16 de julho de 2019

Ser diferente é normal

          Félix Elvas Pequeno

              Atualmente vivemos como autômatos, parecemos ter perdido a espontaneidade, a capacidade de sentir e se expressar direta e criativamente. Nossa existência é programada pelo grande computador que é o nosso sistema sociocultural e, assim sendo, desistimos da liberdade de pensar por nós mesmos e deixamos de fazer nossas próprias escolhas. Estamos perdendo a nossa singularidade, matando os nossos desejos e realizando os desejos dos outros. Não podemos falhar, pois nos é exigida a perfeição e nossas dificuldades são classificadas como defeitos.
              Vivemos uma ilusão de querermos ir alem das nossas limitações e das nossas possibilidades, sendo incentivados à buscar sempre o excesso. É nesse sistema alienante e perverso, onde somos estimulados a sermos sempre iguais, alegres e maníacos e, se apresentarmos atitudes fora dos comportamentos "normais" somos vistos como inadequados e inadaptados e, então, ficamos estranhos à maioria; viramos o diferente.
          Basta de tolice! Assuma seu direito de ser diferente sem culpa, de não caminhar com o rebanho, de viver da forma que escolheu conscientemente, sem seguir convenções, sem fazer o que esperam os outros. Seja realmente livre e feliz do seu jeito. Vá em frente, pois ser diferente é normal. Deseje ser amada(o) por ser como é!(Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços.

14 de julho de 2019

A depressão, também é um sintoma de uma sociedade perversa

Félix Elvas Pequeno

        A moral social contemporânea no dia a dia, perversamente, cobra das pessoas a alegria, a euforia e a felicidade constante, como? Nas capas de revistas; nas redes sociais; na mídia; no sucesso profissional; num corpo perfeito; na viagem a um lugar paradisíaco; na casa dos sonhos; no status; na riqueza, entre outras... Tais experiências são “vendidas” como verdadeiros caminhos para a felicidade, algo que só dependeria de você. Mas esse tipo de discurso acaba sendo uma grande armadilha: “Se ser feliz só depende de mim, e eu não sou, logo eu falhei.” E muitas pessoas não conseguem, se deprimem.
    Há uma dívida generalizada, das pessoas contemporâneas, de estar em sintonia com essa euforia, que lhe é exigida por essa sociedade perversa! Então elas, quando sofrem, não apenas daquilo que a fazem sofrer- uma perda amorosa, uma morte na família, o desemprego, entre outros sofrimentos psíquicos; mas ainda mais, de culpa por não conseguirem a felicidade constante que essa sociedade lhe cobra! 
      Deprimidas, as pessoas vão há um médico (psiquiatra ou não), que prescreve remédios antidepressivos que ajudam, mas atuam nos sintomas e não nas causas. Que “remédios” devem ser prescritos para as causas de uma sociedade doente? Construir sua singularidade, se reiventar e não aceitar as cobranças de alegria, de euforia e de felicidade constante, que são feitas por essa sociedade perversa, doente... (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços!


Sobre a hospitalidade do outro

          Félix Elvas Pequeno 

        Geralmente a convivência com o outro, passa por um referencial de egoísmo. Penso que podemos aprender a receber o outro na nossa “casa mental”. Saber acolher o outro dentro dela, mesmo que ele seja completamente diferente de nós, mas que possamos encontrar, nessa diferença, uma marca de humanidade para acolhe-lo. 
          Precisamos olhar para o outro como alguém que merece afeto, cuidado e respeito, acima de tudo. Saber conviver com o outro, que não tem nada em comum conosco e hospedá-lo com amor dentro da nossa “casa mental”, vai implicar numa responsabilidade para com o outro. Não é fácil, mas, se desejar, tente! (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços nos outros, diferentes de mim...

6 de julho de 2019

Sobre o falso "Eu"

Félix Elvas Pequeno

                 As redes sociais, impulsionam você à buscar a perfeição e você permite! Se obriga, a criar um falso “EU” para as redes sociais, quando você ainda nem sabe quem é. E tem que ser um “EU” bonito, sorridente, bem-sucedido, magro, popular, e feliz. Seu “Eu” ainda está sujeito a filtro, photoshop, caso você não goste dele, você deleta e posta um outro “EU” mais perfeito, e assim por diante.
                As pessoas mais velhas, se enchem de maquiagem, para disputar com os adolescentes, qual é o melhor selfie. Você vive um pouquinho, tira uma foto, posta e, se tem muitos likes, aí se sente vivo e feliz. Que pena, pois você vai se perdendo de si mesmo... (Félix Elvas Pequeno é Psicólogo e Psicanalista). Abraços.

30 de junho de 2019

A felicidade é uma escolha pessoal




Félix Elvas Pequeno

                  Para Freud, a felicidade é vendida no sentido de preencher uma falta, que é constante e que, portanto, nunca será alcançada em sua plenitude. As redes sociais, nos bombardeiam com imagens de pessoas anônimas ou do mundo das celebridades. Observamos, que nesse mundo virtual muitas pessoas desejam passar aos seus seguidores que estão sempre felizes. Como? A cada segundo, alguém está postando um momento “feliz” no facebook, instagram, entre outros, talvez, para preencher a falta de uma vida perfeita, que não existe! Para muitas dessas pessoas, a felicidade depende dos likes ou dos comentários que ela recebe no post do dia.
          Penso que a felicidade está em pequenas atitudes, que podem ser realizadas no dia a dia, é uma escolha pessoal que vem de dentro de cada um, e você pode buscar a sua felicidade do seu jeito. Se pescar, andar de bicicleta, fazer tricô, cantar, dançar, caminhar, ler um livro, pintar, entre outras escolhas, te faz feliz, faz e pronto! Não pense que sua vida é pior que a daquele amigo virtual, que faz um monte de postagem maquiando uma realidade que não lhe pertence! Lembre-se, o que certas pessoas mostram nas redes sociais é o que elas gostariam de ser, e não o que elas realmente sentem ou são! (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!

21 de junho de 2019

Sobre o complexo de inferioridade

                Félix Elvas Pequeno
         
                       O termo Complexo de Inferioridade foi criado pelo psicanalista Alfred Adler, primeiro seguidor de Freud. Para Adler tal sentimento era inerente ao homem, e nascia do meio em que a criança crescia. É fundamental plantar na criança sementes de auto-estima e de fortalecimento do “Eu”, que lhe permita resistir aos pontos de vista dos outros, as frustrações e os acidentes de percurso da vida. O complexo de inferioridade está, portanto, ligado ao meio em que a criança se desenvolve, ao comportamento dos pais com relação a ela – estes devem evitar discursos negativos e depreciativos, bem como o costume de destacar só os deslizes dos filhos.
                        Todos nós, biológicamente, nascemos inferiores em comparação com os adultos. Nascemos frágeis, indefesos e se não fosse pelo cuidado dispensado pelas famílias, não sobreviveríamos à primeira infância. Porém, se tivermos uma educação equilibrada, superamos naturalmente este sentimento de inferioridade. Contudo, em muitos casos em que a educação é inadequada, o sentimento de inferioridade, ao invés de ser superado, é intensificado e se torna inconsciente.
                        Se isso ocorre, a pessoa pode ser levada a desenvolver a ambição de predominar sobre os outros e sobre o meio em que vive. É desse modo que surgem todos os tiranos, os líderes arrogantes, pretensiosos que não escutam os outros e veem apenas o próprio umbigo. Portanto, para compensar o seu sentimento interno de inferioridade, estas pessoas tentam ganhar respeito dos outros através de uma compensação: o sentimento de ser superior. É a luta pelo poder... Enfim, só precisa sentir-se superior quem tem um forte complexo de inferioridade! Se você reconhece que o problema é muito grave, não hesite em fazer análise. (Félix Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista), Abraços!   (Félix  Elvas Pequeno é psicólogo e psicanalista). Abraços!



19 de junho de 2019

O grito do desejo


Félix Elvas Pequeno

"O desejo, roubado dos seus direitos, é dominado, à força, por um poder estranho e mais forte: a sociedade. O desejo grita: “Eu quero!” A sociedade responde: “Não podes, tu não deves”. O desejo procura o prazer. A sociedade proclama a ordem.

E assim se configura o conflito. Tudo seria mais simples se o conflito, a repressão, estivesse localizada fora de nós e o desejo alojado dentro de nós. Pelo menos, dessa forma, os inimigos estariam claramente identificados e separados. Entretanto, a psicanálise afirma que, se é verdade que a essência da sociedade é a repressão do indivíduo, a essência do indivíduo é a repressão de si mesmo. Somos os dois lados do combate. Perseguidor e perseguido, torturador e torturado. Não é exatamente isso o que experimentamos no sentimento de culpa? Somos nossos próprios acusadores. E, no seu ponto extremo, a culpa desemboca no suicídio; o suicida é, ao mesmo tempo, carrasco e vítima.

Vivemos em guerra permanente conosco mesmos. Somos incapazes de ser felizes. Não somos o que desejamos ser. O que desejamos ser jaz reprimido. E é justamente aí que se encontra a essência do que somos. Somos o nosso desejo, desejo que não pode florescer. Mas, o pior de tudo, como observa Freud, é que nem sequer temos consciência do que desejamos. Não sabemos o que queremos ser. Não sabemos o que desejamos porque o desejo, reprimido, foi forçado a habitar as regiões do esquecimento. Tornou-se inconsciente.

Acontece que o desejo é indestrutível. E lá do esquecimento em que se encontra, ele não cessa de enviar mensagens cifradas para que seus captores não as entendam. E elas aparecem como sintomas neuróticos, como lapsos e equívocos, como sonhos... os sonhos são a voz do desejo.

Freud estava convencido de que nossos desejos, por mais fortes que sejam, estão condenados ao fracasso. E isso é assim porque a realidade não foi feita para atender aos desejos do coração. A realidade segue seu curso férreo, em meio às nossas lágrimas.

O viver cultural estabelece regras que não são condizentes com o princípio de prazer, que é a obtenção da satisfação máxima, imediata e segura. Temos que aprender um modo secundário de existência, em que é preciso contentar-se com uma satisfação parcial, muitas vezes adiada, e nem sempre existente.  Portanto, viver em realidade, domar satisfatoriamente os desejos, adequando-os às exigências, por um outro lado pode propiciar uma maneira de utilizar a angústia como forma de crescimento"(Rubem Alves)