e ligar o foda-se para o resto.  O “boom” das redes sociais com os seus “modelos de vida perfeita” carregada de filtros, e a cultura do consumo que sufoca faz pensarmos que nossa vida é uma merda e pequenos problemas que deveriam ser solucionados se tornam um mal gigantesco. O autor defende que isso leva a sempre pensarmos negativo. Ele nos mostra que ninguém é perfeito e a vida é cheia de obstáculos. O problema é não aceitar as adversidades. Manson aponta que temos que aceitá-las, resolvê-las e aprender com elas, pois nem sempre estar bem faz parte da vida. 

        Essa busca incessante por uma felicidade suprema só piora as coisas. “Desejar experiências positivas é uma experiência negativa. “Paradoxalmente, a aceitação da experiência negativa é, sem si, uma experiência positiva”, diz o escritor. Segundo Manson, a solução de “ligar o f*da-se” não significa não se importar com tudo, mas sim com coisas que realmente valham a pena. Isso passa por não dar a mínima para o que pensam de você e não criar uma imagem para outros de uma pessoa que não existe. Ser feliz mesmo com as adversidades, definindo as batalhas que realmente merecem ser lutadas, exige um exercício de definir em quais valores acreditamos e fazer nossa vida fazer sentido. 

             Exemplos de lutas que não deveriam ser travadas, estilos de vida baseados apenas em “euforias” momentâneas ou ideais alheios que viram regras são mostrados no livro. Manson define como “valores escrotos” o prazer, a busca a qualquer custo pelo sucesso material, estar sempre certo e o otimismo implacável. Embasado na psicologia, ele também aponta a dificuldade do ser humano em ser rejeitado e como somos condicionados a sempre dizer sim, mesmo querendo falar não. 

             O próprio Manson detalha sua vida sem significado na juventude, onde através de perdas e porradas que tomou ao longo da caminhada aprendeu que era necessário redefinir o que realmente importava. O livro também aponta o poder de se estabelecer limites e responsabilidades em todos os tipos de relação. Por fim, o escritor destaca a importância de aceitação da morte, que ela é inevitável e temos que fazer a vida valer a pena, aceitar todos os nossos problemas, resolvê-los. Enfrentar a mortalidade faz eliminar todos os valores ruins, frágeis e superficiais, defende Manson. “A sutil arte de ligar o f*da-se” é para quem busca a verdade nua e crua, independente de suas consequências. Ninguém é perfeito e a vida é cheia de obstáculos que surgem em qualquer decisão que tomamos, seja ela certa ou não.

24/08/2018

  (Por  Adriano Araújo)


25 de outubro de 2020

Sobre a Neurose

                Félix Elvas Pequeno

       A ideia de neurose é mais simples e, de certa forma, menos pretensiosa do que o conjunto de nossa vida. Não somos apenas a nossa neurose, nós não nos definimos pela neurose, ou pela nossa psicose, ou pela nossa perversão. Elas são maneiras de estar na linguagem, são estruturas. Não são doenças que ficaríamos melhores se as tirássemos de nossa vida, porque no fundo, são modos de interpretar o que é o outro, modos de ler o que está acontecendo nessa relação intersubjetiva, nessa relação de fala, em que eu recebo a minha própria mensagem de forma invertida, a partir do outro, ou não. Ou então, recebo mensagens que vêm diretamente do outro, e ai não estou mais na estrutura neurótica ou psicótica. Então, a condição de felicidade de uma vida, ela depende, parcialmente, de como a gente resolve as nossas neurose. 

        A capacidade de pensar nos leva a fazer transformações de olhar para dentro de si, para o outro e para o mundo, de maneira global. O neurótico não coloca em primeiro lugar o seu desejo, mas sim, o seu “eu”, o seu narcisismo, as suas defesas, o seu receio diante do fato que a neurose é uma forma típica de resolver conflitos e de evitá-los, não se dedica a eles para produzir algo que pode ser, inclusive, uma transformação de si, do mundo e do outro. Freud dizia: “só os artistas e algumas pessoas conseguem usar suas fantasias para criar coisas interessantes para todo o mundo.” A maioria dos neuróticos usa suas fantasias para criar sintomas, para criar restrições, para criar modos de funcionamento que, por exemplo, irá infringir sofrimento ao outro, ou então irá aumentar aquele sofrimento que faz parte da vida. 

         O trabalho de uma análise é a gente transformar o sofrimento neurótico em miséria comum, em sofrimento banal, e o fato de que sem a neurose, o que a gente tem é a vida, tal como ela é. Isso não quer dizer Felicidade, isso não quer dizer que você se tornará uma pessoa genial, espetacular, ou talentosa, porque em geral, isso é um produto dos nossos complexos infantis, que nos fazem imaginar que temos que ser alguém super, mega, hiper, para poder se reconhecido, amado, para poder fazer valer o seu desejo, para poder estar de forma interessante, construtiva na vida e no mundo. 

          Então, qual o sentido do tratamento analítico? Temos um inconsciente que nos prega peças, esse inconsciente governa a nossa vida, e por isso fazemos análise, mas essa análise nunca conseguirá esgotar completamente o inconsciente. Nós vamos continuar a ter sintomas, fantasias, inibições, continuar, no fundo, com aquelas mesmas condições que são estruturais. Então, o que mudará em nós? Você estará advertido disso. Você saberá como isso é produzido. Então, você tem a opção extra de recuar diante da intensidade e diante do fato de que essas são as condições que governam a sua vida. Então, após a análise, o que acontece? A vida volta para a sua mão. Você pode governá-la, você pode dar um destino que seria propriamente o seu, e não um destino que seus pais queriam para você, ou que você achava que seus pais queriam para você, ou o destino que você acha que a sociedade queria para você, ou o destino que você acha que o outro inventou para você. 

           Isso não significa, necessariamente, que você será alguém pleno, significa, talvez, que você será alguém um pouco mais emancipado, menos alienado, um pouco menos enganado pela sua própria fantasia inconsciente. O inconsciente está lá, nenhum programa clínico interessante pode advir da idéia de extirpar o inconsciente, de tornar alguém, ao invés de neurótico, “normal”. Não existe estrutura mental “normal” na psicanálise. Nem tudo é estrutural em um tratamento analítico, nem tudo é estrutural na produção dos sintomas, na maneira que lidamos com nossas fantasias, com o nosso gozo, com os nossos parceiros.


14 de outubro de 2020

Do desapego

        Félix Elvas Pequeno

      Todas as nossas posições, todos os nossos poderes, o nosso dinheiro, o nosso prestígio, respeitabilidade são todos bolhas de sabão. Não fique apegado a bolhas de sabão; senão, estará em contínua miséria e agonia. Essas bolhas de sabão não se importam por estar apegado a elas. Elas continuam arrebentando e desaparecendo no ar e deixando-o para trás com o coração ferido, com um fracasso. Elas deixam-no triste, amargo...Elas transformam a sua vida num inferno. 

       Desapegue-se: viva no mundo, mas não seja do mundo. Viva no mundo, mas não permita que o mundo viva dentro de si. Lembre-se que ele é um belo sonho, porque tudo está mudando e desaparecendo. Não se agarre a nada.  Se começar a desprender-se, uma tremenda libertação de energia acontecerá dentro de si. A energia que estava envolvida no apego às coisas trará um novo amanhecer ao seu ser, uma nova luz, uma nova compreensão, um tremendo descarregar — nenhuma possibilidade para a miséria, a agonia, a angustia. Ao contrário, quando todas essas coisas desaparecem, encontra-se sereno, calmo e numa alegria subtil. Haverá um riso no seu ser. (…) Se tornar-se desapegado, será capaz de ver como as pessoas estão apegadas a coisas triviais, e quanto elas estão sofrendo por isso. E rirá de si mesmo, porque também estava no mesmo barco antes. O desapego é certamente a essência do caminho...

(Síntese do texto de Osho feito por Félix Pequeno). Abraços...


"Sou apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer."

"Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.

Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres."

"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída."

(Clarice Lispector)


7 de outubro de 2020

Das "mamães e dos "papais"

  

              Félix Elvas Pequeno

   Sem dúvida, é muito prazeroso sermos aprovados e amados pelas nossas próprias vitórias, principalmente as mais laboriosas, é que amamos cada vez mais à nós mesmos. São as nossas realizações que sustentam uma auto-estima forte. A necessidade infantil de sermos amados incondicionalmente, na tenra infância por mamãe e papai, e posteriormente pelos outros, mantém  uma falsa e frágil auto-estima, pois depende sempre de novas provas de amor e aprovação dos outros a cada instante da nossa vida.          

Constantemente, inconscientemente, estamos buscando “mamães e papais” nos outros. Uma verdadeira e forte auto-estima, provém de nos comprometermos a sermos sujeitos dos nossos desejos dando os destinos que escolhermos à eles, e não realizando os desejos e aprovações dos tantos outros. “mamães e papais”...

4 de setembro de 2020

Setembro amarelo-mês de prevenção do SUICÍDIO

 

              Félix Elvas Pequeno

          Setembro Amarelo é o mês (de 1 a 30 de setembro) dedicado à prevenção do suicídio. Trata-se de uma campanha, que teve início no Brasil em 2015, e que visa conscientizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento. É nesse mês que no dia 10 se comemora o dia mundial de prevenção do suicídio. Ao mesmo tempo em que há muita discussão sobre o tema e que são organizadas caminhadas, durante esse mês alguns locais são decorados com a cor amarela. Assim, já foram iluminados de amarelo o Cristo Redentor, o Congresso Nacional, a Catedral e o Paço Municipal de Fortaleza, entre outros. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, o que significa que o suicídio mata mais brasileiros do que doenças como a AIDS e o câncer. 

            O assunto é envolto em tabus, por isso, a organização da campanha acredita que falar sobre o mesmo é uma forma de entender quem passa por situações que levem a ideias suicidas, podendo ser ajudadas a partir do momento em que as mesmas são identificadas. As situações que levam a esse fim podem surgir de quadros de depressão, bem como do consumo de drogas. É por isso que “Falar é a melhor solução” é o slogan da campanha, cujos envolvidos na sua organização acreditam que conscientizando as pessoas podem prevenir 9 em cada 10 situações de atos suicidas. Origem do Setembro Amarelo. 

             O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como "Mustang Mike". Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte. No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem "Se você precisar, peça ajuda.". A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo. 

           Se pensar em suicídio busque ajuda. É importante que as pessoas que estejam passando por momentos de crise busquem ajuda. O ideal é um acompanhamento psicológico, além do apoio da família e dos amigos. Para isso, é essencial que as pessoas consigam falar sobre o que sentem. Se você estiver com sérios problemas e chegar a considerar o suicídio, pode procurar ajuda entrando em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV). Esse é um projeto que fornece apoio emocional e prevenção do suicídio. Através de telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias da semana, eles atendem de forma voluntária e gratuita todos que precisam conversar. O serviço é totalmente sigiloso.

O site do CVV é www.cvv.org.br.

(Síntese feita por Félix Elvas Pequeno Psicólogo e Psicanalista).Seja solidário, COMPARILHE.....

www.felxpequeno.com.br




25 de agosto de 2020

Do renascer


Félix Elvas Pequeno

Sempre é doloroso renascer. Vou citar o exemplo da borboleta – para se tornar borboleta esta passa por várias fases para, então, chegar ao casulo e se tornar borboleta – o casulo, então, é a fase final para a metamorfose e a libertação do voo da borboleta. Mas volte o olhar para trás e pergunte a si mesmo: foi tão penoso o percurso? É possível que sim. Mas se não atravessar a sua dor de existir – não terá sido tão bela a sua história de reconhecimento. Renascer é libertar-se e voar sobre o horizonte infinito...